Resenha: Nada, de Janne Teller

“- Vocês vão à escola para ter um emprego e trabalhar para ter tempo de não fazer nada. Por que, então, não fazer nada desde o início?”

Oi, oi, gente!

Nada“, da autora Janne Teller, publicado no Brasil pela Editora Record (2013, 128 páginas), foi um dos livros mais controversos que li ano passado. Isso porque várias pessoas me disseram que a história era forte, impactante e que você tinha que ter certo estômago pra chegar ao final, embora o livro seja curto. A expectativa era alta e imaginei que fosse desistir – vocês sabem como sou frouxa, rs -, mas acabou que minha experiência foi exatamente o contrário.

O livro conta a história de Pierre Anthon, garoto que está no sétimo ano da escola e tem a certeza, em um insight, de que nada importa na vida. Assim, ele passa os dias sobre os galhos de uma ameixeira, tentando convencer seus colegas de classe a pensar do mesmo jeito que ele: que nada faz sentido na nossa existência. Os outros tentam convencê-lo a descer da árvore, com a justificativa de que existe, sim, coisas no mundo pelas quais devemos nos importar. Diante da recusa de Pierre, seus colegas decidem fazer uma pilha de objetos que possuam um enorme significado para eles – que eles denominam Pilha de Significados -, esperando, assim, persuadi-lo de que está errado. Mas, aos poucos, a pilha se torna um monumento mórbido, colocando em xeque a fé e a inocência da juventude.

“Nada importa.

Disso eu já sei faz muito tempo.

Então não vale a pena fazer nada.

Acabo de descobrir isso.”

O que achei:

O livro é narrado por uma das colegas de classe de Pierre, a Agnes. Ela relata desde o dia em que Pierre largou a escola no meio da aula para subir na ameixeira, sem se importar com mais nada, e a saga da turma para tentar fazê-lo descer e entender o significado da vida e todas as coisas.

livro nada jane teller

A ideia do livro é muito interessante, mas, a princípio, quando terminei de ler, bem… Não senti NADA (perdoem-me pelo trocadilho). A narrativa não me envolveu e não me fez sentir qualquer empatia pelos personagens. Não me conectei com o livro, achei o final previsível e não torci por ninguém. Mais ainda, ele não me incomodou, e isso me deixou bem decepcionada, visto que a missão dele era essa.

Antes de mais nada, engana-se quem pensa que se trata de um romance, principalmente pela capa, que não tem NADA a ver com o livro (vou fazer trocadilhos com essa palavra durante toda a resenha, rs). Não existe nada minimamente romântico no enredo. Nem a aparente idade desses modelos bate com a das crianças que protagonizam o livro. Ou seja: se for cair na leitura, não se prenda a nenhum detalhe para que você não seja enganado.

Depois de muito pensar e trocar ideias com amigos – sim, fiquei semanas remoendo o que poderia tirar de conclusão dele, pois odeio ler por ler e não conseguir filtrar nada -, acabei criando algumas teorias sobre o livro que achei interessante compartilhar com vocês.

Acredito que a intenção da autora foi nos mostrar o quanto nós podemos nos transformar quando alguém ataca algo no qual nós acreditamos. Ainda, no quanto podemos nos tornar uma ameaça quando falamos a verdade. A nossa sociedade é muito hipócrita, inconstante e egoísta. Um comportamento que ameace nosso sistema, nossas crenças e nossa rotina só pode ser visto como ameaça. Se você for parar para pensar, a reação das crianças de tentar convencer o garoto de que o que elas pensam é a verdade absoluta é exatamente a forma como todos reagem nos dias de hoje. E, se você não concorda, é automaticamente tratado com ira.

A pilha de significados representa diversos tabus da nossa sociedade: a família, a religião, a sexualidade, os dons… Todas essas coisas, que são extremamente significativas para nós, se tornam o estopim para uma guerra pessoal quando são ridicularizadas ou ameaçadas, causando raiva, inveja, falta de piedade, apatia…

“Você começa a morrer no instante em que nasce. E isso vale para tudo.”

Os questionamentos do Pierre foram minhas partes favoritas do livro – o único ponto alto que encontrei na leitura – porque são muito verdadeiros. Nós nascemos em um mundo de convenções predeterminadas, as quais seguimos cegamente. Mas o que aconteceria se, de uma hora para outra, nós parássemos de alimentar o sistema? O resultado inevitável é que os poucos incomodados com as coisas do jeito que são seriam vítimas do histerismo coletivo.

Embora essas reflexões sejam válidas e nos levem a questionar nosso real papel no mundo e a fazer uma avaliação de consciência, ainda assim o livro não foi capaz de me fazer apaixonar. A escrita é fluída, apesar de não a ter achado cativante, e o livro é bem curto, o que garante uma leitura rápida. Mesmo que minha avaliação não seja positiva, recomendo que você leia, pois é interessante ver o que cada um pode retirar de lição dessas 128 páginas!

Ah, se você tem estômago fraco, vá com calma! Próximo ao fim, acontecimentos angustiantes aparecem. Por incrível que pareça, consegui passar tranquila por eles, mas não custa avisar.

NOTA: 2

E vocês, já leram esse livro? Qual a opinião de vocês e o que acharam de todas as filosofias sobre os significados?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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