Resenha: Esposa 22, de Melanie Gideon

“Tenho a sensação de que chegamos a um ponto em que nossas experiências, nossas lembranças – nossa vida inteira, na verdade – não são reais a menos que publiquemos na internet. Será que vamos sentir falta da época em que éramos inacessíveis?”

Oi, oi, gente!

esposa 22 livroQuem nunca foi “atraído à primeira capa” que atire a primeira pedra! Sim, foi a arte fofinha de “Esposa 22“, da Melanie Gideon, publicado pela Editora Intrínseca (2012, 397 páginas), que me chamou atenção algum tempo atrás, quando estava garimpando achados em uma promoção de livros online.

Acabei colocando no carrinho e levando pra casa! Não me arrependi, mas confesso que fiquei dividida…

O livro conta a história do casal Alice e William Buckle, que sempre foram apaixonados um pelo outro. Mas, dois filhos e quase vinte anos depois, Alice está entediada. Por isso, quando recebe um convite por e-mail para participar de uma pesquisa online sobre casamentos, ela aceita num impulso. Respondendo às perguntas enviadas por um pesquisador anônimo e carismático (Pesquisador 101), Alice (Esposa 22) tem a oportunidade de reexaminar a história do próprio relacionamento. Mas as consequências dessa pesquisa para sua vida amorosa?

“Esperar é uma arte em extinção. O mundo agora anda numa velocidade de fração de segundos, e eu, por acaso, acho isso uma pena, pois parece que perdemos os prazeres mais profundos de partir e voltar”.

O que achei:

 Essa foi uma das raras chick-lits que li com uma personagem madura e um universo ao qual não estou acostumada. Alice, de 44 anos, é casada com William há 20 anos. O início do relacionamento deles foi como todos os outros: cheio de suspiros, corações palpitantes, emoção. No entanto, duas décadas depois, Alice sente que o relacionamento esfriou e que William não é mais o mesmo.

Um dia, ela recebe um e-mail pra participar de uma pesquisa sobre casamentos e, escondida de William, ela aceita a proposta, passando a se corresponder com o Pesquisador101, responsável por avaliá-la.

As perguntas, cada vez mais pessoais, fazem com que Alice se revele pouco a pouco ao Pesquisador101, até que os dois começam a se envolver além da pesquisa, compartilhando sentimentos e inseguranças de suas vidas “reais”.

Alice é mãe de dois adolescentes: Zoe, uma menina insuportável de 15 anos (alguém mais a detestou?!), a qual Alice pensa ter um distúrbio alimentar, e Peter, de 13 anos, o qual Alice pensa ser homossexual. Achei Peter super agradável e muito divertido. Adorei as cenas em que ele aparecia e fazia às vezes do melhor amigo de Alice.

“(…) o que não precisa ser explicado nem dito, é que ninguém vai nos amar como nossas mães nos amaram. Sim, somos e seremos amadas, por nossos pais, amigos, irmãos, tios e avós e cônjuges – e nossos filhos, se optamos por tê-los -, mas nunca experimentaremos aquele tipo de amor materno incondicional, do tipo “nada que você fizer vai me afastar de você”.

O livro é leve, muito fácil e gostoso de ler. Alice, apesar dos 44 anos, se revelou, pra mim, como uma personagem muito mais nova. Espirituosa, espevitada, descontraída, ela me cativou e me divertiu bastante.

Por muitas vezes fiquei chateada com William durante a leitura, por ele não perceber os sentimentos dela nem se importar com o que ela estava passando, ou por não estar perto sempre que preciso – e, principalmente, pela situação constrangedora que acontece no início do livro. Ele parecia um personagem completamente alheio, como um vulto que vai e volta, sem interagir com a família. Não me surpreende que Alice tenha ficado entediada com sua vida conjugal.

Os elementos modernos e tecnológicos da história surgem aqui e ali, quando nos são reveladas as buscas que Alice faz no Google e o compartilhamento de status no Facebook. Aliás, essa é uma das coisas interessantes de se refletir no livro. Como a nossa vida virtual influencia na forma como as outras pessoas nos veem, e como nós deixamos com que isso mine nossa imaginação com bobagens (vide as postagens enigmáticas de William na timeline dele que deixavam Alice neurótica).

Os diálogos de Alice com o Pesquisador101 são muitos lindos e intensos, embora fique no ar aquele quê de culpa por ela se confidenciar com outro homem que não seja seu marido. As respostas dela ao questionário nos permitem vivenciar, também, como ela e William se conheceram, e comparar presente e passado – como as pessoas amadurecem e mudam com o tempo…

“(…) Mas eu lhe fiz uma promessa há muito tempo que, por mais que você se afastasse, por mais que você saísse da trilha, eu iria atrás de você, eu a encontraria e a levaria de volta para casa”.

Fiquei dividida com a leitura porque achei o final um pouco estranho. Não sei como eu reagiria no lugar de Alice. Decepcionada? Chateada? Enganada? Extasiada? Além disso, acredito que o livro seja muito mais indicado para pessoas com estado civil semelhante ao de Alice, ou relacionamentos muito duradouros. Uma pessoa mais nova, que ainda não tenha passado por isso, não saberá interpretar corretamente os sentimentos e angústias da personagem.

No mais, achei que fosse “só” uma chick-lit gostosa de ler, pra passar o tempo e me divertir. Mas é muito mais do que isso! Existem temáticas muito reflexivas sobre a presença constante da tecnologia na nossa vida, o perdão, a aceitação da homossexualidade, a importância dos pais estarem atentos à vida dos filhos e, principalmente, como os casais têm que tomar cuidado pra não deixarem o relacionamento cair na rotina com o tempo, e como é importante demonstrarmos nossos sentimentos sempre.

Pra encerrar, fica uma dica: no final do livro, há a lista das questões que Alice responde ao longo da pesquisa, e que NÃO aparecem durante a leitura. Assim, não dá pra entender quase nada das respostas dela. Infelizmente eu só soube disso quando terminei de ler, rs! Acredito que, acompanhando a questão com a resposta, fique muito mais interessante e explicativo do que tentar entender do que ela estava falando em determinada questão.

NOTA: 3

Vocês já leram esse livro? O que acharam dele?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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