Resenha: Ouvi Essa Música Antes, de Mary Higgins Clark

“Quantas vezes eu já ouvira aquela música? Quando as últimas notas, lindas, se desvaneceram no silêncio, comecei a pensar no que acontecera na capela da mansão anos antes: ‘Já ouvi essa música antes.’ Teria o episódio mais importância do que eu imaginará?”

Oi, oi, pessoal!

Um dos meus tios, leitor viciado, me emprestou vários livros que ele queria que eu lesse de qualquer jeito. Já estou enrolando ele há um tempão, mas finalmente consegui começar a dar andamento nas minhas leituras atrasadas e, agora, vou ter que dar conta também da listinha que ele me passou, rs. Em outra postagem compartilho com vocês quais as obras que estão aqui, me encarando!

O primeiro da lista é “Ouvi Essa Música Antes” (título original: “I Heard That Song Before“), publicado pela Editora Record (2012, 400 páginas), da autora Mary Higgins Clark.

Caso você esteja se perguntando se já viu essa história em outro lugar, esse livro foi publicado anteriormente com o título “Já Ouvi Essa Música Antes” pela Editora Readers Digest em 2007, naquela versão capa dura que contempla 4 livros em apenas uma edição. Essa foi a versão que li mas, como ela é mais difícil de encontrar, vou utilizar como referência a versão mais atual.

Bem, quando meu tio me passou esse e outros títulos pra ler, disse que não iria atrás de nenhuma resenha ou sinopse a respeito deles, para que a leitura fosse uma surpresa e eu não tivesse qualquer tipo de resistência quanto aos livros. A princípio, pelo título, e até mesmo pela capa, imaginei que se tratava de um romance. Puro engano! Apesar de também fazer parte desse gênero, “Ouvi Essa Música Antes” é, antes de tudo, um suspense policial.

ouvi essa musica antes livro

Kay, a personagem principal do livro, é filha de um paisagista chamado Jonathan Lasing. Quando Kay era criança, por volta de seus 6 anos de idade, Jonathan trabalhava para uma das famílias mais ricas de Englewood: os Carrington. Certa noite, ele a leva até a mansão dos Carrington e pede que ela o aguarde alguns minutos no jardim enquanto ele verifica a iluminação de seu projeto. Nesse meio tempo, Kay resolve explorar a mansão da família e encontra uma capela. Nela, testemunha um episódio onde um homem e uma mulher parecem discutir e, após, o homem assovia uma música que Kay conhecia. Porém, sua presença não é notada e ela nunca fala sobre esse episódio com ninguém.

Nesta mesma noite, a jovem Susan Althorp, então com 18 anos, desaparece ao final de uma festa na mansão. As suspeitas recaem sobre Peter Carrington, herdeiro da família, que namorava a moça na época. Sem provas que possam incriminá-lo, ele é liberado.

Alguns anos depois, Peter casa-se com Grace Carrington. Os dois se desentendiam por Grace ser alcoólatra e, além do mais, estar grávida. Em outra noite de festa na casa dos Carrington, Grace fica embriagada. Na manhã seguinte, é encontrada morta na piscina, ainda com as roupas que usava na noite anterior. Mais uma vez, apesar de não haverem provas, a culpa recai sobre Peter. Ele é visto pela população local como assassino e autor dos crimes envolvendo sua namorada de adolescência e sua ex-esposa.

Kay entra na vida de Peter ao solicitar a ele, quatro anos depois da morte de Grace, o espaço do jardim da mansão para a realização de um evento beneficente. Os dois se apaixonam e se casam, contrariando não só a promotoria e a população local, como os parentes de Kay, já que todos acreditam piamente que Peter é um assassino. Agora, ela tenta juntar as peças do passado para provar que seu marido não é o culpado.

“Racionalmente, desde o dia anterior, eu sabia que era provável que isso acontecesse. Mas prever algo e vê-lo de fato acontecendo é a diferença entre pesadelo e realidade. Dois detetives se aproximaram de Peter. Ao se dar conta do que estavam para fazer, ele estendeu as mãos. Ouvi o estalido das algemas.”

