Resenha: Montanha da Lua, de Mari Scotti

“O medo é um dos sentimentos mais importantes que conheço, assim como o amor. Ambos possuem o poder de guiar um ser humano, levando-nos a atitudes que jamais seguiríamos em um estado normal.”

Olá, pessoal! Hoje é dia de repostar mais uma resenha aqui no blog! ❤

Desde que fiz o download do aplicativo Kindle para o celular, vez ou outra baixo algum livro gratuito para lá e acabo lendo quando não tenho nenhum livro físico nem o Kobo por perto. Um tempo atrás, vi que “Montanha da Lua“, da autora nacional Mari Scotti (publicado e vendido pela Amazon, 2015, 303 páginas), estava em promoção. Fiquei tão encantada pela capa, que é tão bonita, que acabei fazendo o download e comecei a ler quase que imediatamente. Até então não fazia ideia alguma do que iria encontrar, porque não cheguei a ler sobre o que era. E minha experiência com esse livro não poderia ter sido melhor!

“Quem quer fazer feliz não avisa… apenas faz. Então eu tentaria, nem que fosse meu último triunfo em vida. O faria feliz.”

livro montanha da lua mari scotti

Ele conta a história do Octávio, Duque de Bousquet: um homem marcado pela tragédia. Há gerações, os homens de sua família relatam a maldição que toda a linhagem sofre caso ousem se casar por amor: a morte vem buscar as mulheres que amam. Assim, eles procuram apenas casarem-se por interesse, com o objetivo de terem um herdeiro e nada mais, sem qualquer tipo de sentimento envolvido.

Mas o amor sempre vence e, com ele, o destino da maldição sempre é cumprido. Aconteceu com o pai de Octávio, que viu a mulher enlouquecer, e com ele próprio. Sua primeira mulher, Natasha, ao não conseguir lhe dar um herdeiro, ceifou a própria vida. No intuito de manter a pessoa que ama longe desse destino cruel, a única coisa a se fazer é manter-se afastado e, consequentemente, infeliz.

Porém, em uma situação delicada, ele encontra Mical: uma bela dama conhecida por ser a solteirona do lugar. Incapaz de se casar apenas por interesse, ela já aceitou a sua condição de nunca ter marido e, o pior, filhos, apesar de tornar-se mãe ser seu grande sonho. Afinal, naquela época, quem casaria com uma mulher de 30 anos?!

“Fixei minha atenção nela, soprando o ar para expulsar a agonia de minha voz. Não sabia o que lhe falar. Nem ao menos se deveria me preocupar tanto. Precisava advertir-me que se eu não a amasse, ela permaneceria a salvo.”

O que achei:

É quase impossível falar sobre tudo o que gostaria sem dar grandes spoilers, mas vou me controlar ao máximo. Pra começar: que mulher é essa?! Mical entrou na minha lista de protagonistas preferidas! ❤ Contrariando toda a sociedade da época e sua própria família, ela decide que só vai se casar se for por amor. E, mesmo no caso de isso não acontecer, ela é firme e decidida no seu propósito. Amo protagonistas fortes e, ao longo do livro, ela me encantou muito com todas as suas demonstrações de força e coragem.

“Por que o proibido sempre retorna para atormentar aqueles que se empenham em resisti-lo?”

A princípio, confesso que não senti muito a química entre os personagens, mas ela foi completamente dissipada tão logo eles começaram a interagir. O romance, aqui, é daqueles fortes e únicos, e até as partes mais quentes são cheias de paixão. Não estão ali apenas por estar, pelo contrário.

Foi um dos poucos livros que li que o ato de fazer amor é representado literalmente dessa forma: um verdadeiro ato de desejar tanto o próximo que beira a posse. O leitor é envolvido nesse clima sem ficar “constrangido” com o que está lendo, mas sim torcendo pelo casal em todos os momentos.

