Resenha: Uma Proposta e Nada Mais, de Mary Balogh

“(…) – As pessoas compreendem a linguagem do coração, mesmo que a cabeça nem sempre consiga”.

Oi, oi, gente!

Como vocês estão?

Hoje vamos dar a largada para as resenhas das minhas leituras de 2019! ❤ E meu primeiro livro do ano, claro, tinha que ser do meu gênero literário preferido: romance de época! O escolhido foi “Uma Proposta e Nada Mais” (título original: “The Proposal“), da autora Mary Balogh, traduzido por Lívia Almeida e publicado pela Editora Arqueiro (2018, 272 páginas).

livro uma proposta e nada mais.png

Trata-se do primeiro livro da série “Clube dos Sobreviventes” e conta a história da jovem viúva Gwendoline, lady Muir, que, após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.

Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.

Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

“A negatividade podia ser assustadoramente contagiosa”.

O que achei:

Comecei a ler o livro com grandes expectativas, pois ainda não conhecia a escrita da autora, embora já tenhamos uma série completa da Mary Balogh publicada no Brasil: Os Bedwyns!

Já li muitos romances de época e a experiência com esse foi diferente. O enredo, embora tenha todos os elementos que sempre encontramos no gênero, é muito mais sério, sem dar muita margem para comédias nas famosas brigas de gato e rato que encontramos por aí, principalmente porque o casal já é bastante maduro (ambos possuem mais de 30 anos).

“Sentia pena de si mesma, era isso. Mas nunca sentia pena de si mesma. Bem, quase nunca. E, quando isso acontecia, passava logo. A vida era curta demais para perder tempo com lamentações. Havia sempre muito o que comemorar.”

Gwen é muito centrada, prudente, possui uma ótima relação com a família (principalmente com o irmão) e não se deixa intimidar pelas regras sociais da época. Já Hugo é um personagem masculino igualmente bem construído. Não tem papas na língua e é sincero ao extremo, talvez por conta de sua criação fora da aristocracia (seu título foi conquistado, não adquirido por sucessão), o que dá um toque diferente na relação dos dois. Ele faz a linha clichê do taciturno apaixonado e, justamente por isso, também me recordou as inúmeras releituras de A Bela e a Fera.

Essa seriedade é quebrada pelo alívio cômico que os amigos de Hugo, participantes do Clube dos Sobreviventes, trazem ao livro, fazendo gracinhas e provocações uns com os outros por meio da intimidade que a amizade deles desenvolveu.

“- Às vezes, a vida é complicada demais para que haja uma resposta simples para uma pergunta simples – disse ela.”

Embora tenha poucas páginas, vários acontecimentos rolam aqui, e acabamos até esquecendo onde tudo começou. Parece ele mesmo uma série inteira! A princípio, passeamos por praias e os jardins de uma propriedade particular afastada da aglomeração, participamos dos bailes nas grandes cidades e, por fim, conhecemos a calmaria das propriedades rurais.

É um livro inteiramente maduro (sei que já usei esse adjetivo, mas não tem como descrever de outra forma), com muitas lições sobre relacionamentos e amores verdadeiros. O sentimento do casal, apesar de parecer imediato, vai sendo nutrido ao longo da trama e podemos perceber de uma forma muito graciosa esse desabrochar, a medida que o orgulho e o medo de ambos vai se dissolvendo. É apaixonante acompanhar a evolução desse sentimento! Meus olhos encheram de lágrimas com as declarações trocadas por eles, o que me fez marcar inúmeras quotes durante o livro todo, que compartilho com vocês espalhadas aqui pelo post.

“-  A senhora não é, de forma alguma, o tipo de mulher que busco para ser minha esposa – disse ele. – E faço parte de um universo muito diferente do marido que espera encontrar. Mesmo assim, sinto um poderoso desejo de beijá-la”.

Também não há excesso de cenas hot ou românticas. Tudo aqui é muito bem dosado e acredito que, de todos os que já li, é o que mais está de acordo com os costumes da época, mesmo Gwen sendo uma mocinha à frente de seu tempo.

