Resenha: Perdendo-me, de Cora Carmack

“As coisas que saiam da minha boca como resposta eram quase sempre constrangedoras, mas às vezes… elas funcionavam. Às vezes, dizer a primeira coisa que vinha a mente corria bem. Às vezes, simples e honesto funcionava melhor. Eu esperava que esse fosse um desses momentos”. 

Conheci “Losing It“, da autora Cora Carmack, através de uma prima, e ele marcou três novas fases de leitura na minha vida, rs. Não me recordo ao certo onde vimos a sinopse, mas pareceu super engraçado. Fiquei louca para lê-lo, mas não encontrava em nenhuma livraria online. E mais: não o encontrava em português.

Foi então que, pesquisando, descobri que, no período em que o li, ele ainda não havia sido lançado no Brasil. Na verdade, a autora o publicou de forma independente e, só depois de um tempo, ele teve seus direitos adquiridos pela editora americana Harper Collins. Restava apenas uma opção: ler o tal e-book, que eu tanto temia. Não é a mesma sensação de ter o maravilhoso livro de papel na mão, com cheirinho de novo, mas enfim… Não tinha outra opção! Terminei todo o livro e adorei. Além disso, o li em inglês. Fazia muito tempo que não praticava minha leitura nessa língua. Por fim, também foi o primeiro livro que li do gênero new adult. Ufa!

Atualmente, já temos a publicação dele no Brasil, tanto físico quanto em e-book, pela Editora Novo Conceito (2014, 288 páginas). Ele conta a história da Bliss Edwards, que está quase para se graduar na faculdade e ainda é virgem. Cansada de ser a única nessa situação em seu grupo de amigos, ela decide que a melhor maneira de lidar com o problema é perdê-la o mais rápido e simples possível, ou seja, através de um caso de uma noite.

Mas seus planos tornam-se tudo, menos simples, quando ela se apavora e deixa um cara maravilhoso, sozinho e nu em sua cama, com uma desculpa que ninguém com meio cérebro jamais acreditaria. E, como se isso não fosse constrangedor o suficiente, quando ela chega para sua primeira aula do último semestre da faculdade, reconhece seu novo professor de teatro: sim, em uma grande coincidência do destino, Bliss o havia deixado nu em sua cama oito horas antes.

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O que achei:

A sinopse, por si só, já dá aquele gostinho de história constrangedora e engraçada. Nesse quesito, o livro não me decepcionou em nada! A trama é super leve e divertida. Os personagens são muito, muito, muito bem construídos.

Simplesmente amei a protagonista, Bliss. Apesar de, na maioria das histórias, retratarem as virgens como tímidas e românticas, a Bliss foge completamente desse perfil. Ela é super decidida, independente (mora sozinha em um apartamento próprio), inteligente, carismática e engraçada, além de super desengonçada, o que garante as risadas ao longo do livro.

A virgindade de Bliss não é algo que a atrapalha. Na verdade, além de não ter encontrado a pessoa certa para isso, ela é bastante controladora com relação a vida que leva. É centrada nos estudos e preocupada com o futuro, então dificilmente age por impulso. Ser virgem não seria um problema para ela se a amiga, Kelsey, não a perturbasse tanto com isso e se a mãe dela não perguntasse a todo momento se ela já arrumou um namorado.

É então que Kelsey tem a brilhante ideia de levar Bliss a um barzinho, escolher um cara aleatório e passar apenas uma noite com ele, a fim de mudar de vez esse status. Depois de algumas tequilas e alguns alvos encontrados, Bliss se depara com um rapaz lendo Shakespeare em uma mesa do bar (sim, isso mesmo, Shakespeare… No bar!). É então que conhece Garrick, um belo rapaz com sotaque britânico, que mexe com a cabeça de Bliss e a faz, pela primeira vez na vida, perder o controle da situação. E, sim, ele é o cara da sinopse.

Garrick é um personagem muito encantador. Ele é uma mistura de personalidades e isso o torna quase perfeito (malditas escritoras que criam esses homens incríveis e imaginários!). Além de ter o famoso sotaque britânico que deixa qualquer mulher maluca, ele gosta de poesia e é, ao mesmo tempo, sensual e romântico, protetor e ciumento. A escritora não o limitou em uma essência só e isso contribuiu para deixá-lo maravilhoso. Já Kelsey é aquele tipo de amiga extravagante, intrometida e que não aceita nãos: completamente irritante em alguns momentos, mas extremamente fiel em outros. O jeito dela é bem peculiar e ela pareceu bastante real.

O livro retrata alguns assuntos bem interessantes, como amizade entre homens e mulheres, último ano de faculdade e burradas que todo jovem faz, se arrepende depois, mas, ao menos, tem histórias para contar.

Apesar da capa ter a imagem de dois personagens que, obviamente, devem remeter à Bliss e ao Garrick, não acredito que eles se pareçam com as pessoas da imagem, não só pelas descrições deles ao longo do livro, mas porque acabei os criando na minha cabeça de forma diferente. “Losing It” daria um filme muito engraçado, especialmente se a Bliss fosse interpretada pela Emma Stone e a Kelsey pela Alyson Michalka (ambas do filme “A Mentira”). O ator Gabriel Mann daria um Garrick perfeito! Sim, fui longe demais ao comparar atores com os personagens, rs.

Atualmente, a série conta com três livros, todos publicados no Brasil, com tramas independentes (isso significa que você não precisa ler tudo na sequência, pois os protagonistas são diferentes). O segundo volume se chama “Fingindo” e conta a história de Cade, amigo de Bliss, com Max, no estilo “Namorada de Aluguel”, mas às avessas. Já o terceiro livro, intitulado “Encontrando-me“, fala sobre o romance de Kelsey e Hunt, onde, juntos, viajam pelo continente descobrindo (ou não) mais um sobre o outro.

A série também conta com outros três livros intermediários, com contos extras da vida dos personagens e que, por enquanto, só estão disponíveis em inglês. Entre o volume 1 e 2, temos “Keeping Her“, onde Bliss conhece os pais de Garrick. Entre os livros 2 e 3, temos um conto sobre a vida do mesmo casal, chamado “Inking Him“. E, por fim, temos a versão do livro 3 na visão do Hunt, com o título “Seeking Her“.

Como disse, li esse primeiro volume em inglês e recomendo bastante para quem está começando a se aventurar em livros nessa língua estrangeira, pois a linguagem é simples e de fácil compreensão. Inclusive, vi muitas pessoas que não curtiram o livro aqui no Brasil e estou querendo crer, do fundo do coração, que algo se perdeu na tradução, rs.

NOTA: 4

No geral, não é um daqueles livros onde você vai extrair uma grande lição de moral! O final é bem previsível, nada muito excepcional. Mas é ótimo para passar o tempo, se divertir e se apaixonar pelos personagens, se você está procurando uma leitura rápida, suave e engraçada. Recomendadíssimo!

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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