Resenha: O Clube do Livro do Fim da Vida, de Will Schwable

“Todos temos muito mais para ler do que podemos ler, e muito mais para fazer do que podemos fazer. Mesmo assim, uma das coisas que aprendi com minha mãe é isto: ler não é o oposto de fazer; é o oposto de morrer.”

Quanto mais leio, mais apaixonada fico, rs! ❤

Fuçando alguns dos meus e-books um tempo atrás, decidi ler “O Clube do Livro do Fim da Vida“, de Will Schwable, traduzido por Rafael Mantovani publicado pela Editora Objetiva (2013, 292 páginas). Algumas pessoas já haviam me recomendado a leitura e, depois de ter me encantando com essa capa fofa, iniciei o livro. Ele simplesmente me marcou muito!

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Trata-se de uma mistura entre biografia e autobiografia, onde Will Schwalbe nos apresenta sua mãe, Mary Anne, e um pouco de si mesmo. Em 2007, ela retornou de uma viagem de ajuda humanitária ao Paquistão e ao Afeganistão doente. Meses depois, foi diagnosticada com um tipo avançado de câncer no pâncreas.

A partir desse momento, toda semana, durante dois anos, Will acompanha a mãe às sessões de quimioterapia. Nesses encontros, conversam um pouco sobre tudo na sala de espera do instituto do câncer Memorial Sloan-Kettering, de coisas triviais como o café da máquina ao que, para eles, realmente importa: a vida e os livros que estão lendo.

“Talvez tivesse sentido que algo estava prestes a acontecer além do controle do amor, da paciência ou de qualquer um de nós, e aquela era minha última chance de aprisionar o tempo.”

A lista vai do clássico ao popular, da poesia ao mistério, do fantástico ao espiritual. Eles compartilham suas esperanças e preocupações através dos livros prediletos. As conversas tornam-se um momento de profunda confiança e intimidade. Mãe e filho se redescobrem, falam de fé e coragem, de família e gratidão, além de serem constantemente lembrados do poder que os livros têm de nos reconfortar, surpreender, ensinar e dizer o que precisamos fazer com nossas vidas e com o mundo.

Nesse livro, o autor faz uma declaração de amor à mãe, percorrendo a vida da corajosa e especial Mary Anne, a carreira nos anos 1960, o trabalho voluntário em países em guerra e, finalmente, o projeto de fundar uma biblioteca nômade no Afeganistão. Mesmo muito debilitada, ela não abre mão de fazer com que o tempo que lhe resta seja útil — para a família, os amigos ou uma criança necessitada do outro lado do mundo.

“Como acontece em muitos clubes de leitura, nossas conversas transitavam entre as vidas dos personagens e as nossas próprias.”

O que achei:

Como a sinopse dispensa maiores complementos, pois dá pra entender muito bem do que se trata o livro, vou me ater a minha opinião sobre ele. Pra começar, o que mais me marcou na leitura foi o fato de se tratar de uma história real. Will conta a história de vida da própria mãe, a heroína Mary Anne Schwalbe, e relata algumas coisas de seu passado e, mais precisamente, de seus últimos anos de vida.

Mary Anne era uma mulher muito ativa, que se dedicava às causas humanitárias e não descansava nem por um segundo – exceto, talvez, na hora de ler seus livros. É complicado comentar sobre ela. Sinto que a conheci através da leitura e, ao mesmo tempo, não me sinto segura a ponto de descrevê-la e acabar reduzindo a personalidade da pessoa maravilhosa que ela foi, sabe? A achei um anjo, um ser humano completamente admirável, e fiquei triste por o mundo ter perdido uma pessoa como ela.

“Ao longo de toda a sua vida, sempre que estava triste, confusa ou desorientada, minha mãe nunca conseguia se concentrar na televisão, disse ela, mas sempre buscava refúgio num livro. Os livros focavam sua mente, a acalmavam, a levavam para fora de si mesma; a televisão embaralhava seus nervos.”

