Resenha: A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista, de Jennifer E. Smith

“Neste instante, só deseja que as coisas fossem diferentes. Não da maneira como vem desejando há meses; não é um desejo amargo, meio ruim, mas o tipo de desejo que você faz de todo o coração. Ela não sabia que era possível sentir saudade de uma pessoa que está na sua frente, mas é: sente tanta falta dele que fica sem reação”.

Oi, oi, gente!

A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”, de Jennifer E. Smith, publicado pela Editora Galera Record (2013, 223 páginas), foi um dos lançamentos mais esperados de 2013 e vi por aí inúmeras resenhas falando super bem do livro, o quanto ele é fofo e tudo o mais. Acabei furando a fila na época e o lendo logo, até porque eu já estava bastante curiosa, rs.

O livro conta a história da Hadley, uma jovem que fica presa no aeroporto em Nova York, esperando outro voo depois de perder o seu. É então que ela conhece Oliver, um britânico fofo, que se senta a seu lado na viagem para Londres. Enquanto conversam sobre tudo, eles provam que o tempo é, sim, muito, muito relativo. Passada em apenas 24 horas, a história de Oliver e Hadley mostra que o amor, diferentemente das bagagens, jamais se extravia.

A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista livro

O que achei:

Confesso que o livro ficou um pouco abaixo da minha expectativa (o que não significa que eu tenha odiado ele, nem que ele seja ruim), porque estava esperando algo totalmente diferente, talvez por culpa do título. Ainda assim, consegui tirar um bom proveito da história de Hadley e da leitura. O livro é bem curtinho e o li em uma tarde.

Bom, o fato é que, pela sinopse e pela fofíssima capa <3, além do título super criativo, estava esperando uma trama centrada, obviamente, nos personagens principais: Hadley e Oliver. Só que não é bem assim. Na verdade, achei que o livro fala bem mais sobre valores familiares, separação, perda e superação do que do amor à primeira vista propriamente dito.

Explicando-me: a Hadley é filha única de pais separados. No início do livro, ela está no aeroporto, indo contrariada para Londres, para o casamento do pai com uma mulher que ela não conhece. Assim, logo de cara, conhecemos uma personagem triste, amargurada, saudosa, revoltada. Por míseros quatro minutos de atraso, ela acaba perdendo o voo e tem que passar mais um tempinho no aeroporto aguardando por outro. Aí ela conhece Oliver, que se oferece, em certo momento, para ajudá-la com a bagagem e que, por coincidência (oh!) estará no próximo voo que ela vai pegar e, melhor ainda, na mesma fileira de cadeiras que ela.

A atração e a afinidade entre eles é instantânea e os dois passam a fazer companhia um ao outro. Durante as sete horas de voo que têm pela frente, Hadley e Oliver conversam sobre diversas coisas, inclusive sobre a família e sobre o que estão indo fazer em Londres.

Então, descobrimos o que há por trás da tristeza de Hadley: ela e os pais moravam juntos e felizes quando o pai recebeu uma proposta de emprego para dar aulas em Londres. Apoiado pela esposa, ele aceita o convite. É aí que ele conhece Charlotte, se apaixona por ela e decide se separar da esposa. “Simples” assim.

A amargura de Hadley por ele é grande porque ela não entende o motivo de ele ter deixado as duas, principalmente porque os dois tinham uma relação muito linda. Os flashbacks dos momentos em família são de cortar o coração… A “revolta” dela é plenamente compreensível. Não sou filha de pais separados, mas tenho certeza que, se eu passasse por algo semelhante, ficaria tão revoltada quanto. Minha atenção recaiu na mãe de Hadley e na tristeza que ela sentiu por dias após ter sido deixada pelo marido, sentimento esse que transbordou do livro e me deixou com o coração apertado.

Vi muitas resenhas falando mal da personagem por conta da personalidade dela, como se os problemas dela fossem os maiores do mundo e nada mais importasse. Bem, mas não é assim mesmo? Quando estamos ruins, não parece que o nosso mundo vai acabar? Achei a crítica meio infundada…

Até porque, durante a história, Hadley percebe que existem formas muito piores de se perder alguém e ela mesma se dá conta disso. Amadurece em apenas 24 horas e creio que é essa a lição que o livro quer dar. Acontece que a vida continua e a gente deve seguir em frente. E continuou não só para o pai dela como para a mãe, que encontrou outra pessoa para fazê-la feliz. Faltava a Hadley seguir em frente também. E acredito que o Oliver, com o jeitão positivo e risonho de ser, representou para ela esse novo começo. Foi através da vivência com ele que ela percebeu que estava errada em não dar uma chance ao pai e a nova esposa, em não aceitar que ela e os pais poderiam ser felizes novamente, mesmo que separados.

Em suma, gostei do livro por isso, por ter achado a história dos pais dela algo forte e até ter derramado uma ou outra lágrima, mas confesso que estava procurando nele uma diversão, algo pelo qual eu me apaixonaria completamente e não foi bem assim. Senti que a história, na verdade, tinha mais a ver com Hadley e o pai do que com ela e sua relação com Oliver. Também não gostei muito da narração. Acho que, se fosse em primeira pessoa, seria mais interessante.

Não consegui sentir toda a essência do Oliver, mas é fato que ele é, sim, fofo, prestativo, otimista, muitíssimo engraçado e até mesmo real. As teorias que ele inventa são super divertidas! Já a Hadley é implicante e orgulhosa, mas a entendi. Não cai de amores por ela, mas também não a julgo. Eu mesma já fui como ela por um tempo, rs.

O livro tem muitas quotes bonitas e as melhores são aquelas extraídas do livro “Our Mutual Friend”, de Charles Dickens, que fiquei extremamente curiosa para conhecer! Acabei esquecendo de marcar todas as que me chamaram a atenção (e não foram poucas), mas esta aqui me cativou, por ter tudo a ver com o livro e acho que com a vida de qualquer um que tem a felicidade de encontrar alguém que o entenda e possa deixar o peito um pouco mais leve:

“’É de muita utilidade neste mundo’, diz a citação, ‘aquele que torna mais leves os sofrimentos do outro’”

Quanto ao título do livro, que achei demais – e um dos maiores que já vi, sem dúvida –, a explicação não poderia ser mais engraçada. Lógico que ela deveria surgir do Oliver, então deixo para que vocês descubram lendo! 😉

NOTA: 3

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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