Resenha: A Verdade Sobre Nós, de Amanda Grace

“Você sorriu para mim como um garoto sorri para uma garota, e fiquei perdida em você por um instante, envolvida demais para me importar com a hipótese de aquilo tudo ser errado.”

Oi, oi, gente!

Aí, em um dia em que eu estava triste e aflita, resolvi ler um romance. Acontece que, ao terminá-lo, em menos de algumas horas, fiquei mais triste e mais aflita ainda, rs. Estou tentando me recuperar do baque que senti ao ler “A Verdade Sobre Nós” (título original: “The Truth About You and Me“), de Amanda Grace (Editora Intrínseca, 2014, 208 páginas).

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Ele conta a história da jovem Madelyn Hawkins, que está cansada de ser sempre perfeita, de tirar A em tudo, de seguir à risca os planos que os pais fizeram para ela, de ser algo que não é, algo que não quer ser. E então ela conhece Bennet Cartwright, um cara super inteligente, sensível e engraçado. A seu lado, ela se sente livre e independente. Uma história que poderia muito bem ter um final feliz, não fosse por um detalhe: Maddie tem apenas 16 anos, e Bennet, além de ter 25 anos, é seu professor.

Pressionada pelos pais a participar de um programa para jovens talentos, Maddie pula dois anos do Ensino Médio e vai direto para a faculdade, onde conhece e se apaixona pelo professor de biologia. O sentimento é recíproco e, para dar uma chance àquele novo relacionamento que lhe faz tão bem, ela decide não contar para Bennet sua idade. Não demora muito para que as coisas comecem a dar errado, e as consequências da farsa de Maddie ganham contornos devastadores quando a verdade vem à tona.

“É fácil confiar em uma garota inteligente. Garotas inteligentes não deveriam fazer coisas estúpidas.”

O que achei:

Por onde começar? Foi só ler o título pra eu sentir a imensa vontade de desvendar um segredo, de saber a verdade sobre esse “nós” estampado na capa do livro. Aí descobri que esse “nós” se referia a Madelyn e Bennet, aluna e professor que acabam se apaixonando. Pode parecer clichê, mas não é. A autora conseguiu ir além desse conceito e o resultado foi uma história intensa e muito diferente.

O livro todo é escrito em formato de carta, endereçada de Maddie para Bennet. Nas primeiras linhas, já sentimos a aflição de uma protagonista que culpa-se imensamente por uma situação envolvendo ela e o homem que ama. Não tem como não ser fisgado. Li uma página atrás da outra como se a carta fosse endereçada a mim e eu tivesse que entender de uma vez por todas o que raios tinha acontecido.

“Nunca vou entender por que você reparou em mim, com uma garota como aquela sentada a meu lado. Passei a vida toda sendo invisível por causa de garotas assim. Garotas que destilam o tipo de sensualidade que não consigo fingir nem em frente ao espelho do banheiro.”

Apesar de, no início, eu ter demorado pra me encontrar com os personagens, senti-los e entendê-los, foi bem rápido que me entreguei a história. Maddie é uma adolescente de 16 anos muitíssimo inteligente, que acaba pulando alguns anos do ensino médio e indo direto pra faculdade.

Apesar da mente brilhante, do boletim cheio de notas incríveis e do futuro perfeito que a espera, ela se sente constantemente vazia e pressionada. Isso porque seus pais, no intuito de não fazê-la desperdiçar a vida e almejar sempre mais e mais, acabam forçando-a até o limite pra que ela sempre tenha resultados acima da média.

“Só queria ter sabido, naquele dia no rio, que não eram minha vida, minha dor, que estavam em jogo. Eram as suas.”

