Resenha: O Projeto Rosie, de Graeme Simsion

“De volta a toda velocidade, num Porshe vermelho dirigido por uma linda mulher e ouvindo aquela música, tive a sensação de estar diante do precipício para outro mundo.”

Oi, oi, pessoal!

Minha vida literária, às vezes, tem umas gratas surpresas, e “O Projeto Rosie“, do autor australiano Graeme Simsion, publicado no Brasil pela Editora Record (2013, 320 páginas) e traduzido por Ana Carolina Mesquita, com certeza foi uma dessas surpresas! ❤

Eu o comprei numa promoção de livros tempos atrás e ele custou apenas R$ 9,99 no Submarino. O escolhi de forma aleatória, e confesso que julguei apenas pela capa fofíssima, sem sequer ler sobre o que se tratava. Acertei em cheio!

O-projeto-Rosie livro blog

Nele, somos apresentados a Don Tillman, que vive em uma rotina super certinha a qual ele segue rigorosamente, sem muito esforço. Às terças-feiras come-se lagosta com salada de wasabi (seguindo um roteiro com refeições padronizadas que evitam o desperdício de ingredientes e de tempo no preparo); todos os compromissos são executados de acordo com o cronograma – alguns minutos reservados para a prática do aikido e do caratê antes de dormir; uma hora para limpar o banheiro; três dias da semana reservados para suas idas à feira – e se, apesar dessa programação, algum desagradável contratempo surgir em sua rotina, não há nada que não possa ser solucionado com meia hora de pesquisa científica. Exceto as mulheres.

Até o momento, a única coisa não esclarecida pelos estudos no campo de atuação de Don, a genética, é o motivo para sua incapacidade de arrumar uma esposa, namorada ou até mesmo uma amiga para somar ao seleto grupo de amigos de Don, formado por Gene, também professor na universidade, e a mulher dele, Claudia, psicóloga e esposa muito compreensiva.

Para solucionar esse problema do modo mais eficaz, Don desenvolve o Projeto Esposa, um questionário meticuloso que irá ajudá-lo a filtrar candidatas inadequadas a seu estilo de vida: fumantes JAMAIS, e mulheres que se atrasam por mais de cinco minutos ou que usam muita maquiagem estão fora dos critérios pouco flexíveis que o levarão à mulher ideal.

O único problema é que um questionário desse tipo exige tempo e dedicação, duas coisas que começaram a diminuir exponencialmente no cotidiano de Don desde que ele conheceu Rosie: fumante, vegetariana e incapaz de chegar na hora marcada. Ou esse era o único problema até Rosie entrar na vida de Don e – despretensiosamente, uma vez que ela nunca se candidatou ao Projeto Esposa – mostrá-lo que a mulher ideal não existe, mas o amor, sim.

“- Se você ama realmente uma pessoa – prosseguiu Claudia -, deve estar preparado para aceitá-la como ela é. Você pode até esperar que um dia ela acorde e faça aquelas mudanças, mas pelos próprios motivos dela.”

O que achei:

Don é um personagem muito singular e nunca tinha encontrado outro com a personalidade igual, exceto em alguns personagens de séries de TV, pois ele se parece exatamente como o Sheldon, da série The Big Bang Theory, e tem também uns traquejos semelhantes ao Monk, da série de mesmo nome.

Ele é simplesmente o cara mais antissocial e metódico do universo. Tudo pra ele precisa estar friamente calculado, desde os horários para trabalhar, praticar exercícios, tomar banho e se alimentar, até os costumes básicos do dia a dia. Ele mantém rotinas exatamente iguais como forma de tirar sempre o melhor proveito de tudo, e não cometer nem excessos nem desperdícios.

Por sua personalidade um tanto diferente, o círculo de amigos de Don é extremamente restrito. Ele conta apenas com Gene e Claudia, que já foram apresentados na sinopse. Claudia é uma espécie de conselheira de Don, pois ela é psicóloga. Desse círculo, também faziam parte a irmã de Don, já falecida, e Daphne, uma senhora idosa que foi vizinha dele e com quem manteve uma amizade singela.

