Resenha: O Homem de Lata, de Sarah Winman

“Homens e meninos deveriam ser capazes de fazer coisas bonitas.”

Oi, oi, gente!

Em agosto passado terminei meu 16º livro de 2018: “O Homem de Lata”, da Sarah Winman, publicado pela Faro Editorial (2018, 160 páginas)!

Decidi lê-lo pois é um livro bem curtinho e precisava finalizar algo para sair da ressaca literária que tomou conta de mim no ano passado. Algumas pessoas já haviam comentado o quanto ele era emocionante e parecia o tipo de leitura que eu precisava. Não poderia ter feito escolha melhor!

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O livro conta a história de dois amigos, Ellis e Michael. Eles se conheceram em 1963, aos 12 anos, ambos vindo de situações familiares muito delicadas: enquanto a mãe de Ellis, Dora, sofria com um relacionamento abusivo e Ellis era tratado com indiferença pelo pai, Michael perdeu sua mãe e seu pai decidiu deixar os cuidados da criação dele para outra pessoa, sua avó Mabel.

Assim, eles encontram conforto e amizade um no outro, bem como na relação com Mabel, com a qual os meninos passam a maior parte do tempo e faz as vezes de figura materna para ambos. A medida que crescem, porém, o sentimento entre eles vai se transformando em algo muito maior, que vai além da mera amizade entre os dois rapazes.

A história nos faz passar por várias fases no tempo e, quase uma década depois, encontramos Ellis casado com o Annie. Mas o que aconteceu entre a adolescência e a idade adulta que fizeram o amor entre eles se perder? É o que vamos descobrir a cada virar de páginas.

“Quem éramos nós, Ellis, eu e Annie? Tentei explicar várias vezes, mas não consegui. Nós éramos tudo, e então nos separamos. Mas eu me separei. Sei disso.”

O que achei:

Honestamente, não esperava que tanta emoção coubesse em um livro tão pequeno. Nas suas 160 páginas, “O Homem de Lata” me surpreendeu e emocionou. Terminei a leitura com um grande nó na garganta e refletindo mil coisas sobre a vida…

O livro não segue uma linha temporal correta. À principio, somos levados para o passado, em um episódio ocorrido na vida da mãe de Ellis que tem grande importância para a história.

Depois, encontramos três divisões: a primeira, sobre a vida na visão de Ellis, em terceira pessoa. A segunda, na visão de Michael, em primeira pessoa, retornando para Ellis com a mesma forma de escrita.

“(…) Eu não chorei. Mas às vezes é como se minhas veias estivessem drenando, como se o meu corpo estivesse pesado demais, como se eu estivesse me afogando por dentro.”

Diversas peças de um quebra-cabeça são lançadas durante essas partes, e é nosso papel como leitores irmos montando cada pecinha no seu lugar. Quando constatamos algum novo fato, vem aquele choque quando compreendemos o que estava acontecendo e, sinceramente, a cada página virada aumentava o peso no meu coração…

Não é um conto de fadas, muito menos uma história de amor… É um relato cruel da vida como ela é, como, não importa quantos sonhos a gente tenha, às vezes eles não se concretizam, por mais que a gente queira. Quantas escolhas erradas fazemos por medo – medo de sermos julgados, medo da nossa própria liberdade de escolha, medo de magoar o outro – e acabamos perdendo a chance de encontrar a felicidade.

“Descanso até me acalmar e normalizar a respiração. Me ergo e sento na borda da piscina com uma toalha em torno dos ombros. E me pergunto qual poderá ser o som de um coração partido. E acho que deve ser baixo, quase imperceptível, sem nenhuma dramaticidade. Como o som de uma andorinha esgotada caindo suavemente na terra.”

O livro traz um ambiente muito melancólico e sombrio. A sensação de coração esmagado me tomou durante praticamente toda a leitura. Eu só queria abraçar os personagens e dizer que tudo ia ficar bem… Foi uma leitura que realmente me abalou, me fez chorar e ver como a vida pode ser cruel em pequenas nuances.

Desculpem se a resenha parece vaga, mas esse é aquele tipo de livro que é muito melhor aproveitado quando você cai nele de cabeça, sem conhecer nada sobre a história. Além disso, falar demais pode estragar completamente essa experiência, uma vez que ele é curtinho e rápido de ler.

Obrigada. Porque tudo aquilo a que ela se apegava e tudo aquilo em que ela acreditava se juntaram naquele momento inesperado. A convicção de que homens e meninos eram capazes de coisas belas.”

Com relação à edição, não poderia ser mais impecável. A capa, em tons de amarelo, rementem aos girassóis (que também estão espalhados em outras partes da edição), que têm grande importância no enredo. As ilustrações na divisão das partes também ficaram um charme. Talvez a única parte negativa seja a fala dos personagens, que estão destacadas apenas em itálico. Como não estava acostumada com esse formato, acabei me perdendo em algumas partes. Porém, fora isso, a Faro está de parabéns pelo lindo trabalho, que traz uma delicadeza a mais pra experiência de leitura! ❤

NOTA: 4

E vocês, já leram o livro? O que acharam?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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