Resenha: Lições do Desejo, de Madeline Hunter

*Pode conter spoilers do primeiro livro da série Os Rothwells

“Ela sucumbiu à segurança e a proteção oferecidas pelo manto íntimo e humano que ele formava. Deixou-se tombar contra ele e ignorou o modo como a força dele a tentava a renunciar à sua.”

Olá, pessoal!

Seguindo a sequência de resenhas dos livros dos irmãos Rothwell, hoje vim apresentar a vocês o segundo volume da série!

Lições do Desejo” (título original: “Lessons of Desire“), da autora Madeline Hunter (Editora Arqueiro, 2013, 272 páginas), nos apresenta ao irmão mais novo da família: o atraente, sutil e tentador Lorde Elliot Rothwell! Inteligente e bem sucedido, ele é o mais “normal” dos irmãos – o único que consegue ser mais agradável com a sociedade e acostumado a fazer sucesso entre as mulheres, bem como a conseguir tudo o que deseja delas.

Lições do desejo - Madeline Hunter

No entanto, essa regra não se aplica a Phaedra Blair. A brilhante e exótica editora não parece disposta a ceder a seu pedido e cancelar a publicação das memórias de um membro do Parlamento que podem manchar o nome da nobre família Rothwell. A pedido de seu irmão mais velho, o Marquês de Easterbrook, Elliot vai a Nápoles para negociar com Phaedra.

Historiador de renome e autor de livros respeitados, tudo indica que ele seja a pessoa ideal para a tarefa. Porém, em vez de encontrar a bela mulher descansando à beira do mar Tirreno, Elliot descobre que ela está presa por causa de uma acusação injusta. Graças ao prestígio da família, o nobre consegue libertá-la, mas também se torna responsável por ela até voltarem à Inglaterra.

Percorrendo juntos uma das regiões mais belas e românticas da Europa, eles vão descobrir que discordam de quase tudo o que o outro pensa ou faz – exceto o que fazem juntos na cama. E, nessa aula de prazer, será cada vez mais difícil saber qual dos dois tem mais a ensinar.

“Os corações não pensam com clareza suficiente para tomar decisões. Entregam-se ao sentimento e não preveem o futuro.”

O que achei:

A sinopse é praticamente um grande resumo do que acontece ao longo de quase todo o livro, então vou me ater a passar a vocês as impressões que tive dele. A personagem Phaedra Blair nos é apresentada já no primeiro livro da série. Ela é a melhor amiga de Alexia, agora esposa do Lorde Hayden Rothwell, um dos irmãos mais velhos de Elliot.

Inusitada, diferente, peculiar, inconformada, decidida, impulsiva, forte, teimosa… Assim é Phaedra! De cara, confesso que não gostei da personagem logo no primeiro livro. Quando entendi que ela seria a protagonista do segundo, fiquei um pouco desapontada e, talvez por esse motivo, minha leitura não tenha fluido tão bem (sim, eu crio antipatia até mesmo por personagens literários, rs).

Embora eu tenha descrito na sinopse anterior que Alexia era uma mulher diferente, que não ligava tanto para os costumes da época (como geralmente ocorre na maioria dos romances de época escritos por autores contemporâneos), Phaedra conseguiu ultrapassar essa linha. Ela é extremamente feminista e considera todas as regras sociais algo totalmente inútil e ridículo.

“Da entrada do quarto, viu uma massa de cabelos acobreados espalhados sobre as almofadas e uma pele cremosa enrolada num lençol. Uma encantadora perna esguia e nua estava esticada no cimo de uma pilha de roupa de cama. Foi invadido pela tentação de entrar só para a observar (…).”

Por isso, influenciada pela criação que teve de sua mãe, a conhecida Artemis Blair, Phaedra vive a sua própria maneira, sem seguir as regras de etiqueta, de vestuário ou de apresentação na sociedade: mantém os cabelos longos e ruivos feito fogo sempre soltos (um escândalo para a época), ignora os espartilhos e vestidos de passeio alegres das damas, deixando o seu corpo coberto apenas por uma túnica preta (outro escândalo para a época).

Embora belíssima, sua aparência remete a uma bruxa. Além disso, seus pensamentos e ideais também a tornam uma “péssima influência”: sempre cercada por artistas e poetas (que não eram bem vistos no passado por serem considerados libertinos), ela também prega o “livre amor”, onde uma pessoa pode se relacionar com outra, inclusive de maneira carnal, sem as rédeas do casamento. Por todas essas peculiaridades escandalosas, Phaedra é evitada nos círculos da alta sociedade. Até o marido da própria melhor amiga tem certa cautela com relação à ela.

Apesar disso, o caminho de Phaedra cruza novamente com o da família Rothwell quando seu pai falece e deixa como legado para ela sua editora de livros. Mais ainda, ele a faz prometer no leito de morte que ela publicará um livro com suas memórias.

“Andava a pensar demasiado nela. A imaginar demasiadas coisas. A desejá-la demasiadas vezes.”

O problema reside no fato de essas memórias conterem descrições detalhadas de eventos que podem comprometer homens do mais alto nível, incluindo o segredo dos pais dos irmãos Rothwell que eles querem tanto esconder e esquecer.

