Resenha: A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard

“Mergulho em algo que sou incapaz de explicar, uma sensação que é tudo e nada, luz e trevas, calor e frio, vida e morte. Logo, o poder é a única coisa na minha cabeça, ofuscando todos os meus fantasmas e lembranças”.

Oi, pessoal!

Sou dessas que dificilmente lê um lançamento quando estão todos comentando a respeito, por algum motivo que desconheço, rs. No entanto, meus amigos falaram tanto sobre esse livro que virou necessidade lê-lo logo quando foi publicado. Decidi repostar minha resenha dele pois, no sábado passado, ganhei em um sorteio no Encontro de Leitores da Editora Seguinte a edição limitada de colecionador desse primeiro volume da série e não podia deixar de mostrá-la para vocês!

Minha expectativa para “A Rainha Vermelha”, de Victoria Aveyard, traduzido por Cristian Clemente (Editora Seguinte, 2015, 424 páginas), era gigantesca! Ele é o primeiro livro de uma série distópica de mesmo nome, além de ser o romance de estreia da autora.

a rainha vermelha victoria aveyard

O livro tem como protagonista Mare Barrow, uma garota prestes a completar 18 anos e que vive em um mundo dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.

Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

“Você é agora vermelha na cabeça, prateada no coração. (…) De hoje até o fim dos seus dias, você precisa mentir.”

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe – e Mare contra seu próprio coração.

Meu resumo do livro:

Como a sinopse diz, em “A Rainha Vermelha”, os prateados comandam a população menos favorecida. Por terem poderes especiais, como serem capazes de controlar a água, o fogo, os metais, a natureza ou até a mente humana, por exemplo, eles são considerados a elite. Vivem no luxo, no conforto, na riqueza.

Esse cenário é bem diferente para os vermelhos. Sem poderes, são apenas seres humanos comuns, frágeis. Vivem no limbo e em condições precárias, e suas vidas não valem nada para os prateados. Por esse motivo, os jovens da população vermelha que não tem uma ocupação até completarem seus 18 anos são mandados para a guerra dos prateados, para morrer por eles por uma causa que não lhes pertence.

Mare já teve três irmãos recrutados para a guerra. Morando com a mãe, o pai (que está permanentemente preso a uma cadeira de rodas) e a irmã Gisa, a única que tem uma ocupação, ela tenta levar ao menos um pouco de conforto para dentro de casa fazendo a única coisa que sabe: furtando!

“- (…) As palavras mentem de vez em quando. Veja além delas.”

Prestes a completar 18 anos, Mare sabe que será, mais cedo ou mais tarde, convocada. Seu amigo Kilorn também tem o destino traçado. Com medo do que possa acontecer com eles, ambos tentam montar um plano de fuga, recebendo ajuda de uma desconhecida chamada Farley, uma rebelde. No entanto, o preço da fuga é caro demais…

Em uma virada do destino, Mare consegue um emprego no palácio real dos governantes de Norta, a cidade dos prateados. Ela começa a trabalhar justamente em um dos eventos mais importantes para os prateados: a escolha da futura rainha do local, que ficará noiva do herdeiro do rei e da rainha de Norta, Tiberias (conhecido como Cal). Os reis também possuem outro filho, irmão mais novo de Cal, chamado Maven.

Em meio ao grande evento, Mare se vê em uma situação bem inusitada, que desperta a curiosidade (e o temor) dos prateados. E, a partir daí, uma série de acontecimentos são desencadeados, gerando uma conspiração política e sangrenta por trás dos panos. Mais qual sangue jorrará mais? O vermelho ou o prateado?

“(…) Se, a pior palavra do mundo.”

O que achei:

a rainha vermelha edição limitada colecionador autografado

Bem… Honestamente, acho que ainda não sei ao certo como me senti lendo esse livro… Ainda estou um pouco dividida…! Quando li a sinopse dele, senti uma onda de animação muito grande! O enredo parecia original, intenso, cheio de reviravoltas! E realmente é. A exceção da palavra “original”…

Se você já leu ou ouviu outras resenhas por aí comparando-o com várias sagas de sucesso da atualidade, acredite: a informação procede. A autora tem influências nítidas e palpáveis de “Jogos Vorazes”, “As Crônicas de Gelo e Fogo”, “A Seleção”, “Divergente”… Até “X-Men” não escapa! Consegui encaixar também “Avatar – A Lenda de Aang”, que inspirou o filme “O Último Mestre do Ar”, e “Academia de Vampiros”… O livro é uma verdadeira salada, sim, mas, ao mesmo tempo em que as comparações evidentes existem, não tem como largar a leitura, sabe? É viciante, o que soa bem contraditório!

“É cruel dar esperanças quando não há nenhuma. Geraria apenas frustração, ressentimento e raiva: tudo o que torna a vida ainda mais difícil do que já é.”

Vamos falar primeiro sobre algumas considerações.

O enrendo é promissor, mas, entre tantos elementos, creio que a autora deixou escapar alguns detalhes aqui e ali. Fiquei com muitas dúvidas durante a leitura e, em certas partes, tentava entender e completar com minha própria imaginação às brechas que a história formava, para poder seguir em frente sem ficar frustrada.

Existem algumas passagens em que os eventos acontecem tão rápido que não compreendi como tal coisa foi parar ali ou as descrições acabaram ficando confusas, incapazes de serem reproduzidas pelo meu cérebro com detalhes.

Senti falta de uma solidez nos acontecimentos, nos sentimentos dos personagens, bem como em suas descrições físicas, que gostaria que tivessem sido um pouco mais detalhadas.

“- Para conhecer alguém, você tem que conhecer seus medos.”

