Resenha: O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett

“Até uma menininha desagradável podia ser solitária, e a grande casa fechada, o grande pântano vazio e os grandes jardins vazios fizeram-na sentir-se como se não houvesse ninguém abandonado no mundo, exceto ela.”

Oi, oi, pessoal!

Continuando minhas leituras do ano passado, meu 14º livro finalizado em 2018 foi “O Jardim Secreto“, de Frances Hodgson Burnett, publicado pela Editora Dracaena (2012, 312 páginas).

livro o jardim secretoEsse livro é um grande clássico, publicado pela primeira vez em 1911, sendo considerado um dos mais importantes livros infantojuvenis do século XX – tanto é que já foi publicado em diversos países e teve milhões de exemplares vendidos, além de adaptações para a TV e o cinema.

O livro conta a história de Mary Lennox, uma garotinha mimada e arrogante que ninguém gosta de ter por perto. Descendente da aristocracia inglesa, mas nascida e criada na Índia, Mary, com apenas dez anos, vê sua vida se transformar após perder os pais. Ela fica, então, sob a guarda de seu misterioso tio, a quem nunca conheceu, e é obrigada a se mudar para a Inglaterra, indo morar na mansão dele, no condado de Yorkshire.

Lá, ela conhece os moradores da casa e descobre que a mansão possui muitos segredos por trás de suas paredes e seus portões trancados, incluindo um jardim secreto. Desbravando o local e aprendendo a ser uma criança como todas as outras, a menina faz amizades que podem transformar a vida de todos ao seu redor.

“Um sorriso tardio espalhou-se por ele, e o jardineiro olhou-a de forma diferente. Isso a fez pensar que era curioso perceber que uma pessoa parecia muito mais bonita ao sorrir. Não tinha pensado naquilo antes.”

O que achei:

Esse foi um dos vários filmes que sempre assistia na Sessão da Tarde e tinha uma imagem clara de Mary, sempre mimada e mal educada, destratando as criadas que cuidavam dela. Fiquei receosa de sentir a mesma antipatia pela criança, mas o livro foi, no final das contas, uma grata surpresa – e a minha maturidade, tanto quanto leitora quanto como pessoa, me fez ver a história com outros olhos!

A leitura é muito gostosa e fluida e, apesar das 312 páginas, o livro parece muito curto de tão agradável que é. Mary é uma criança arrogante, porém é bastante compreensível seu comportamento. Ela basicamente é desprezada por todos ao seu redor, principalmente seus pais e, numa clara tentativa de chamar a atenção deles, age dessa forma.

“Quando não são desejadas, as crianças quase nunca prosperam.”

É muito triste vê-la sendo esquecida e levada de um lado a outro, como uma boneca. Além disso, ela é magrinha e nada saudável, por não ter uma infância comum, com brincadeiras ao ar livre e, principalmente, sem amor, carinho e cuidados. Imaginei que o livro fosse seguir a linha do filme e ser mais dramático, porém não o é. É delicioso acompanhar a transformação de Mary, de uma menina franzina e insuportável a uma criança linda, saudável, confiante e agradável, embora mantenha seu gênio forte.

A menina descobre, aos poucos, como é ser uma “criança de verdade”, por meio da convivência com os funcionários da mansão e Dickon, irmão de sua nova governanta. Existe, porém, um grande mistério envolvendo todos na casa, que Mary começa a perceber por conta de barulhos estranhos que ouve durante a noite e o comportamento desconfiado dos empregados.

“- Pessoas egoístas sempre dizem isso. Consideram egoísta qualquer um que não faz o que querem.”

A história como um todo é bastante sensível e, por termos a figura das crianças como protagonistas, há uma boa dose de fantasia, não no sentido do aparecimento de seres fantásticos, mas daquela inocência infantil onde é possível se comunicar com os animais e as plantas (ou seria essa a verdadeira essência da vida, esquecida na fase adulta?).

