Resenha: Pensei Que Fosse Verdade, de Huntley Fitzpatrick

“Talvez eu tenha me calado porque não sei o que dizer. Ou talvez porque finalmente entendi que às vezes nós nos apegamos a uma coisa… uma pessoa, um ressentimento, um arrependimento, uma ideia de quem somos… porque não sabemos o que buscar em seguida. Que o que fizemos antes é o que temos que fazer de novo. Que só há recomeços e segundas chances.”

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Oi, oi, gente!

Eis aqui meu 15º livro lido em 2018: “Pensei Que Fosse Verdade”, da Huntley Fitzpatrick, traduzido por Heloísa Leal e publicado pela Editora Valentina (2016, 336 páginas)! Estava com expectativas altas sobre a leitura, mas confesso que ela não foi como eu esperava.

“Você não vai passar o tempo todo digitando ou atendendo seu celular, vai? Quando estou na presença de outra pessoa, quero que ela esteja presente.”

Antes de mais nada, o livro com a história da Gwen Castle, uma adolescente que nunca quis tanto dizer adeus à sua ilha natal quanto agora: o verão em que o Maior Erro da Sua Vida, Cassidy Somers, aceita um emprego lá como faz-tudo. Ele é um garoto rico da cidade grande, e ela é filha de uma faxineira que trabalha para os veranistas da ilha. Gwen tem medo de que esse também venha a ser o seu destino, mas, justamente quando parece que ela nunca vai conseguir escapar do que aconteceu – ou da ilha -, o passado explode no presente, redefinindo os limites de sua vida. Emoções correm soltas e histórias secretas se desenrolam, enquanto Gwen passa um lindo e agitado verão lutando para conciliar o que pensou que fosse verdade – sobre o lugar onde vive, as pessoas que ama, e até ela mesma – com o que de fato é.

“Ainda me lembro da Sra. Ellington observando a separação entre o mar e o céu durante a nossa entrevista, Nic, Viv e eu fazendo o mesmo na noite passada, e pela primeira vez me dou conta de que nenhum de nós está vendo a mesma coisa. Que todos os nossos horizontes terminam em lugares diferentes.”

O que achei:

“Pensei Que Fosse Verdade” é, em suma, um livro adolescente na sua melhor forma, com os dramas típicos de uma personagem nessa fase da vida em que tudo, por menor que seja, parece grande coisa.

Assim como no outro livro publicado pela autora (trarei resenha dele em breve), aqui também temos um segredo, que é mencionado sutilmente em várias partes da trama até ser revelado pouco a pouco, o que pode ser cansativo em alguns momentos.

“Mas nunca se esqueça: não seja uma otária. Ferre os outros antes que eles ferrem você.”

Ele é escrito em primeira pessoa, na visão da Gwen, então dependemos dela para saber o que aconteceu em seu passado que tanto atormenta seu presente e deixa seu futuro nebuloso. Assim, o fluxo temporal não é contínuo, e temos alguns flashbacks dessas situações por meio de Gwen, como peças de um quebra-cabeça que vamos montando mentalmente aos poucos.

“É que talvez… você esteja tomando cuidado com as coisas erradas.”

Também semelhante ao livro anterior, este possui a forte presença das relações familiares. Gwen tem uma família nada convencional. Sua mãe, de 33 anos (oi? Me senti uma idosa, rs), é uma faxineira viciada em romances hot. O pai, divorciado de sua mãe, é dono de uma lanchonete. O avô português é super divertido. Ainda temos Nic, o primo de Gwen que foi criado junto com ela e é praticamente seu irmão. Eles são peculiares e, apesar de inconvenientes, muito engraçados (para quem já leu, o encontro para estudar literatura foi uma das partes mais divertidas do livro para mim). Gwen também tem uma vizinha / melhor amiga chamada Vivien, que por sua vez é namorada de Nic.

“As histórias – ou problemas, seja lá o que for – das outras pessoas são só delas.”

Um dos pontos altos da trama, ao menos para mim, é o personagem Emory, o irmão de Gwen. Ele é uma criança de 8 anos que possui alguma doença, síndrome ou déficit que necessita de atenção especial, e muitas vezes rouba a cena com suas reações, que são de encher o coração. Por algum motivo, a autora não deixa claro em momento algum o que há com o garotinho, apesar de descartar o autismo e os próprios personagens não admitirem o que ele tem. Não entendi muito bem, então as limitações de Emory foram uma grande interrogação. Gostaria que a autora tivesse não só nomeado como destacado mais a situação de Emory.

“Porque de repente, quando você menos espera, está quase com vinte anos, e BUM – agora, as suas escolhas importam. Não se trata mais de saber se você prefere chocolate ou baunilha, a ponte ou o píer, Sandy Claw ou Abenaki. É a sua vida inteira que está em jogo. De repente, você fica a um triz, como disse Nic, de dar o passo errado. Ou o passo certo. E agora, faz toda a diferença.”