Durante sua batalha contra o câncer, ela e o filho Will frequentemente trocam opiniões sobre os livros que estão lendo, formando uma espécie de clube do livro com apenas dois participantes. Achei muito interessante a forma como ambos classificavam e comentavam sobre as obras, extraindo delas tantos valores e ensinamentos. Muitas vezes, vejo que as pessoas leem apenas por ler, passando os olhos pelas palavras sem se preocupar em extrair o máximo delas e isso é lamentável.

O que mais me chamou atenção na Mary Anne foi a principal causa em que ela se empenhou no período que antecedeu sua morte: ela foi a responsável pela construção da primeira biblioteca pública de Kabul. Mary Anne lutava, principalmente, pela causa dos refugiados e pela melhoria na qualidade de vida dessas pessoas e daquelas que viviam em países sufocados pela guerra. Quando nova, ela fazia milhares de viagens pra esses lugares, resgatando pessoas com a doação do seu amor e trabalho voluntário. Isso me encantou. Quantas pessoas você conhece que arriscariam a própria vida pelo próximo?

“Quando discordávamos sobre algum livro que ela amava, ela apenas franzia a testa. Não que não achasse que você tinha direito a ter sua opinião — é claro que você tinha. Era só que ela sentia que você estava deixando passar o ponto principal — estava focado numa coisa quando deveria estar focado em outra. Era como se estivesse criticando um restaurante com base na decoração, enquanto ela estava falando da comida.”

A doença dela, o câncer de pâncreas, foi a mesma doença que assolou o ator Patrick Swayze – o galã do filme Dirty Dancing (e que amo de paixão!). A luta deles aconteceu praticamente ao mesmo tempo, e ele é, inclusive, citado no livro, o que me deu um apertinho a mais no coração (ele também perdeu a batalha contra a doença e eu o admirava – e ainda admiro – imensamente).

Dentre os diversos livros lidos pelos dois, mãe e filho, e que foram mencionados no texto, confesso que poucos me chamaram a atenção. A maioria tem uma narrativa forte e de histórias referentes ao mundo de Mary Anne (como os refugiados e suas experiências), os quais não estou acostumada a ler, ou melhor, não conheço.

“Uma das muitas coisas que adoro nos livros impressos é sua mera natureza física. Os livros eletrônicos vivem fora dos olhos e da mente. Mas os livros impressos têm corpo, presença.”

No entanto, de todos os citados por eles, li apenas “O Hobbit“, de J. R. R. Tolkien e “O caçador de Pipas“, de Khaled Hosseini. Outros estão na minha lista faz tempo: “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll; “A fantástica fábrica de chocolate“, de Roald Dahl; “Os Pilares da Terra“, de Ken Follett (especialmente depois de ter terminado de assistir ao seriado de mesmo nome, o qual adorei e pretendo resenhar em breve!); “Diário de Anne Frank“, de Anne Frank;  “Os Homens que não Amavam as Mulheres“, de Stieg Larsson (da trilogia Millennium, a qual me apaixonei após ver o filme!); “As Crônicas de Nárnia“, de C. S. Lewis; “O Véu Pintado“, de W. Somerset Maugham (no qual foi inspirado o filme “O Despertar de Uma Paixão“, que também amei); “E o vento levou“, de Margaret Mitchell; e “Onde vivem os monstros“, de Maurice Sendak.

De todos os outros os quais eu não conhecia, o que mais me chamou a atenção, e que fiquei com vontade de ler, embora a atmosfera seja um pouco mais carregada, é “A Mordida da Manga“, de Mariatu Kamara, onde a autora conta a história da sua própria vida, na qual ela, com apenas 12 anos, foi capturada por rebeldes e teve as duas mãos amputadas (parte na qual chorei lendo o livro).

“Essa é uma das coisas que os livros fazem. Eles nos ajudam a falar. Mas também nos dão algo sobre o qual todos podemos falar quando não queremos falar sobre nós mesmos.”

Confesso ainda que, mesmo sendo uma apaixonada assumida por livros, a primeira coisa que pensei quando li o título “O Clube do Livro do Fim da Vida” e entendi a sinopse foi “mas porque ela se preocuparia em ler, sabendo que possuía pouquíssimo tempo de vida?!”. Foi por isso que escolhi a quote no topo dessa postagem. Mary Anne me deu a resposta à pergunta que fiz a ela mentalmente.