A maior dificuldade do casal para ficar juntos é os dois pertencerem à classes sociais diferentes, o que pode parecer bobo para gente mas que fazia muito sentido para a época. Assim, o livro é basicamente ambos tentando encontrar uma maneira de tornar esse amor real. Acho que foi o primeiro livro que li em que o mocinho demonstra total cuidado ao tentar fazer parte da vida de sua amada, ao mesmo tempo em que a faz entrar em seu mundo e a se habituar com seu estilo de vida antes de tomar alguma decisão definitiva sobre o relacionamento.

livros série clube dos sobreviventes inglês

“(…) – Mas acho que o mar é vasto demais. Ele me assusta um pouco, embora não saiba explicar a razão. Não é medo de me afogar. Acho que o mar nos lembra do pouco controle que temos sobre a vida, por mais que tentemos planejar e organizar tudo com cuidado. Tudo muda da forma mais inesperada e tudo é assustadoramente imenso. Somos pequenos demais.”

Apesar disso tudo, meu ponto negativo é que faltou um quê a mais no enredo. Não sei dizer bem o que, mas faltou um detalhe a mais, um conflito ou divertimento extra pra fazer a gente chacoalhar. É como se a história seguisse uma maré tranquila sem maiores emoções. Além disso, a série tem muitos personagens e acabei ficando perdida com tantos nomes e títulos. O fato de se passar em vários ambientes também fez algumas coisas se perderem, como os integrantes do clube, que basicamente somem boa parte do livro. Apesar disso, ainda quero continuar a série e não vejo a hora de conhecer as histórias dos outros companheiros de Hugo!

A série em inglês conta com sete livros, porém no Brasil, até o momento temos apenas três volumes publicados. As edições da Editora Arqueiro estão lindas! A arte de capa minimalista me agradou bastante e os outros livros seguem o mesmo estilo, como vocês podem ver abaixo.

Outras quotes que merecem destaque:

  • “(…) Como tinham chegado àquele ponto? Alguns momentos antes, ele desnudava a alma para ela. mas talvez aquilo fosse a explicação. Talvez a emoção que ele vinha sentindo precisasse ser traduzida de outra forma, algo mais suave e mais familiar”;
  • “Ele se irritava principalmente porque ela o perturbava. Não que desgostasse dela, como no dia anterior. Mas ela fazia parte de um mundo desconhecido. Era bela, elegante, bem-vestida, segura de si e encantadora. Tudo o que uma dama deveria ser. E ela o atraía, o que o incomodava. Sempre fora capaz de olhar para as damas – até apreciar sua beleza e encantos – sem desejá-las. Não se deve desejar espécies desconhecidas, por mais belas que sejam”;
  • “O medo deve ser desafiado, foi o que descobri. Ele fica poderoso quando permitimos que nos domine”;
  • “E assim decisões de grande importância eram tomadas, pensou ela. De forma impulsiva, sem a devida consideração. Com o coração, em vez de usar a cabeça. A partir de um impulso, sem levar em conta uma vida inteira de experiências e moralidade”;
  • “Se não era paixão o que estava sentindo por ele, pensou, não saberia que outra palavra poderia descrever o estado em que seu coração se encontrava. Era mais do que a sede do desejo ou a lembrança do que tinham feito naquela enseada”;
  • “Ele queria ter a capacidade de compreender melhor as mulheres. Era um fato que não diziam metade do que pensavam”;
  • “Uma coisa era estar apaixonada por um homem – até mesmo fazer amor com ele. Casar-se era algo totalmente diferente. O casamento era bem mais do que amar e fazer amor”;
  • “Sonhos da juventude são preciosos. Não devem ser considerados irrealistas e tolos só por serem jovens. A inocência não deve ser destruída por uma convicção insensível de que o cinismo realista seria melhor do que ela”;
  • “A vida era feita de escolhas, e cada uma delas, mesmo as mais insignificantes, faziam a diferença na trajetória da pessoa”.
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Fonte: Renata Vidal

NOTA: 4

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Ufa! Ainda destaquei muito mais quotes (foram 27 no total), porém ia acabar reproduzindo o livro inteiro aqui no post, rs. Recomendo fortemente pra quem ama um romance de época bem escrito com um amor lindo e arrebatador!

E vocês já leram? O que acharam? Compartilhem os sentimentos com a leitura aí nos comentários que vou adorar saber! 😉

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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