Resenha: DUFF, de Kody Keplinger

“Wesley era a prova viva de que a beleza é uma característica superficial, então por que suas palavras me afetaram tanto? Eu era inteligente. Era uma pessoa bacana. Então, por que me importar se alguém me considerava uma Duff?”

Oi, oi, gente!

DUFF“, da autora Kody Keplinger, publicado pela Editora Globo Alt (2016, 328 páginas), foi minha oitava leitura desse ano e vim contar para vocês o que achei.

duff livro

Em um grupo de amigas, a DUFF – sigla para Designated Ugly Fat Friend – é aquela que não se destaca, a menos atraente da turma. Ela não se enquadra nos padrões de beleza tradicionais, ou se preocupa menos com o visual, mas nem por isso deixa de ter seus encantos. Bianca Piper é esse tipo de garota. E estava muito bem, até que Wesley Rush, o pegador da escola, veio puxar conversa dizendo que ser legal com a DUFF o ajudaria a se dar bem com suas amigas Casey e Jessica. A partir de então, Bianca começa a se questionar: ela seria a amiga feia?

As vantagens e as desvantagens de ser uma DUFF, o que leva alguém a pensar que é uma e outras dúvidas começam a ocupar os pensamentos de Bianca e só não dominam sua cabeça porque ela tem problemas maiores. O casamento de seus pais não vai bem e no dia em que ela descobre que eles estão se divorciando, decide sair com suas amigas para esquecer. Enquanto Casey e Jess se divertem, Bianca encontra Wesley e, num impulso, o beija.

Os dois começam uma espécie de inimizade colorida. Bianca acha Wesley um galinha, que se aproveita da beleza e do dinheiro para ficar com o maior número de meninas possível, mas, no fundo, sente-se atraída por ele. Wesley é um cara amigável e não perde uma oportunidade de ficar com ela, ainda que continue chamando Bianca de DUFF. Com a convivência, os dois descobrem que as aparências enganam.

“Não importa aonde você vá ou o que você faz para se distrair, a realidade alcança você.”

O que achei:

Resolvi ler “DUFF” pois havia assistido ao filme de mesmo nome na Netflix e achado super engraçado, mesmo sendo um grande clichê adolescente. O adorei e, em um momento de saudade dos personagens, quis reencontrá-los na leitura. As semelhanças entre livro e filme, portanto, param por aí, pois o enredo dos dois é completamente diferente e, sinto dizer, o livro foi uma grande decepção para mim.

A leitura começa até divertida, com todo o clima escolar teen, leve e descontraído. Porém, depois de um tempo, a história acaba se tornando um grande drama. A vida familiar de Bianca é um desastre, pois a mãe praticamente abandonou a família e seu pai é alcoólatra. Devido essas questões, juntamente com a mágoa que ela começa a sentir por toda a história envolvendo a sigla DUFF, a garota acaba se afundando em um mar de problemas.

duff poster filme

Fora o drama familiar, o único pertinente ao meu ver, Bianca também passa por maus bocados na relação com suas amigas, que desmorona a cada dia, e até com um namorado em potencial que surge ao longo do livro. Porém, grande parte desses problemas são causados por ela mesma, que se enrola em diversas mentiras, enganando pessoas que a amam e se preocupam verdadeiramente com ela, criando casos que não fazem sentido. Ao invés do livro me apresentar uma protagonista independente, cínica e descolada como promete, conheci uma Bianca irritante, egoísta e infinitamente chata.

Outro ponto que achei bastante negativo é que, a princípio, a relação entre a Bianca e Wesley é de implicância mútua, embora ela sinta atração por ele e negue veementemente (outra coisa que a gente ODEIA nessas mocinhas que posam de super resolvidas mas não dão o braço a torcer). Depois que os dois se beijam, porém, começam um jogo perigoso onde ela usa do sexo casual com ele para se esquecer de seus problemas. Como o livro é YA e seu público, portanto, é jovem (afinal Bianca tem apenas 17 anos), não achei uma jogada interessante da autora e isso me incomodou bastante. Sempre, sempre fico preocupada quando vejo o sexo sendo trabalhado com tanto descaso em livros adolescentes.

O ponto alto de “DUFF” é tratar aquela questão da competição entre mulheres e a importância dada às aparências, além da autoaceitação. Mas o amadurecimento da protagonista não me convenceu. A leitura toda foi sem sal e nem Wesley, que acaba se mostrado um dos personagens mais sensatos, conseguiu me fazer apaixonar. O conteúdo é, também, bem machista, e o slut-shaming (depreciação das mulheres por seu comportamento sexual), praticado pelas próprias garotas umas com as outras, é tão presente que fiquei com um gostinho amargo durante toda a leitura.

Por fim, se recomendo? Sim, afinal a experiência de leitura não é a mesma para cada leitor. Mas prefiro mil vezes a química do casal, a leveza e a descontração do filme, com aquela pitadinha de vergonha alheia que a gente adora nas comédias teens.

NOTA: 2

Mas e vocês, qual versão de “DUFF” preferem: o livro ou o filme?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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