Na verdade, foram tantas as quotes que eu achei interessantes que, quando vi, praticamente reproduzi grande parte do livro. Recomendo fortemente a todos: àqueles que precisam entender o valor precioso da vida, a quem possui um ente querido em processo de quimioterapia, aos apaixonados por livros… Enfim. É uma daquelas obras que marcam fundo no coração, quando se permite entendê-la da forma como ela deve ser entendida.

“Gentileza tem muito mais a ver com aquilo que você faz do que com o jeito como faz.”

Chorei também quando o livro terminou. Obrigada, Will, por ter dado ao mundo a oportunidade de conhecer sua mãe por um dos meios que ela mais amava: os livros! Espalhei no post outras quotes que amei, mas como foram várias, seguem outras para vocês se apaixonarem também:

  • “Quando se vê algo especialmente maravilhoso, sempre é bom ter alguém com quem compartilhar”;
  • “Eu estava aprendendo que, quando você está com alguém que está morrendo, talvez precise celebrar o passado, viver o presente e lamentar o futuro, tudo ao mesmo tempo”;
  • “A maldade quase sempre começa com pequenas crueldades”;
  • “O destino às vezes mora no caráter da pessoa — há pessoas que não podem mudar quem são, assim como não podem mudar o que acontece com elas”;
  • “‘Acho que as outras pessoas que são realmente corajosas’, continuou mamãe, ‘são pessoas que assumem posturas que não agradam muito aos outros”;
  • “O que poderia ser mais humano do que querer viver?”;
  • “Como leitor, muitas vezes você está dentro da cabeça de um ou mais personagens, por isso sabe o que eles estão sentindo, mesmo se eles não são capazes de dizê-lo exatamente, ou o dizem de forma tão indireta que os outros personagens não captam. Os leitores são frequentemente lembrados do abismo entre o que as pessoas dizem e o que querem dizer, e tais momentos nos instigam a ficar mais em sintonia com gestos, tons e expressões”;
  • “Era assim, eu finalmente me dei conta, que ela conseguia se focar, enquanto eu era incapaz. Era assim que ela conseguia estar presente comigo, presente com as pessoas num evento beneficente ou no hospital. Ela sentia as emoções que sentia, mas o sentir nunca foi um substituto muito poderoso para o fazer, e ela jamais deixou que o primeiro atrapalhasse o segundo. Se usava suas emoções para alguma coisa, era para motivá-la e ajudá-la a se concentrar. A ênfase, para ela, era sempre em fazer o que precisava ser feito. Eu tinha que aprender essa lição enquanto ela ainda estava ali para me ensinar”;
  • “Somente por dar amizade e amor, você já impede que as pessoas à sua volta desistam — e cada expressão de amizade ou amor talvez seja aquela que faz toda a diferença”;
  • “Não consigo me ver abrindo mão dos livros reais”, ela disse. ‘E adoro poder dar meus livros para alguém depois que os li'”;
  • “E um conselho que ela achava que era uma das coisas mais importantes que queria passar adiante: Você deve dizer todo dia à sua família que você os ama. E ter certeza de que eles sabem que você se orgulha deles também”;
  • “Enquanto ainda pudesse ler livros numa única sentada, o fim ainda não estava à vista”.

Me desculpem a quantidade enorme de quotes… Não consegui tirar nenhuma delas pra deixar o post menor. Achei todas elas lindas e muito válidas. Ainda acho que não consegui expressar da melhor forma que poderia o que senti ao ler esse livro… Só de reescrever essa resenha meus olhos já enchem de lágrimas, sem exageros. Existem tantos outros pontos que gostaria de expor, mas aí eu iria, com certeza, estragar muitas surpresas. Então deixo que descubram quando permitirem que Will lhes apresente Mary Anne.

NOTA: 5 ❤

Vocês já leram esse livro? O que acharam? Se não, ficaram interessados? Nunca conheci ninguém que o tenha lido, então vou amar saber se alguém sentiu a mesma coisa que eu, rs.

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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