Resenha: Mary Poppins, de P. L. Travers

“Os olhos de Mary Poppins estavam fixos no menino e, de repente, Michael descobriu que não se pode olhar para Mary Poppins e mesmo assim desobedecer a ela. Existia algo estranho e extraordinário nela – alguma coisa que era ao mesmo tempo assustadora e muito instigante”.

Oi, oi, gente!

Ano passado, em dezembro, tive a honra de mediar, aqui no Amapá, o 1º Clube de Leitura Clássicos Zahar! Esse selo da Editora Zahar, como o próprio nome já diz, publica diversos clássicos com uma qualidade impressionante! Para nossa primeira leitura, escolhemos ler “Mary Poppins“, da autora P. L. Travers, traduzido por Joca Reiners Terron (Editora Zahar, 2018, 232 páginas), por conta do lançamento, também em dezembro, do filme “O Retorno de Mary Poppins“, baseado no segundo volume da franquia, de mesmo nome.

mary-poppins-capa-livro.jpg

Li o livro ano passado para o encontro, porém, quando tenho que trabalhar o livro, acabo analisando mais do que me divertindo com a leitura. Por isso, o reli agora no início de 2019. Esta foi, portanto, minha 2ª leitura do ano! ❤

Mary Poppins” é o primeiro de uma série de oito livros infantojuvenis, publicado originalmente em 1934. A personagem principal é uma babá mágica inglesa, que aparece em uma tempestade de vento para cuidar das crianças da família Banks, que são quatro: Michael, Jane e os gêmeos John e Barbara. O nome da babá dá nome à série e ao seu primeiro livro.

“Além disso, Mary Poppins era muito vaidosa e gostava de estar vestida da melhor maneira possível. Assim, ela tinha a certeza de nunca se parecer com nenhuma outra pessoa.”

O que achei:

Quase todo mundo que conheço cresceu lendo ou assistindo Mary Poppins, e eu fui uma exceção. Sabia quem era a personagem, por ser absolutamente icônica, mas não tinha tido nenhum contato com sua história.

O livro é como uma reunião de vários contos com diferentes histórias envolvendo a babá e as crianças, desde sua chegada enigmática na vida da família até sua partida. A diferença é que Mary não é uma babá comum: ela parece ter poderes mágicos e várias coisas fantásticas acontecem com as crianças, especialmente Jane e Michael, os mais velhos, quando eles estão com ela. Flutuar para tomar chá, animais falantes, vacas que dançam, comemorar o aniversário no zoológico (onde os animais estão livres e os humanos são atrações), além de costurar estrelas no céu e entrar, literalmente, em quadros são algumas das situações inusitadas que vivemos junto com eles.

O porém é que os dois pequenos nunca sabem se toda essa magia realmente aconteceu, ora por que Mary Poppins nega os eventos ocorridos, ora porque tudo parece se desvanecer na frente deles – seria, então, um sonho?

“- Bom, se você já sabe, por que se dar ao trabalho de me perguntar? – disse Mary Poppins, fungando. – Eu não sou um dicionário.”

Confesso que levei um choque de realidade com a própria Mary Poppins. Temos aquela visão de que as babás da ficção são sempre amorosas e consoladoras, carinhosas e angelicais. Mary é, na maioria das vezes, muito ríspida com as crianças – e elas até temem atingir seu humor e evitar comportamentos, inclusive inofensivos, que possam afetar a babá. Além disso, ela é extremamente vaidosa e se importa muito com sua aparência, por vezes negligenciando as crianças para conferir seu visual. Não sei até que ponto essas características contribuem para algo no enredo.

marypoppins_comentado.jpgOs dois, Michael e Jane, são crianças curiosas e falantes, e adorei os dois, embora Michael ganhe um capítulo inteirinho em que a vontade é dar umas palmadas nele, rs. Os gêmeos sempre estão presentes, porém recebem mais destaque em apenas um capítulo – um dos mais emocionantes do livro.

De forma geral, “Mary Poppins” fala sobre a inocência das crianças e a perda do encanto da vida a medida que crescemos – afinal, aos olhos adultos, todos os acontecimentos não passam de imaginação infantil. Talvez eu não tenha captado a essência de todas as situações, mas foi uma experiência gratificante ler esse clássico! Espero continuar lendo a série para saber onde a babá irá nos levar! ❤

Sobre a edição física, a Zahar não podia ter feito edição mais linda! O livro foi lançado em duas versões: uma com capa maior, comentada e ilustrada (ao lado, em azul), e a versão que possuo, pocket (no topo do post), também com as ilustrações originais e acabamento de luxo, com folhas de guarda coloridas. Uma preciosidade pra se ter na estante!

Outras quotes que merecem destaque:

  • “Somos todos feitos da mesma matéria, lembre-se, nós da Selva, vocês da Cidade. A mesma substância nos compõe, a árvore logo acima, a pedra debaixo de nós, a feiura, a beleza. Somos um só, todos rumando para o mesmo final. Lembre-se disso, mesmo quando você não se lembrar mais de mim, minha criança.”;
  • “- Foi o que eu imaginei. Sabe – Maia disse, virando-se para Michael -, o sentido do Natal é que as coisas devem ser dadas aos outros, concorda?”.

NOTA: 3

mary-poppins-julie-andrews-filme

Adaptações e outros filmes:

A história por trás da primeira adaptação de Mary Poppins traz uma carga bem interessante, talvez até mais que seu próprio livro. Walt Disney insistiu por ANOS (20, para ser mais precisa) para conseguir comprar os direitos com a autora. Os dois tiveram uma relação profissional turbulenta, que foi coroada com a autora odiando o resultado final do filme, que se tornou um musical, baseado em seu precioso livro.

O clássico foi lançando em 1964 e teve Julie Andrews no papel da babá. Ela, pra quem não sabe, é a atriz que fez “A Noviça Rebelde” e, mais recente, a avó de Mia Thermopolis em “O Diário da Princesa” 1 e 2.

Apesar de a autora não ter curtido a adaptação, o filme foi bastante premiado, sendo indicado, em 1965, a oito Oscars, vencendo outros cinco: Melhor Atriz, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição, Melhor Canção Original e Melhor Trilha Sonora.

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Depois, em 2013, foi lançado o filme “Walt nos Bastidores de Mary Poppins“, com Tom Hanks como Walt Disney e Emma Thompson interpretando a autora P. L. Travers, que, como o nome já diz, fala sobre a disputa travada entre os dois na produção do musical.

Por fim, ano passado, 2018, a adaptação do segundo livro da série tomou forma. Agora é Emily Blunt (de “Um Lugar Silencioso”) quem dá vida a babá em “O Retorno de Mary Poppins“. O filme está no páreo do Oscar 2019, sendo indicado pra três categorias: Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte. Vamos ver se ele vai levar algum desses títulos pra casa!

Vocês já leram? O que acharam? Já assistiram aos filmes também?

Compartilhem os sentimentos com a leitura aí nos comentários que vou adorar saber! 😉

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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