O cenário da história é a ilha onde os personagens residem, que possui um estilo de vida bem diferente, especialmente diante das férias de verão. Gwen passou por uma situação em sua vida e a única coisa que ela quer é sumir e não encontrar Cassidy Sommers, o Cass, por quem ela nutre sentimentos. Mas o rapaz acaba conseguindo um trabalho de faz-tudo na ilha, o que o deixará perto de Gwen por praticamente todo o verão: justamente o que ela queria evitar.

“Seus olhos parecem ver até o fundo da minha alma, e puxar alguma coisa à superfície.”

O tal “drama”, no entanto, não me convenceu, e só não vou contá-lo para não estragar a experiência de quem quer ler o livro. Ele é, em suma, confuso e monótono: parece que não leva a lugar nenhum, pois só acompanhamos um fragmento da vida da Gwen e seus “problemas” típicos de uma adolescente e causados por ela mesma, com brigas desnecessárias e respostas que deveriam causar mas não fazem sentido. Gwen é uma personagem bem boba, que tomou uma, ou melhor, várias decisões não pensadas e passou o livro se lamentando por elas, quando, na verdade, nem seus próprios amigos consideravam grande coisa.

“Nunca tínhamos falado assim um com o outro. A voz dele parecia tão íntima, que era como se ele estivesse sussurrando no meu ouvido.”

Existe também aquele discurso de “eu não pertenço a esse lugar” e “mundos diferentes” como desculpas para não ficar com o mocinho, o que me incomodou bastante. Outra situação que me deixou com o mesmo sentimento foi ter considerado os personagens com pouca idade para a quantidade de sexo casual que existe no livro, inclusive com vários parceiros e sem proteção.

“— ‘Na execução mal elaborada de um plano bem elaborado’ – cito -, ‘o chamado raramente produz aquele que vem, o homem a ser amado raramente coincide com a hora de amar.’.”

Infelizmente, o livro fica melhor passando de mais da metade para o final, quando os personagens começam a se entender melhor e surge um drama que me deixou com o coração partido, por não estar esperando que ele ia acontecer, entre os personagens secundários.

“Respiro fundo, como se estivesse prestes a pular de uma ponte. É a exata sensação que tenho – prender a respiração, pular, mergulhar, confiar que algo vai me empurrar de volta à superfície.
– Enfim… eu te magoei. Você me magoou. Será que há alguma chance de a gente superar isso?”

Com relação à edição, a Valentina novamente faz um trabalho incrível. A lombada listrada faz par com o livro anterior da autora, deixando a estante bem charmosa. A qualidade das páginas e da impressão são ótimas, bem como o tamanho das fontes e os desenhos que ilustram o início dos capítulos, fazendo um charme. O único porém é que os personagens da capa não condizem com a descrição dos personagens, embora a arte seja linda (amo o colorido das letras), pois a Gwen é cacheada e o Cass é loiro (não que isso faça qualquer diferença – ou faz, por uma questão de identificação -, mas não pude não comentar o detalhe).

“É estranho como o silêncio pode significar tantas coisas diferentes.”

Em suma, “Pensei Que Fosse Verdade” não é ruim, mas talvez eu tivesse aproveitado muito melhor a leitura em outro momento da minha vida (tanto pessoal quanto enquanto leitora), pois tudo pareceu raso demais para tantas páginas.

O livro tem quotes incríveis, que espalhei ao longo da resenha, e muitos acontecimentos que poderiam ser explorados e transformados em verdadeiras lições de vida, visto o potencial das relações criadas pela autora. Como disse, da metade para o fim a trama engata e fica muito mais fluída, então, caso você esteja lendo, persista e tire suas próprias conclusões – afinal, cada leitor tem uma experiência diferente! 😉

“E eu me pego esperando por isso de novo, que ele segure a minha mão. Uma coisa tão simples. Uma ponte entre nós.”

Outras quotes que merecem destaque:

  • “A vida é mais do que aquilo de que você tem medo.”;
  • “- Você contaria? Se soubesse um segredo que poderia magoar alguém de quem você gosta?”;
  • “- Será que todo mundo guarda segredos e mente o tempo todo? – pergunto, por fim, minha voz alta na cozinha silenciosa. – É assim que funciona?”;
  • “Talvez, querida Gwen, você pudesse, em vez de ver uma mentira como uma forma de traição, pensar no quanto é raro e maravilhoso quando dois seres humanos conseguem dizer a verdade um ao outro.”;
  • “A gente não pode enfrentar a verdade se ninguém contar, não é?”;
  • “Quer me dizer o que isso significa? Que o fato de você sempre ter tido uma coisa não quer dizer que sempre vai tê-la. Que o que você sempre quis nem sempre é o que vai querer. Horizontes que parecem fins, mas que apenas se dobram para dentro do céu, curvando-se em algo novo, começando tudo outra vez.”.

NOTA: 2

Compre o livro na Amazon: Físico / E-book

E vocês, já leram o livro? O que acharam? Vocês podem saber mais sobre o livro no site da Editora Valentina, AQUI.

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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