Resenha: O Lado Feio do Amor, de Colleen Hoover

*Pode conter spoilers.

“O amor nem sempre é bonito, Tate. Algumas vezes você gasta todo o seu tempo esperando que finalmente algo seja diferente. Algo melhor. Então, antes que você saiba, você está de volta ao primeiro quadrado, e você perdeu seu coração em algum lugar do caminho.”

Olá, pessoal!

“O Lado Feio do Amor” (título original: “Ugly Love“), da autora Colleen Hoover (Editora Galera Record, 2015, 336 páginas) foi o primeiro livro da autora que li e estava com a expectativa nas alturas, porque já tinha lido várias resenhas sobre ele e a decisão era unânime: todo mundo amou esse livro. Já tinha visto também muitos elogios aos trabalhos da Colleen Hoover e alguns seguidores já haviam dito que eu deveria ler logo esse livro específico. Já sentiu a pressão, né?

o lado feio do amor ugly love.jpg

O livro conta a história de Tate Collins, que se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem. Ela não imaginava, no entanto, que iria acabar conhecendo “o lado feio do amor” durante sua estadia no apê do irmão, ao dar de cara com Miles Archer e iniciar com ele um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades – e o sexo parece ser o único objetivo.

Mas Miles, piloto de avião, vizinho, melhor amigo de Corbin e, de quebra, lindo de morrer, encanta Tate, apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor. O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo.

O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o desejo.

“Ele suspira enquanto olha para minha boca. ‘Você faz com que respirar seja tão difícil.’ Algumas vezes não falar diz mais do que todas as palavras do mundo.”

O que achei:

Não adianta, me sinto um verdadeiro alien quando minha opinião é contrária ao sentimento de todo mundo com relação a determinada leitura. Acho até que foi por isso que demorei tanto a fazer a resenha desse livro. Sei que a autora tem muitos fãs e bateu aquele medinho de me expor, sabe?

Mas como me senti bem dividida sobre meus sentimentos acerca da leitura (e esse livro me despertou vários), não queria deixar de falar sobre eles. E eu só conseguiria repassar tudo pra vocês através de uma resenha com poucos spoilers – então, se você ainda não leu o livro e pretende, sugiro que não avance. Se você gosta de spoilers e não vê problemas nisso ou se já leu o livro, continue sem medo! 🙂

“Não há nada no mundo que se compare com sentir e cheirar a chuva recém-caída.”

Bem, pra começar, preciso dizer que a escrita da autora me cativou bastante! Nisso não tem como negar: ela trabalha muito bem as palavras. Tanto é que não foi difícil iniciar o livro, nem me perder dentro dele – muito menos terminá-lo. Tudo flui de um jeito bom, que te conduz ao final sem que você perceba o tempo passar.

O livro é carregado de sentimentos e é tudo muito intenso, até dramático, e esse, ao meu ver, é mais um ponto positivo. O autor que consegue te transportar para o mundo que criou e despertar teus sentidos, seja de forma positiva ou negativa, já prova o seu valor. Os personagens são bem construídos, tem uma personalidade própria e forte, são palpáveis e muito reais.

Minha dificuldade, no entanto, foi aceitar o teor do relacionamento de Miles e Tate, e foi aí que, pra mim, residiu a “fraqueza” do livro. Não se trata, no entanto, de procurar defeitos na criação da autora ou motivos pra criticá-la, antes que seja dito algo do gênero – até porque esse foi meu primeiro livro dela e eu sequer tive parâmetros para comparar. Dificilmente leio por ler e acabo (dependendo do livro) sempre procurando algum sentido ou lição oculta ali nas entrelinhas – daí querer analisá-los mais do que simples leituras.

“As partes bonitas do amor seguram você sobre o resto do mundo.”

Os capítulos do livro são intercalados: ora temos a visão da Tate, hora a narração do Miles, ambas em primeira pessoa. A parte da Tate é narrativa, no tempo presente. Ela foi, à princípio, uma personagem que me pareceu muito independente. Ela e o irmão estão ali, com sua própria vida, morando longe dos pais e perseguindo seus sonhos e realizações profissionais. Logo, esperava que ela tivesse uma postura condizente com esse perfil, o que não encontrei.

Já a parte do Miles é estruturada em forma de versos (centralizados na página), o qual utiliza o tempo passado para nos mostrar o que, afinal, aconteceu com ele. A questão é que Miles é atormentado pelo seu passado, por conta de um fato que não sabemos qual foi e que perdura durante o livro inteiro, sendo revelado apenas no final.

Durante seus capítulos, começamos a entender que o rapaz tinha um relacionamento anterior com Rachel, grande amor de sua vida, mas que foi terminado por conta de uma tragédia. Depois disso, ele nunca mais conseguiu encarar qualquer relacionamento e vínculos emocionais com outras pessoas. Inclusive, fazia ANOS que ele não tinha nada com ninguém, inclusive relações sexuais.

Tate surge para quebrar essa barreira de Miles e permitir que ele finalmente possa desejar alguém. Mas, como ele não está preparado para ter mais do que isso, Miles estipula as regras mencionadas acima. Ele e Tate iniciam uma relação conveniente, em tese, para os dois: os dois se sentem atraídos sexualmente, ok, então nada mais interessante do que beneficiar a ambos sem as amarras dos sentimentos.