Na tentativa de manter esse segredo, o Marquês de Easterbrook, Christian, pede a seu irmão mais novo – nosso mocinho Elliot – que tente persuadir Phaedra a não publicar o trecho que menciona o sobrenome Rothwell, a fim de evitar que um escândalo envolvendo a família possa vir à tona.

É aí que nosso casal protagonista se encontra em Nápoles, em um cenário completamente diferente da famosa Londres. Embora tenham personalidades, pensamentos, ideais e visões de mundo completamente diferentes, existe uma química muito grande entre eles – a princípio, quase que exclusivamente sexual. E, em meio a um monte de mal entendidos e muitas brigas para ver quem vai ceder primeiro, os dois acabam se envolvendo mais e mais.

Encontrei vários pontos positivos e negativos nessa leitura… Ela definitivamente não entrou para minha lista de favoritos, contrariando muitos leitores que ficaram apaixonados pelos personagens.

“(…) mal ela entrara na sala, gravitou instantaneamente na sua direção para poder absorver a sua presença como um alcóolico sóbrio há demasiado tempo. O fato de saber que estava a agir de forma ridícula não conteve o ímpeto de se expor ainda mais ao ridículo. O amor era um inferno e não havia nada a fazer quanto a isso.”

Não sei, mas o romance entre eles não me convenceu muito. Não senti que rolou aquela química sentimental, não senti que eles realmente combinavam, comparados a Alexia e Hayden, por exemplo. Eles parecem destoar muito um do outro e apenas nos momentos finais da leitura me convenci razoavelmente de sentimentos mais fortes além do desejo.

Uma característica que também não me agrada tanto em romances é aquela negação constante do casal em assumir seus reais sentimentos e ficar enganando, a si mesmo e ao outro, durante a trama inteira.

Entendo que essa é uma fórmula para prender a atenção do leitor, mas, em demasia, acaba ficando cansativa. E Phaedra é assim. A teimosia dela em não assumir de uma vez o que sente me deixou um pouco desgastada. Além disso, a consequência é uma constante briga de sexos, em que um tenta sobrepor sua opinião a do outro. Quando aparece um cessar fogo, o livro fica mais gostoso e fluido. Houveram algumas situações também, no cenário de Nápoles, que acabaram por forçar uma aproximação do casal, e que não gostei por não serem verossímeis.

Apesar desses detalhes, existe algo inegável: a Madeline Hunter, sem dúvida, estuda muito antes de finalizar uma obra. Todo o cuidado que ela tem ao descrever os locais e as transações comerciais, os pormenores dos ofícios dos personagens e as indumentárias da sociedade da época (que mudam de local para local) são extremamente bem feitas e lhe dão muito respaldo!

As referências à parte histórica de Nápoles, às ruínas de Pompéia e às relíquias artísticas do local são um prato cheio para leitores que conhecem arte e história. Recomendo mesmo, pois elas são presentes em boa parte da leitura!

“- O ímpeto da posse é demasiado forte e a tendência para o ciúme demasiado humana. Amar alguém sem pedir nada em troca, sem qualquer desejo ou esperança de permanência, não é natural.”

Assim como falei na resenha do primeiro livro, embora a série seja sobre os irmãos, as personagens femininas roubam, e muito, a cena. Tanto é que não há muito a se dizer sobre Elliot. Ele não chega a ser tão peculiar quanto os irmãos, e também não é tão marcante quanto eles. É bonito além do comum, consegue enlouquecer as mulheres e, de todos eles, é o único capaz de ser bem visto pela sociedade, uma vez que não é excêntrico como Christian nem frio como Hayden. O que o torna mais belo ainda é o fato de ser historiador e escritor. A contrapartida da personalidade dele está na prepotência, sem dúvida muito mais exacerbada do que em relação aos irmãos.

A história vai além das relações amorosas e sexuais: existe todo um plano de fundo, uma meta dos personagens em buscar respostas ou resolver enigmas, que faz com que o romance chegue até a se tornar secundário em determinados momentos.

Há, aqui, além da missão de Elliot, a missão de Phaedra. Ela necessita encontrar respostas para desvendar o passado da mãe e do pai, entender acontecimentos que separaram os dois e, principalmente, descobrir se os ensinamentos da vida e do coração livres que ela tem no presente não foram apenas falácias de Artemis Blair, sua mãe, no passado.

Por conta desses pontos, a leitura se mantém e é possível chegar até o final satisfeito por ter obtido respostas as perguntas que nos fizemos no início do livro. Mas, infelizmente, o casal não conseguiu me cativar…

LicoesDesejoNOVA15mm.indd

Quanto ao aspecto físico, não tenho como opinar, pois o li em e-book e considerei satisfatório. A Editora Arqueiro também lançou esse volume com uma capa diferente, que vocês podem ver acima. Muito em dúvida sobre qual é a mais bonita! ❤ Também gosto bastante da primeira capa, com as flores… A vontade é ter as duas só para ficar admirando na estante!

NOTA: 2

Vocês já leram esse livro? O que acharam? Leriam?

Lembrando sempre que o fato de eu não ter amado tanto a história quanto imaginei não significa que essa vai ser a mesma visão de vocês com relação ao livro. Portanto, certifiquem-se de tirar suas próprias conclusões, ok? 🙂

Beijos e até a próxima!

Continue acompanhando o blog nas redes sociais:

Instagram – Skoob – Twitter – Bloglovin’ – Canal Literamigas

Anúncios

Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s