“– Eu desejaria dar-lhe um filho. – Ele sussurrou tão baixo que as palavras demoraram a fazer sentido. Olhei-o de soslaio e havia tanta seriedade em seu rosto, que soube não estar brincando.

– Eu, no entanto, não lhe daria um casamento sem amor – retruquei.”

Octávio me deixou bastante dividida… Ele é um personagem ex-tre-ma-men-te medroso e tudo o que sabe fazer é fugir. No entanto, entendo seus motivos: se você soubesse que seu amor poderia matar a pessoa que quer ter, você não a deixaria ir? O que ele pensa é “melhor não tê-la e ser infeliz do que tê-la por pouco tempo, ser extremamente feliz e, em seguida, perdê-la”.

Mas, nesse processo entre ignorar a maldição e dar uma chance a felicidade ou viver para sempre longe do amor, Octávio magoa todo mundo, inclusive (e principalmente) Mical. Os sentimentos de abandono e tristeza são tão reais, tão bem representados, que fiquei angustiada durante esses trechos da leitura, como se o meu próprio coração tivesse sido quebrado.

“- Não pode viver a sua vida com medo. A morte é algo inevitável com maldição ou não! Eu poderia morrer agora mesmo ou você. Assim é a vida. E privar-se da felicidade por medo é a pior maneira de vivê-la.”

Gostei muito do desenrolar da história, sem pontas soltas e com uma evolução muito grande, tanto de amadurecimento não só dos protagonistas, mas dos personagens secundários também, como do enredo de forma geral.

O livro tem muitos elementos gostosos que amo, e o primeiro deles é a narração em primeira pessoa, que me faz sentir próxima dos personagens e mergulhar de cabeça na história. A maior parte da narração é feita pelos olhos de Mical, mas também temos capítulos com a visão de Octávio, e isso é um ponto super positivo: nos momentos em que sentimos vontade de matá-lo, sabemos o motivo de ele ter agido de tal forma, rs.

“O mais importante não é a forma que a vida se apresenta, mas como a aceitamos.”

Além disso, alguns poucos capítulos são narrados por personagens secundários. O que mais me emocionou é contado pela tia de Mical, Antonieta. Ela é uma mulher bastante fria e não consegue demonstrar sentimentos calorosos, nem para a sobrinha, nem para seu próprio marido.

Nesse capítulo, ela fala sobre o motivo de ser desse jeito e, garanto: é bastante forte e sentimental, além de virar nosso entendimento da história de cabeça pra baixo! Em um outro capítulo, vemos os acontecimentos pela visão de Anthony, criado e melhor amigo de Octávio. Adorei essa relação tão bacana entre os burgueses e os empregados.

“Qual sentido o universo possuía em permitir que um coração acostumado à solidão, provasse do amor para simplesmente tirá-lo sem a menor piedade?”

Em resumo, recomendo bastante pra quem ama romances de época. O ponto alto aqui é ver um trabalho de qualidade desenvolvido por uma autora nacional. Sim, esse privilégio não é só das autoras estrangeiras, meu povo! Tanto que “Montanha da Lua” tem notas altíssimas tanto na Amazon quanto no Skoob. Se tornou um favoritado! Quero muito que outras pessoas possam conhecer essa história linda da Mari Scotti! ❤

Se vocês ficaram interessados, a boa notícia é que a Coleção Família Hallinson já conta com três volumes, todos disponíveis em e-book pela Amazon! O segundo livro da série se chama “A Noiva Devota” e o terceiro “Enganando o Futuro Duque“. Não vejo a hora de lê-los!

NOTA: 4

Curtiram o livro? Leriam? Faz o estilo de vocês? Se já leram, o que acharam?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

2 thoughts

  1. Oie!
    Ah é tão legal essa surpresa com livros que não sabemos nadinha.
    Eu gosto um pouco disso nas caixinhas surpresas.

    Já disse que adoro saber de citações que marcam as pessoas né?
    Esse parece recheado deles. rsrs

    Adorei!
    Bjinsss

    Gostar

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