É óbvio que alguém ia se apaixonar e se machucar com isso, certo? E sim, tinha que ser Tate, antes super segura de que cumpriria todas as regras do “relacionamento”. Foi aí que tudo começou a me incomodar. Acredito que muito do julgamento que fazemos do que lemos vem da nossa bagagem, aprendizado e vivência, por isso acabei interpretando o livro de uma forma diferente.

Tate passa por muitos episódios em que as relações meramente sexuais, que aos poucos passam a transtorná-la a medida que seus sentimentos evoluem, acabam deixando-a em uma posição totalmente humilhante e submissa, em um relacionamento de mão única totalmente abusivo. A “desculpa” para que essa situação aconteça é justamente o passado sofrido de Miles, e as regras estabelecidas são o principal motivo pelo qual ela aceita “pacificamente”, embora sofrendo, o péssimo tratamento que ele dispensa a ela.

Cenas como passar dias sem vê-la e não mandar ao menos uma mensagem, enquanto ela passa horas encarando o celular preocupando-se com ele, ou momentos em que ele a abandona logo após terminar o sexo, dispensando-a de imediato, me soaram baixas demais para um livro destinado a um público jovem. O fim da picada foi vê-lo pronunciando o nome da Rachel durante a transa e ver Tate, totalmente humilhada, pedindo apenas para que ele terminasse o que estava fazendo. Alô, SÉRIO?

“A diferença entre o lado feio do amor e o lado bonito do amor é que o lado bonito é que o lado bonito é muito mais leve. Faz você sentir como se estivesse flutuando.”

Independente do sofrimento dele, nada no mundo pode dar às pessoas permissão para serem babacas com quem quer que seja. Mais: não senti que o personagem realmente tinha se desconectado do antigo amor a ponto de o livro terminar da forma como terminou, totalmente “conto de fadas moderno”. Não senti uma evolução nele, mas sim uma desculpa para que o livro tivesse um plot-twist e de repente tudo parecesse se encaixar sem ser ofensivo.

Também não senti necessidade alguma do personagem que é vizinho dos meninos e que flerta o tempo todo com Tate, mesmo sendo casado. Me pareceu uma tentativa da autora de fazer o Miles soar “menos ruim” quando comparado com alguém que trai a esposa.

“É estranho, ver alguém pela primeira vez sob diferentes circunstâncias de quando você partiu.”

Pode até parecer que levei tudo a sério demais, mas levei mesmo, rs. Vejam: a maioria do público que lê esse tipo de livro é adolescente / jovem-adulto, e muitos deles são, sim, influenciados pelo que leem nos livros. Fiquei preocupada de ver tantas meninas achando o livro lindo e Miles totalmente ausente de culpa sem se questionar se era mesmo certo uma garota viver algo assim, passando por cima desse tipo de caso onde, honestamente, eu ficaria muito triste de estar ou de ver uma amiga ou qualquer mulher se sujeitando a sofrer, tendo o “amor” e suas migalhas como justificativa. O pior mesmo é saber que isso de fato acontece, pois nem todas as mulheres, independente da idade, sabem lidar com seus sentimentos de forma segura. Justamente por isso, adoraria ver uma Tate mais cheia de si e de amor próprio, o que passou longe dela.

Acabou que os capítulos da Tate foram dolorosos para mim, enquanto eu desejava desesperadamente que chegassem os do Miles “do passado”, tão mais romântico e intenso que o do presente, para que eu pudesse enfim entender o que tinha acontecido com ele. Sim, preferia ter lido um livro tendo ele e Rachel como protagonistas, rs. O segredo dele, afinal, é muito emocionante, mas a revelação do passado com a situação atual dos personagens no presente foi informação demais pra eu digerir nas poucas páginas em que tudo se desenrola para o término. No geral, o zelador do prédio dos personagens, Cap, foi meu personagem preferido, um idoso cheio de ensinamentos maduros sobre suas experiências de vida.

“‘Algumas pessoas… Elas ficam mais sábias à medida que envelhecem. Infelizmente, a maioria das pessoas só envelhece.'”

Enfim… Como 336 páginas podem afetar tanto uma pessoa?! Só concluo que, se para descobrir o lado bonito do amor é preciso conviver com esse lado feio, espero nunca ter que passar por ele ou ver alguma de vocês sendo uma Tate na vida.

NOTA: 3

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Lógico que essa experiência não me fez desistir da autora, muito pelo contrário. Pretendo ler outros títulos dela em breve.

Ah, o livro iria ganhar uma adaptação cinematográfica, que estava prevista para 2017, mas creio que ainda deve demorar um pouco para sair ou foi cancelada. Ela foi anunciada desde o final de 2016 pela autora, e até agora os únicos confirmados para o elenco são os atores Nick Bateman como Miles Archer e o ator Cody Hackman como Corbin (que não achei que fez jus, mas ok).

Mas e vocês, já leram “O Lado Feio do Amor”? Vão brigar comigo ou concordam em algum ponto? Sejam bonzinhos e vamos dialogar, rs! ❤

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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