Embora seja bonito, inteligente e fisicamente bem preparado, essas características não são suficientes para fazer Don ser bem sucedido no amor. Das trágicas experiências que ele já teve no passado, ficou bem claro que não era qualquer uma que poderia estar ao seu lado. Ela tinha que ser selecionada de modo que se encaixasse na vida dele. Ela tinha que ser “perfeita”!

Cansado de estar sozinho – e de ter encontros frustrados com pessoas de convivência duvidosa -, Don decide criar o Projeto Esposa. Trata-se de um questionário bastante específico, que visa filtrar pretendentes, eliminando aquelas que não tem qualquer compatibilidade com o estilo de vida dele.

No entanto, as coisas se complicam quando Rosie aparece inesperadamente na vida de Don. Ele, que achava que ela havia se candidatado ao projeto, acaba a convidando para sair. E, mesmo que ela seja completamente inapta a assumir o posto de companheira, ele não consegue se afastar dela, mesmo que isso signifique levar uma vida ao avesso!

“Os seres humanos muitas vezes deixam de enxergar o que está perto deles e que parece óbvio para os demais.”

A história é narrada em primeira pessoa, e estamos na cabeça de Don. O texto é muito interessante e inteligentíssimo. É como conversar com um computador, rs. À princípio, não simpatizei muito com ele, pois em muitos momentos ele não só é irritante como completamente inapropriado e sem coração! Pois é… Mas a evolução do personagem é tão sutil e tão gostosa de acompanhar que é impossível não se apaixonar, sabe? Don também é um cara que não tem a menor noção do quão bonito é, e vê-lo não dar a mínima pra isso até o torna mais especial. Ao longo do livro, encontramos a explicação por Don ser do jeito que é, mas creio que isso deve ser guardado pra quem quiser aproveitar a leitura.

Rosie é totalmente o oposto dele. Desorganizada, estabanada, brigona e bem chatinha (na maioria das vezes), ela tem uma humanidade tão real que não parece um personagem. Ver os dois juntos, evoluindo e aprendendo um com o outro de forma simples e humana, é um dos pontos altos na narrativa. São acontecimentos pequenos, como ver as luzes da cidade à noite ou fazer uma refeição diferente, que vão delineando a relação deles, e mudando a forma de ambos de ver, pensar e sentir.

Embora a história seja um tanto clichê e o final previsível, não tem como não curtir, torcer e se apaixonar. Também tem muitos trechos engraçados e juro que dei gargalhadas altas em muitas partes, rs.

Quanto à edição, gostei bastante do trabalho. As páginas são amareladas e o design todo é bem simples e clean, sem maiores detalhes. Não encontrei erros, exceto algumas partes em que a impressão não saiu muito boa e cortou algumas poucas palavras, mas nada que tenha me desagrado em excesso.

A única coisa que não gostei tanto foi o final, pois achei que poderia ter sido bem mais elaborado e rico em detalhes. Queria ter sentido mais alguma emoção, pois li o livro todo na maior expectativa pra essa cena em específico e não foi bem assim. No entanto, isso não me fez gostar menos do que li. Só esperava outra coisa, rs.

Em 2016, foi publicada uma nova edição do livro com nova arte de capa, a qual faz par com a sequência, intitulada “O Efeito Rosie“, lançada no mesmo ano. Confira acima as novas capas. Confesso que prefiro a capa da edição anterior, no topo desse post, mas achei as duas bem simples e bonitas.

NOTA: 4

Queria ter separado mais quotes além das que espalhei pela resenha, mas me perdi tanto que, quando percebi, já tinha atravessado o livro sem marcar minhas partes favoritas, rs. Ainda não tive a oportunidade de ler a sequência, mas espero conseguir e gostar tanto quanto me apaixonei por esse primeiro volume. Em suma, recomendo bastante pra quem curte uma leitura bem descontraída, com um romance leve e muito fofo, personagens cativantes e diferentes. O livro é relativamente curto e tão gostoso que dá pra ser lido em uma só sentada, daquelas que a gente nem vê o tempo passar.

Mas e vocês, já leram esse livro? O que acharam?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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