As partes que falam sobre o jardim, a fauna e a flora geralmente são bastante extensas, porém fazem parte do charme da trama, uma vez que estimula a nossa imaginação e proporciona uma imersão completa no jardim secreto.

mary o jardim secreto.jpg

Vou me abster de comentar mais do que isso para que quem ainda não conhece a história possa ter a surpresa dos acontecimentos conservada durante a leitura. Abaixo, separei algumas outras quotes que merecem destaque (desculpem pelo tamanho dos trechos, mas não consegui me controlar, rs):

  • “Não estava acostumada com o mau-humor de qualquer outra pessoa, exceto com o seu próprio”;
  • “Ninguém, exceto o próprio Colin, soube que efeito aquelas palavras infantis, ditas com irritação, tiveram sobre ele. Se ele alguma vez tivesse alguém para conversar sobre seus terrores secretos, se alguma vez se atrevesse a se permitir fazer perguntas… Se tivesse companhias infantis e não ficasse deitado de costas na enorme casa fechada, respirando uma atmosfera pesada, devido aos medos das pessoas que eram, na sua maioria, ignorantes e cansadas dele, teria descoberto que seus medos e doenças foram criadas por ele próprio. Mas estava sempre deitado, pensando apenas em si mesmo, em suas dores e cansaços por horas, dias, meses e anos”;
  • “Isso vai fazê-lo rir, e não há nada tão bom para uma pessoa doente quanto o riso”;
  • “Uma das coisas mais estranhas de se viver no mundo é que só há o agora, então tem-se a certeza de que pelo menos alguém irá viver para sempre, sempre e sempre. Alguém tem essa certeza, pelo menos às vezes, quando acorda ao doce e solene alvorecer e sai, fica sozinho, joga sua cabeça para trás para olhar para cima e olha para o céu pálido, lentamente modificando-se e ruborizando, e coisas maravilhosas e desconhecidas acontecem a Leste, quase fazendo alguém chorar, e o coração desse alguém para na estranha e imutável magnitude do nascer do sol, que acontece toda manhã há milhares e milhares e milhares de anos. Alguém sabe disso, pelo menos por um momento.
    Outro, às vezes, sabe disso quando alguém fica solitário, encostado em uma madeira ao pôr do sol, e o silêncio misterioso, profundo e dourado, inclinado através dos galhos parece estar dizendo lentamente, uma e outra vez, que não consegue ouvir, por mais que tenha tentado. E então, às vezes, a imensa quietude da escuridão da noite, com seus milhões de estrelas que aguardam e observam, dão uma certeza; e às vezes, um som de uma música vindo de longe, torna tudo verdadeiro; e às vezes basta apenas o olhar nos olhos de outra pessoa”;
  • “- É claro que deve haver muita mágica no mundo. – ele disse sabiamente um dia. – Mas as pessoas não sabem como ela é ou como fazê-la. Talvez seja um começo, dizer que coisas boas irão acontecer até que você realmente consiga que elas aconteçam”;
  • “Uma das coisas novas que as pessoas começaram a descobrir no último século foi que os pensamentos, apenas meros pensamentos, são tão poderosos quanto baterias elétricas, tão bons quanto o brilho do sol, ou tão cruéis para uma pessoa como veneno. Deixar um pensamento triste ou cruel entrar em sua mente é tão perigoso quanto deixar uma febre escarlate germinar em seu corpo. Se você permitir que ela fique lá depois que já se instalou, você pode nunca mais se livrar dela, se é que irá sobreviver”.

Lindas, não é? A adaptação, embora possua algumas diferenças, é de forma geral bastante fiel ao conteúdo do livro. Assim que terminei de ler fui assistir novamente e me surpreendi com o quanto o filme me tocou o coração (até chorei ao final, rs).

Li o livro em e-book, porém faço questão de adquirir no futuro para reler e ter na estante! ❤ Ele possui várias edições lindas de diversas editoras, para todos os gostos, porém meu sonho de consumo é a edição da Martin Claret, com capa vazada (AQUI).

NOTA: 4

Mas e vocês, leram ou já conheciam essa história da infância?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

4 thoughts

    1. Jura, Gio?! Nossa, eu vi direeeto na Sessão da Tarde, KKK! Espero que vc tenha a oportunidade de conhecer. É uma história maravilhosa! O “mistério” que a Mary encontra na mansão é mto amorzinho, mas não quis mencionar na resenha pra não dar spoilers. Eu tbm adoro! ❤ Bjs e obrigada pela visita!

      Liked by 1 person

  1. Eu lembro que a primeira vez que eu vi o filme eu era bem nova, achei a Mary insuportável e o filme chato. Depois vi de novo já adolescente e minha visão do filme mudou completamente, achei lindo! Agora depois dessa resenha quero ler também!

    Liked by 1 person

    1. Nossa, eu não suportava a Mary tbm, mas sempre amei o filme como um todo. No livro só dá vontade abraçar ela e chorar, KKK. É mto meigo e singelo, nem tenho palavras certas pra expressar… ❤ Feliz que te deixei com vontade de ler, yay!

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