Resenha: É Assim que Acaba, de Colleen Hoover

“amo quando o céu me faz sentir insignificante.”

Oi, oi, gente!

Vamos retomar as resenhas das leituras do ano passado. Minha 13º leitura de 2018 foi “É Assim que Acaba“, da autora Colleen Hoover, publicado pela Editora Galera Record (2018, 368 páginas).

Confesso que, até esse livro, não tinha um bom histórico com a autora, como vocês já conferiram por aqui na resenha do primeiro livro que li dela, “O Lado Feio do Amor“. Embora ela seja bastante querida e popular, tentei começar outro livro dela e não consegui avançar. Assim, comecei receosa a leitura desse título, porém me surpreendi!

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Antes de mais nada, o livro conta a história da Lily, uma moça que nem sempre teve uma vida fácil. Porém, isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida que ela tanto sonhava: percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine, até se formar em Marketing, mudar-se para Boston e abrir sua própria loja.

Então entra na vida dela um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid e tudo parece  se encaixar. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora.

Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça – seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco.

“Também sinto uma forte atração por você. Não tem muita coisa em você que eu não goste. Mas espero que a gente nunca mais se encontre, porque não gosto do tanto que penso em você. Não é grande coisa, mas é mais do que eu gostaria.”

O que achei:

Eu já sabia que a proposta do livro era mais ousada que as anteriores, pois aqui a autora conta uma história arrasadora, onde o tema central é o abuso e a violência doméstica. Mesmo assim, eu não estava completamente preparada para o que encontrei nas páginas de “É Assim que Acaba“.

O livro mal começou e eu já estava marcando várias quotes que me chamaram atenção. O começo, meio duvidoso e com aquele “instalove” carregado de tensão sexual típico da autora, me deixou com algumas dúvidas. Mas a escrita dela, extremamente gostosa, me fez continuar lendo sem nem reparar o tempo passar.

“Acho que entender o timing para comédia é uma das coisas mais importantes na personalidade de uma pessoa.”

O primeiro ato de violência doméstica foi… Nem sei expressar… Um grande choque pra mim. Foi como se aquela ação tivesse atravessado as páginas e me atingido. O livro é um grande exercício de empatia, pra gente se colocar no lugar do outro e imaginar quantas e quantas mulheres já passaram por isso, as “desculpas” dadas para permanecer na mesma situação delicada achando que as coisas vão mudar e não mudam…

Lily, apesar de tudo, é uma personagem muito forte, que suporta tantas coisas… É fácil colocar-se no lugar dela, sentir o desespero e a desolação, a angústia… Me emocionei bastante e fiquei com um nó enorme na garganta em inúmeras partes.

As situações criadas pela autora nos fazem questionar nossas próprias atitudes se passássemos por situação semelhante. A gente fica torcendo pra não ser verdade, para aquele mocinho perfeito não ser o abusador, pra personagem sair disso tudo, pra ela tentar de novo… É muito louco o efeito que a CoHo causa. Uma dualidade de sentimentos tão intensa que, mesmo que já tenhamos uma prévia opinião sobre o assunto, acabamos nos questionando várias vezes durante a leitura.

“Não sei como ele me acalmou sem dizer nada, mas foi o que aconteceu. A simples presença de algumas pessoas acalma, e com ele é assim.”

A leitura segue o ritmo do outro livro que li da autora, com fases no presente e a relação de Lily com Ryle, e flashbacks do passado, onde se encontra Atlas. A relação dela com esse último é bem diferente e talvez levemente inverossímil, mas cheia de nuances delicadas. É preciso prestar bastante atenção em pequenos detalhes que, juntos ao final da leitura, trazem uma revelação tão gostosa que não tem como não suspirar. Foi como juntar várias preciosidades em um potinho, de verdade.

Terminei a leitura com a sensação de “Uau! Que livro!”. Ele é, simplesmente, necessário. Embora tenha me emocionado em partes específicas, foram nas notas da autora que derramei lágrimas. Pela primeira vez a Colleen me agradou, especialmente por saber tudo que ela teve que enfrentar durante sua própria vida. Queria abraçá-la tão logo finalizei o livro…

“Isso é bom.

Sim, estou chorando.

Mas vai passar. É a natureza humana: curar uma ferida antiga e preparar uma nova pele.

Só isso.”

É muito difícil colocar em palavras o que esse livro me causou. O li em apenas uma madrugada, o que é bem difícil de acontecer. No mais, recomendo fortemente pra quem aguenta o assunto tratado (tomem cuidado, pois pode trazer gatilhos), pra quem quer conhecer a autora tomando um banho de realidade e, principalmente, pra quem já é fã dela e ainda não o leu.

Depois desse livro, tentarei dar outras chances para a autora e espero ser tão surpreendida quanto fui com a vida conturbada de Lily! ❤

“- Você tem que parar de ser tão perfeito – respondi. – Já é minha pessoa preferida, mas agora está ficando injusto com todos os outros seres humanos, porque ninguém nunca vai conseguir te alcançar.”

Espalhei algumas das quotes que gostei aqui pelo post, porém também se destacam:

  • “Todo mundo erra. O que determina o caráter de uma pessoa não são os erros cometidos. É como ela usa esses erros e os transforma em aprendizados, não em desculpas.”
  • “Penso que, às vezes, por mais que você esteja convencida de que sua vida vai seguir determinado rumo, toda a certeza pode sumir com uma simples mudança da maré.”
  • “- Lily. A vida é engraçada. A gente só tem alguns anos para viver, então precisamos fazer o possível para viver esses anos intensamente. Não devemos perder tempo com coisas que talvez aconteçam algum dia ou então nunca.”
  • “Talvez o amor não seja um ciclo completo. Apenas suba e desça, entre e saia, assim como as pessoas em nossas vidas.”
  • “E nós, seres humanos, não podemos aguentar sozinhos toda nossa dor. Às vezes, precisamos dividi-la com quem nos ama, assim o peso não nos faz desmoronar.”
  • As pessoas passam tanto tempo se perguntando por que as mulheres não vão embora… Onde estão as pessoas curiosas do porquê os homens serem violentos? Não é aí que deveria estar a culpa?
  • “Não paramos de amar uma pessoa só porque ela nos magoou. Não são suas ações que magoam mais. É o amor. Se não houvesse amor ligado à ação, a dor seria um pouco mais fácil de suportar.”

NOTA: 4

Mas e vocês, são fãs da CoHo ou ainda não conhecem a autora? Qual seu livro preferido dela e que devo ler depois da experiência com esse? Comentem que vou adorar saber – e ler pra trazer pra vocês o que achei! ❤

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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