Por temer decepcioná-los, ela sempre acata as decisões deles e faz tudo muito direitinho, até o momento em que conhece Bennet: o lindo e apaixonante professor de Biologia! ❤ A atração entre eles é instantânea, mas existe um problema (na verdade, dois): ele não se permite ter qualquer relacionamento com ela enquanto existir a relação aluna/professor. Apesar da convivência constante, Bennet e Maddie contam os dias até o momento em que finalmente não terão mais essa formalidade e poderão, finalmente, ficar juntos.

Mas isso é o que pensa Bennet, uma vez que um segundo problema, o qual ele desconhece, se encontra no caminho deles: Maddie tem apenas 16 anos! Ele, com 25 anos, jamais poderia ter um relacionamento com ela. Caso contrário, seria contra a lei. Mas como Maddie já está na faculdade e não o revelou a verdade sobre sua idade, foi fácil enganá-lo. Bonita e desenvolta, ela se passa facilmente por uma jovem de 19 anos.

“Nós combinávamos, você e eu, como duas peças que se encaixam perfeitamente.”

No meio das descrições de Maddie sobre os momentos em que eles passavam juntos, o crescente sentimento entre ambos, a paciência de Bennet em esperar o final das aulas (tem como não se apaixonar por um personagem desses?) e as mentiras em que Maddie se afundava cada vez mais, me vi muito entristecida por perceber o quanto as circunstâncias, às vezes tão banais, como o tempo, podem ser um obstáculo gigante que nos separa da felicidade.

De uma forma geral, o livro nos traz grandes lições sobre confiança. Que, sem ela, é impossível que as coisas deem certo, principalmente num relacionamento. Talvez se ela tivesse sido sincera desde o início com Bennet, as coisas fossem diferentes. Mas quem é que pode culpar uma pessoa apaixonada?

“Era isso que você representava para mim. Um brilho de calor em um mundo que parecia tão frio, tão vazio… tão sem sentido.”

Outro ponto que achei muito interessante foi a forma como representaram uma situação que, com certeza, acontece em muitas famílias por aí: aquela ideia terrível que os pais tem de se projetarem nos filhos. Você com certeza deve conhecer alguém que não teve condições de ser isso ou aquilo, então acaba forçando os filhos a serem algo que eles não querem, e sim o que os pais almejam.

Esse é um erro tão grotesco que não sei como tem gente que consegue fazer isso. E acredito que essa é a principal razão pra vermos por aí tantos profissionais incapazes de fazer um trabalho bem feito. Maddie sofre muita pressão da família para ser perfeita, literalmente. Eles são capazes até de jogá-la contra seu próprio irmão, como uma forma de a rivalidade entre eles ser capaz de fazê-los aumentar ainda mais seus rendimentos. Odiei os pais dela por isso.

“Tantas horas sonhando em estar com você daquele jeito, e ali estávamos, tão perto, embora eu soubesse que a distância ainda era grande demais.”

No mais, apesar da personagem ser, a princípio, bastante ingênua (talvez pela pouca idade, ou pela super proteção e falta de vivência), gostei bastante da forma como ela amadureceu ao longo da história de amor com o Bennet. Meu coração ficou muito partido ao ler a última carta que ela escreveu, e as palavras de Bennet me cortaram como se ele as tivesse dito pra mim.

Ainda estou esperando ansiosamente que a autora repense o final e me faça feliz, rs. Apesar de que sei que relações amorosas entre pessoas com idades muito diferentes sempre causa estranheza na sociedade. Os dois tem 10 anos de diferença. No entanto, não são de números que os casais são feitos, e as cenas dos dois juntos são tão gostosas de se ler que não tive como não torcer por um final feliz!

“Era difícil imaginar os dias em que havíamos conversado durante horas, difícil imaginar a ligação que tivéramos, agora que éramos dois estranhos.”

NOTA: 4

Por fim, quero deixar registrado que meu Bennet e minha Maddie não tem NADA a ver com os personagens da capa, rs. Já pode desejar que façam um filme sobre essa história? E vocês, já leram esse livro? Se não, leriam? Acham que a idade conta num relacionamento?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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