Resenha: Bem Profundo, de Portia Da Costa

“Por causa dele, eu me sinto como se tivesse renascido, como se tivessem arrancado minha pele. Eu me sinto totalmente diferente. Antes, eu era quieta. Vivia em segurança. Era feliz, mas de uma forma sem grandes sobressaltos. Agora, sinto prazer por todos os lugares, e gosto disso, adoro isso. Não, eu amo isso!”

Oi, oi, gente!

bem-profundo-portia-da-costaDepois que houve aquele BOOM dos livros eróticos, onde no topo da lista figurava a trilogia “Cinquenta Tons de Cinza”, fiquei super curiosa pra saber o porquê de livros desse gênero fazerem tanto sucesso. Anos atrás, acabei adquirindo dois pra matar essa curiosidade. Dentre eles, estava “Bem Profundo“, da autora Portia Da Costa (título original: “In Too Deep“), publicado pela Editora Planeta (2012, 255 páginas), que escolhi aleatoriamente numa livraria online.

Ele conta a história da Gwendolyne, que trabalha numa biblioteca e tem como missão diária esvaziar a caixinha de sugestões do lugar. Um dia, Gwen encontra uma carta direcionada a ela, e se trata de uma proposta indecente. Um homem misterioso começa a lhe mandar correspondências de perder a cabeça e fica claro que ele não quer ficar só no papo. Suas ideias são chocantes, mas excitam Gwen.

Enquanto sua imaginação está a mil, ela ainda precisa lidar com o professor Daniel, que está fazendo uma pesquisa temporária na biblioteca e que a moça considera um homem espetacular. Gwen começa a fazer avanços sobre o professor inspirada pelas cartas picantes que recebe do admirador secreto.

“Por um momento, fiquei olhando para ele, embasbacada, um anjo casual de cabelo escuro e desgrenhado, seus óculos sérios e um rosto que parece ao mesmo tempo infinitamente masculino, infinitamente doce.”

O que achei:

Não vou comentar muito do enredo, porque a sinopse já passa uma boa ideia da história que o livro contém e, se eu falar mais sobre, acabarei ando spoilers.

Bem, vou confessar que fiquei um pouco dividida depois que terminei a leitura. Sei que se trata de um livro hot, mas, como já tinha lido um outro livro do gênero, achei a escrita meio… pesada. Há o uso de uns termos muito chulos que transformam a relação sexual em uma coisa bizarra. Acho que esse linguajar em si não me agradou, não.

Na verdade, há um mix entre esses termos e outros melosos demais, o que achei que não combinou. Nos outros que li, existe, sim, uma história de plano de fundo, e aqui ela é tão superficial… É como se, o tempo todo, Gwen só pensasse em sexo e, mesmo em situações mais delicadas, a mente dela vai pra esse tema, e ela parece uma maníaca totalmente viciada. Pois é.

Apesar disso, gostei da construção dos personagens. Gwen é uma mulher diferente das convencionais mocinhas que encontramos em livros hot (e, ouso dizer, em livros em geral). Ela não é a modelo loira, sexy e perfeita que sempre aparece nos eróticos/new adults da vida. Gwen é uma mulher “cheinha” e curvilínea, e uma das coisas mais legais na construção dela foi a forma como ela se aceitou com o corpo que tem, mostrando que é daí que surge a beleza e a sensualidade numa pessoa: quando ela se aceita como é.

Gwen é divorciada e tinha um casamento bem morno. Um dia, ela começa a receber cartas anônimas de um tal Nêmesis, que a vê como uma deusa grega, apesar de ela achar, no início, que ela não é tuuudo isso. Mas, a cada conversa trocada por eles, ela se sente mais e mais desejada, e isso reflete na forma como ela encara a si mesma e aos outros. Nesse sentido, acredito que o que o livro quis explorar é uma espécie de “descoberta sexual”, aceitação de si mesmo e autoconfiança. Por isso escolhi a quote que inicia a postagem: pra sustentar que essa é uma das tramas centrais da história.

“Porém, fico em silêncio, saboreando os últimos momentos com os braços dele me envolvendo, e depois de um último beijo delicado abro a porta. Ele fica me olhando enquanto caminho pelo corredor, e a visão dele quando me volto para um último olhar, tão belo e tão juvenil em seu roupão escuro e com os pés descalços, quase me mata.”

Daniel também não é o mocinho super malhado, pegador e gostosão que encontramos nos clichês hots. Na verdade, embora ele seja lindo (e eu o tenha imaginado assim), ele tem uma aparência beeem nerd, os cabelos enroladinhos e desgrenhados, o que destoa dos outros super modelos dos outros livros. À princípio, eles parecem não combinar nada, e essa é a única pegada interessante que o livro tem.

Enquanto tenta entender quem é a pessoa por trás de Nêmesis e a lidar com seus sentimentos por Daniel, Gwen acaba se metendo em vários joguinhos sexuais impostos pelo seu admirador safadamente secreto – e é tão esquisito a forma como ela se entrega a um cara que nem conhece que é impossível não achar a personagem um tanto nonsense. De resto, e correndo o risco de parecer puritana, cheguei até a me sentir constrangida por ler algumas passagens.

Livro vai, livro vem, chegamos num final que é até bonitinho, considerando as circunstâncias, mas o que deveria ser óbvio ficou meio estranho, ao menos pra mim. Afinal, Nêmesis era Daniel? Daniel era Nêmesis? Hum…

Quanto à estrutura do livro, reclamações zero! A capa é fosca, sem nenhum brilho, e até bonita, apesar de simples. As páginas são aquelas amareladas que eu amo, e de material grosso – que não deixa as letras da frente escaparem pro verso, yay! A diagramação é perfeita, a fonte tem um tamanho ideal pra não cansar os olhos e não encontrei nenhum errinho de digitação. Bem que a trama poderia ter acompanhado a beleza do livro físico!

NOTA: 2

Vocês já leram esse livro? O que acharam?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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