O que achei:

Bem, este livro a todo momento me lembrava de um episódio de Cold Case, com aqueles flashbacks do passado e a apresentação dos personagens no estilo “antes e depois”. Daria um ótimo filme!

A história é bem intrigante porque gira em torno de três assassinatos e muitos suspeitos, porém nenhum culpado. Sempre surge uma nova pista ou evidência de quem poderia ser o autor dos crimes e a gente se perde durante a leitura acusando um ou outro, quando, na verdade, nada é o que parece. Até os próprios personagens ficam confusos e achei isso bem legal. Tomei o maior susto com o desfecho final, porque realmente não suspeitava do verdadeiro culpado.já ouvi essa musica antes livro

Demorei um pouco para engrenar na leitura. A história parece novela brasileira: tem tantos personagens, mas tantos, que tive de anotar o nome deles e o que eram em um pedacinho de papel e dar uma olhadinha vez ou outra, porque senti dificuldade, no início, em dizer quem era quem. Até o final da leitura, você se acostuma com os nomes, sobrenomes e já consegue montar a árvore genealógica das famílias, rs.

Outra coisa que achei curiosa foi a forma como cada capítulo foi escrito. Alguns estão na 1ª pessoa, com narração da Kay. Outros, intercalados, estão em 3ª pessoa e geralmente narram a saga do detetive da história em busca de novas pistas para tentar descobrir o assassino. Isso também contribuiu para que eu não tenha gostado do livro logo de cara, mas me acostumar com a estrutura também foi só uma questão de tempo.

Apesar da grande quantidade de personagens, como disse, o livro não deixa a desejar: todos são perfeitamente bem feitos e cada um tem sua parcela de importância na história, mesmo os coadjuvantes. Achei interessante a forma como a autora enrolou um acontecimento em outro, onde, a princípio, não percebemos como eles serão capazes de se conectar ou quais detalhes farão sentido. A folha de uma revista, uma camisa, um assovio, um quadro… Tudo isso caminha para o momento do clímax onde o culpado é finalmente revelado.

Só encontrei dois pontos negativos, que nada tem a ver com o livro em si, mas com questões pessoais. Há certos momentos onde não consegui sentir, na escrita, a emoção que a cena merecia. Talvez por ser um livro relativamente pequeno, certos momentos não foram bem aprofundados.

Outro ponto foi que não senti nenhuma conexão especial com algum personagem. Embora tenham sido bem delineados, pois dá para perceber a personalidade que cada um tem, percebi, novamente, que faltou um pouquinho mais de profundidade. Quem sabe a quantidade de personagens não fez a autora ficar apenas na superfície de cada um, para não deixar a leitura cansativa. Ou o foco estava nos crimes, e não nas relações dos personagens. Ou quem sabe a culpa é minha mesmo por estar mal acostumada com outros contos, rs.

De qualquer forma, é um ótimo livro! Recomendo muitíssimo a leitura, especialmente para quem ainda não está acostumado com o gênero, como eu (que geralmente leio mais romances e fantasias).

mary e carol.jpg

Também foi a primeira vez que li uma das inúmeras obras da Mary Higgins Clark e fiquei impressionada com a inteligência dela ao ler sua biografia. Ela própria tem uma história de vida que dava um livro! Nascida no Bronx em 1927, perdeu o pai com 10 anos de idade, enquanto sua família passava por uma difícil situação econômica.

Ainda assim, terminou os estudos e formou-se em Secretariado (identificação total com a minha formação, rs). Seu primeiro marido foi um amigo de longa data. Em 1964, ele faleceu devido a um ataque no coração, deixando-a só, com cinco filhos. A partir daí, ela se dedicou a escrita e, em 1975, publicou “Where are the children?“, que se tornou seu primeiro best-seller.

Possui doutorado em Filosofia e recebeu outros 16 doutoramentos honoris causa! Mary casou-se novamente com 69 anos e, em 2007, com 80 anos, escreveu “Já ouvi essa música antes”. Atualmente, ela tem 91 anos. Diversos dos seus livros foram escritos em co-autoria com sua filha, Carol Higgins Clark.

Interessante, não? ❤

NOTA: 4

 O que acharam do livro? Já leram alguma obra da Mary? Me contem!

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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