O livro é narrado em primeira pessoa, pela Mare. Eis mais uma protagonista que não me cativou em nada… Não consegui ver nela sentimentos reais. É meio difícil entender o que ela está sentindo e, quando pensava que tinha descoberto, ela acabava me jogando mais um bomba e nunca sabia ao certo o que (ou quem) ela queria. Sua personalidade é volúvel demais. No início, temos aquela protagonista badass, que vive “fora da lei” e não se preocupa com isso. Depois, ela acaba ficando mais contida em eventos onde não deveria ficar, e surta em outros, de menores proporções.

Se você está procurando uma distopia com um romance de fazer suspirar, você não vai encontrar. Ao menos não aqui, no primeiro volume. A autora abriu um leque de possibilidades para Mare (sim, ao menos três possibilidades!) e nenhuma delas parece concreta. Como disse, tudo em relação à Mare é confuso. Uma troca de olhares intensa aqui, um beijo ali e, o pior, uma declaração de amor acolá, meio que totalmente inesperada, me deixaram M-U-I-T-O perdida ao tentar compreender de onde haviam saído aqueles sentimentos.

“Ele me segura pelo braço com força, como se temesse que alguém me tirasse dele.”

No entanto, essa questão da construção dos personagens só me deixou intrigada com relação a protagonista. Com o restante dos personagens, pude saber exatamente como eram, o que sentiam e queriam. Eles foram muito bem elaborados, embora, por enquanto, eu ainda não tenha criado laços com nenhum deles.

Apesar dos pontos que citei acima, é impossível largar o livro. Tem algo nele que prende, que te suga mesmo pro interior da história. O motivo é, com certeza, o óbvio: a inspiração para a criação dele veio de elementos de sagas que fizeram o maior sucesso. A junção de todas elas em um único lugar não poderia resultar em algo ruim, concordam?

Ele tem a medida certa entre clichê e reviravolta. Embora, em algumas partes, vocês saiba o que vai acontecer, na hora do acontecimento em si não tem como não ficar com a boca aberta!

“- Não há nada de errado em ser diferente.”

O ponto mais alto, para mim, foram as cenas de ação, que me tiraram o fôlego, e a descrição dos locais, em contrapartida a ausência de descrições de características físicas dos personagens. Aonde Mare vá, há um detalhamento bem legal do ambiente. Consegui montar na minha cabeça todas as nuances do castelo real e fiquei encantada com a riqueza de detalhes, como se eu realmente estivesse lá! Não vejo a hora de encarar tudo isso em uma adaptação cinematográfica (quem, sim, já foi garantida!).

a rainha vermelha livros

Agora vamos falar dos livros físicos! À princípio, se tratava de uma trilogia, porém hoje a série principal possui 4 livros: “A Rainha Vermelha“, “Espada de Vidro“, “A Prisão do Rei” e “Tempestade de Guerra“.

A primeira vez que li foi em versão e-book. Na época, apenas a edição paperback havia sido lançada e garanto que mesmo ela transforma o livro naqueles que te conquistam pela capa. A imagem da coroa em alto relevo é linda, e o fundo, completamente prateado e metalizado. Além disso, vem com um marcador personalizado na orelha para você destacar (se tiver coragem, rs). Um amor mesmo. Dá vontade de admirar por horas! Todas as outras capas seguem o mesmo padrão e são lindíssimas, um dos pontos mais chamativos da série!

a rainha vermelha edição limitada colecionador.jpg

Mas o que é essa edição limitada para colecionar, gente??? O livro é capa dura. Na parte da frente da jacket, só temos o desenho da coroa, no mesmo estilo da edição metalizada, porém de forma estilizada. Na capa do livro sem a jacket temos a coroa novamente e o nome do livro em verniz aplicado. O corte das páginas é vermelho e, ao longo do livro, encontramos ilustrações, feitas apenas em vermelho e preto. O melhor de tudo é que minha edição veio autografada pela autora! É pra morrer de amores! ❤ A editora está de parabéns pelo trabalho tão perfeito! Espero que os próximos volumes sejam lançados no mesmo estilo!

Além disso, também foram lançados dois contos com histórias de “A Rainha Vermelha”! O primeiro se chama “Canção da Rainha” e conta a história da rainha Coriane, primeira esposa do rei Tiberias, pai de Cal. Os acontecimentos desse conto antecedem o primeiro livro. Já o segundo conto se chama “Cicatrizes de Aço“, cujos acontecimentos são referentes ao período antes do segundo livro. Ele conta um pouco da história de Farley, que se rebela contra o governo dos prateados. Essas edições foram lançadas separadamente em e-book, mas uma coletânea especial contendo ambos também foi publicada, intitulada “Coroa Cruel“, que também contêm uma prévia do segundo volume, “Espada de Vidro”.

rainha

Em suma, embora o livro tenha lá seus pontos negativos, eles não são suficientes para tornar a leitura ruim ou desgastante. Pelo contrário. Corremos pelas páginas a procura de mais respostas, mais acontecimentos marcantes e explicações. E, mais ainda, queremos ver romance e torcer por um pretendente favorito!

Quero crer que a autora vai nos recompensar nos próximos volumes, amarrando as pontas soltas que deixaram a história um pouco complicada nesse primeiro livro. Afinal, é uma série, e se todas as respostas fossem dadas agora, não teria graça, não é? Recomendo fortemente para quem adora uma boa distopia! 🙂

NOTA: 5

E vocês, já leram o livro? O que acharam dele? Ficaram ansiosos para a continuação ou vão parar por aqui? E os que não o leram, leriam?

Beijos a todos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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