Resenha: Soul Love – À Noite o Céu é Perfeito!, de Lynda Waterhouse

“Essas é uma das coisas que as pessoas não nos ensinam quando falam de crescer: como lidar com as dores que não passam com um beijo.”

Oi, gente!

“Soul Love – À Noite o Céu é Perfeito!”, da autora Lynda Waterhouse, publicado pela Editora Melhoramentos (2010, 208 páginas), foi um dos livros que mais desejei na vida e o li no ano passado! Sério, acho que esse livro estava na minha wishlist há uns 3 anos ou mais! Ele foi indicado por uma prima minha e eu simplesmente fiquei perseguindo ele desde então, pois me encantei com a sinopse, mas sempre estava muito caro e o valor não compensava pela pequena quantidade de páginas (normalmente estava acima dos R$60,00! Pois então!).

Até que em um belo dia o encontrei no Skoob Plus por apenas um crédito e não pensei duas vezes. Pedi. Como minha expectativa era alta, deixei passar um tempinho antes de lê-lo, mas confesso desde já que não foi o suficiente…

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O livro conta a história de Jenna, uma adolescente que foi expulsa do colégio por um motivo que não quer revelar. Mais ainda, ela não quer trair os melhores amigos Mia (uma riquinha que não suporta ser contrariada) e Jackson (meio que um ex-namorado de Jenna) e, por isso, decide não revelar o que aconteceu e assume toda a culpa sozinha.

A mãe dela, extremamente desapontada, resolve castigá-la mandando-a pra uma tediosa cidadezinha do interior, pra passar um tempo indeterminado morando com sua tia Sarah.

Lá, Jenna encontra Gabriel, ou melhor, Gabe, um rapaz autêntico, melancólico e reservado, completamente diferente de todas as outras pessoas que ela conhece. Não só o jeito misterioso quanto o corpo incrível do rapaz tornam as coisas inevitáveis: Jenna logo se apaixona por ele.

Em meio aos encontros dos dois, Gabe mostra a ela a beleza das pequenas coisas, como o céu noturno sem nuvens, escuro, em contraste perfeito para o brilho das estrelas. Em meio a livros, música, poesia e noites estreladas, o sentimento entre eles se torna cada vez mais forte.

Mas Jenna vê o relacionamento ameaçado por Cleo, uma garota antipática que começa a hostilizar Jenna e que tem uma ligação muito estranha com Gabe. Mesmo sem entender, Jenna sabe que os dois escondem um grande segredo, assim como ela. Resta saber quem contará primeiro – e se eles vão acabar se machucando com isso.

O que achei:

Estou me sentindo a “megera dos livros” ultimamente, pois muitas das minhas experiências literárias têm sido negativas. Infelizmente “Soul Love” foi uma grande decepção, considerando minha expectativa sobre ele. No entanto, existem alguns pontos positivos bem interessantes, e vou começar a falar deles antes de pontuar o que não gostei no livro.

Um dos pontos fortes e uma das poucas coisas que mais gostei foi a construção dos personagens. Nesse ponto a autora não pecou. Todos têm uma personalidade distinta e, mesmo que não concordemos com suas atitudes e comportamentos, eles são extremamente reais. Afinal, nada mais humano que fazer besteiras e péssimas escolhas, não é?

Além disso, ao longo da história, alguns personagens vão construindo uma relação de amizade muito legal e intensa de acompanhar, cheia de companheirismo e compreensão, por meio de uma banda de rock – e a escolha da música preferida de Jenna é uma pérola dos anos 70 que amo: “Because the night“, de Patti Smith! ❤ A protagonista também tem uma evolução considerável e amadurece de uma forma incrível, o que torna gostoso virar as páginas e vê-la melhorando cada vez mais, descobrindo seu real caminho e transformando os problemas do passado em aprendizado.

“Amar Gabe me ensinou muitas coisas. Por exemplo, a aprender com meus erros e perdoar os erros dos outros. Não tenho medo de encarar aquilo em que acredito e não me sinto obrigada a fazer o que todos querem que eu faça. Não estou mais em segundo plano.”

A experiência positiva para aí, no entanto. O enredo em si não me agradou em nada. Ele é lento onde deveria ser rápido, e ligeiro demais em partes que mereciam mais atenção, o que torna a leitura desconfortável. Os personagens, apesar de distintos e interessantes em partes, são extremamente inconstantes. Ora estão maravilhosamente bem, ora surtam com algo mínimo e mudam todo o andamento da história, nos deixando confusos. Essa mudança brusca de comportamento também acontece com o cenário. Por exemplo: em um parágrafo estamos em uma colina, às sombras de uma árvore, e no próximo já estamos em um evento na cidade, sem maiores explicações sobre como os personagens foram parar ali, nem qualquer divisão entre capítulos. E, apesar das amizades serem muito boas, cadê a química entre o casal principal?

Para completar, existem duas grandes problemáticas que são o suspense que nos impulsam para continuar a leitura e nos deixam cheios de expectativa: a revelação da confusão na qual Jenna se envolveu no passado e o grande segredo de Gabe, acompanhado de sua estranha relação com Cleo.

Com relação a Jenna, a princípio considerei seu segredo bem bobo, apesar de grave. Mas, depois, vi que fez sentido ser algo no qual a falta de amadurecimento dela a meteu, principalmente por revelar um ótimo tema a discorrer: até que ponto somos influenciados positiva ou negativamente por nossas amizades? O problema de Gabe é bem mais intenso e um assunto tabu na sociedade, e prefiro não revelá-lo para não diminuir a surpresa de algum leitor que pretende ler “Soul Love” no futuro, pois eu mesma fiquei surpresa e de fato não esperava. No entanto, esse assunto MERECIA ser mais explorado e trabalhado, e infelizmente o problema enfrentado por ele fica totalmente em segundo plano. Um grande desperdício, tendo em vista se tratar de um tema que raramente aparece nos livros, em especial em um romance adolescente.

“Estou totalmente de acordo com Platão. A astronomia realmente nos obriga a olhar para cima, à procura de um novo mundo. Amo o céu noturno. Olhar para o alto faz nosso espírito elevar-se também. Sempre me sinto mais cheia de esperanças quando olho para as estrelas.”

Por fim, o desfecho é corrido demais. Como leitora, eu queria mais. Mais romance, mais detalhes, mais aprendizado, mais entrega, mais lágrimas. Fiquei só na vontade. Apesar de tudo isso, a escrita da autora é fluida e é possível ler o livro em poucas horas, sem cansar e sem ficar entediado. Defendo que, apesar de ter sido uma experiência mais ou menos para mim, vocês podem vir a gostar. Só vejo comentários super positivos sobre ele, e o meu é, sem dúvida, uma exceção – a nota no Skoob é um incrível 4,2 e eu, com o coração partido, só tenho um 2 para ele!

Com relação à edição física, o trabalho da Melhoramentos é bem bonitinho. As páginas são brancas, o livro é de tamanho pequeno, mas com fontes grandes e fáceis de ler. A arte da capa é simples e remete bastante aos paradidáticos que liamos na escola nos anos 90, rs.

NOTA: 2

Mas e vocês? Já conheciam ou já leram esse livro? Concordam comigo ou tiveram uma ótima experiência? Se não conheciam, o que acharam? Leriam? Compartilhem comigo suas impressões! 😉

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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