Resenha: A Garota Que Eu Quero, de Markus Zusak

“(…) Tenho uma fome enorme de ser alguma coisa, de ser alguém. Está me ouvindo? – Ele estava. – Não vou me rebaixar nunca. Não diante de você. Nem de ninguém. – Encerrei o assunto. – Eu tenho fome, Steve. Às vezes acho que essas foram as melhores palavras  que eu já disse.”

Oi, oi, gente!

Minha história com “A Garota Que Eu Quero“, publicado pela Editora Intrínseca (2013, 175 páginas), do autor Markus Zusak (o mesmo de “A Menina Que Roubava Livros“), é muito longa. Tinha ele na estante desde 2013 e nunca conseguia levar a leitura até o final, embora tivesse tentado ao menos 3 vezes… Estou feliz de finalmente ter concluído ele e riscado da listinha, mas a leitura não foi o que eu esperava…

agarotaqueeuquerolivroA Garota Que Eu Quero” conta a história de Cameron Wolfe, caçula de três irmãos e o mais quieto da família. Ele não é nada parecido com Steve, o irmão mais velho e astro do futebol, nem com Rube, o do meio, cheio de charme e coragem e que a cada semana está com uma garota nova.

Cameron daria tudo para se aproximar de uma garota daquelas, para amá-la e tratá-la bem, e gosta especialmente da mais recente namorada de Rube, Octavia, com suas ideias brilhantes e olhos verde-mar.

Cameron e Rube sempre foram leais um com o outro, mas isso é colocado à prova quando Cam se apaixona por Octavia. Mas por que alguém como ela se interessaria por um perdedor como ele? Octavia, porém, sabe que Cameron é mais interessante do que pensa. Talvez ele tenha algo a dizer, e talvez suas palavras mudem tudo: as vitórias, os amores, as derrotas, a família Wolfe e até ele mesmo.

“Acho que, quando alguém lhe conta uma coisa que costuma guardar, você se sente privilegiado, não por saber algo que ninguém mais sabe, mas por se sentir escolhido. Dá a impressão de que aquela pessoa quer que a vida dela se entrelace com a sua.”

O que achei:

Bem, a sinopse é pequena, mas diz bastante coisa do que você vai encontrar no livro, que é relativamente curto. O enredo é, basicamente, como um diário de Cameron – ou Cam – e fala sobre seus sentimentos, incertezas e, mais, sobre o descobrimento de si mesmo.

Acredito que o livro tinha tudo para ser excelente. Uma boa ideia, um bom ambiente para desenvolver os personagens. Mas ainda estou tentando encontrar as palavras e os sentimentos certos para descrever o quanto me decepcionei com o livro, pois sei que ele é queridinho de muita gente.

Digo que o livro tinha tudo pra ser excelente porque o tema, aparentemente sem qualquer atrativo (a vida e a rotina comum de um adolescente), foi levado para um nível mais poético. É raro encontrarmos protagonistas que não são os super bad boys musculosos e lindos. Cam é “normal”, calmo, bom e, ao invés de se encontrar nos esportes, encontra respostas e consolo nas palavras.

“Foi assim que o derrotou. Foi assim que venceu. Fez a única coisa de que eles não eram capazes.”

Porém, a escrita do Zusak e o formato do livro não conseguiram me prender em nada. Pra começar, os fatos acontecem rápido demais, mudam de forma brusca, sem qualquer divisão de parágrafo ou capítulo, e faltam diálogos demais onde eles deveriam, SIM, existir.

Tive a impressão de que os personagens ficavam o tempo todo calados encarando um ao outro… Eles têm uma forma muito, muito estranha de interagir, com diálogos incoerentes que surgem por acaso em situações aleatórias, e até meio robótica (no caso de Steve). O personagem parecia uma máquina. O mais real e humano pra mim foi Rube, com suas brincadeiras e ironias. Apenas.

Narrado em primeira pessoa, pelo Cameron, é como se você estivesse o ouvindo falar sobre diversos acontecimentos aleatórios do dia a dia dele, com uma memória escassa do que aconteceu.

“A gente pode fazer qualquer coisa quando não é real. Quando é real, não há nada para conter a queda. Nada entre você e o chão, e, naquela noite no parque, eu nunca me sentira tão real. Nunca me sentira tão sem controle. Parecia ser como era e como sempre seria.”

Não consegui me conectar aos personagens, nem sentir a fundo os sentimentos de Cameron em seus poemas… Minha impressão é que tudo ficou muito superficial, e o leitor foi tolido de mergulhar mais na problemática dele. Quem nunca se sentiu perdido, completamente sem sentido na vida, incapaz de ser bom em alguma coisa?

Longe de ser depressivo, acredito que a intenção foi mostrar realmente esse período desesperador da adolescência em que nada dá certo, mas, de repente, as coisas simplesmente começam a se encaixar.

Ainda, apesar do título e do que a sinopse dá a entender, o livro não tem muito romance e não foca apenas na vida amorosa de Cam. No geral, tem muito mais a ver com a relação dos irmãos, o amor incondicional entre eles e importância da família, o que não foi ruim pra mim, e sim um ponto positivo. ❤

Mas, ainda assim, não foi o suficiente pra eu achar a leitura atraente (embora válida). Acredito mesmo que meu problema com ele foi, repito, apenas o desenvolvimento do enredo e a narração… Ouso dizer que amaria uma adaptação para o cinema! Acho que seria um daqueles raros casos onde o livro vai ser bem melhor que o filme!

“É engraçado como há coisas neste mundo que só nos enchem o saco, mas de que a gente sabe que vai sentir falta quando se forem.”

Talvez muita gente não saiba (eu mesma era uma delas até pouco tempo atrás), mas “A Garota Que Eu Quero” é o terceiro livro de uma trilogia, que conta a história dos Irmãos Wolfe.

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O primeiro livro chama-se “The Underdog” e o segundo, “Fighting Ruben Wolfe“. Ambos foram traduzidos e publicados no Brasil pela Editora Bertrand Brasil sob os títulos “O Azarão” e “Bom de Briga“, mas, por algum motivo, a Editora não continuou com a publicação do terceiro (amei o estilo das capas!).

A princípio, o terceiro livro se chamava “When Dogs Cry” (algo como “Quando os Cães Choram”, em uma alusão a vertente canina para o qual os poemas de Cameron se voltam). Posteriormente, trocou de título, passando a se chamar “Getting the Girl“, o qual foi traduzido pela Intrínseca como “A Garota Que Eu Quero” e vendido como um livro solo.

Apesar de toda essa confusão, não é necessário ler os dois primeiros livros para compreender “A Garota Que Eu Quero“, embora você com certeza tenha um vislumbre maior sobre as personalidades de Rube e Steve, os irmãos mais velhos. Honestamente, confesso que não tinha interesse de ler nenhum dos dois, nem fui levada a desejar conhecer os dois outros personagens lendo o terceiro, mas alguns seguidores recomendaram fortemente que eu dê uma chance a eles, rs, então já coloquei em um listinha de leituras futura.

NOTA: 2

Lembrando que a minha experiência com a leitura foi essa mas não deixo de recomendar o livro, uma vez que cada leitor tem uma percepção diferente da história! 😉

E vocês que já leram, o que acharam do livro? Discordam ou concordam comigo em algum aspecto? Vou adorar saber a opinião de vocês!

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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