Resenha: Querido John, de Nicholas Sparks

“Acredite, não sou romântico. Embora já tenha ouvido muito sobre amor à primeira vista, nunca acreditei nisso, e ainda não acredito. Mesmo assim, havia algo ali, real e reconhecível, e eu não conseguia desviar o olhar.”

Oi, oi, gente!

querido johnHá muito tempo atrás, tentei fazer um “autodesafio” de ler todos os livros do Nicholas Sparks que tinha na estante, mas não tive sucesso, rs. No entanto, consegui finalizar quatro, dois já resenhados aqui no blog (confira o que achei de “À Primeira Vista“). Um deles foi “Querido John” (título original: “Dear John“), publicado pela Editora Novo Conceito (2010, 288 páginas). Ele me deixou tão ressacada que não consegui ler mais nenhuma obra do autor com medo de ficar com a mesma sensação, rs.

Para começar, o livro conta a história do jovem rebelde John Tyree que, com um futuro sem grandes perspectivas, decide alistar-se no exército após concluir o Ensino Médio. Durante sua licença, conhece a garota de seus sonhos, Savannah, e descobre estar pronto para recomeçar sua vida.

A atração mútua cresce rapidamente e logo se transforma em um tipo de amor que faz com que Savannah prometa esperá-lo concluir seus deveres militares. No entanto, os atentados de 11 de setembro mudaram suas vidas. John, assim como muitos outros soldados, deveria escolher entre seu país e seu amor. Ao retornar para a Carolina do Norte, descobre como o amor pode transformar de uma forma inimaginável.

“‘Você vai se lembrar de olhar a lua cheia?’, ela perguntou.

‘Todas as vezes’, prometi.

Nós nos beijamos pela última vez. Abracei-a com firmeza e sussurrei que a amava, então me obriguei a soltá-la.”

O que achei:

No prólogo do livro, iniciamos a leitura em 2006, no tempo presente, onde John nos fala um pouco do sentimento dele por Savannah. A partir daí, voltamos no tempo, para o ano 2000, e é como se estivéssemos sentados numa sala confortável, tomando chá, enquanto John nos conta pacientemente sua história: como ele era antes e depois de conhecer Savannah, e como sua vida mudou de cabeça pra baixo com a guerra.

Dono de um gênio bastante arredio, o jovem era completamente rebelde. Morava apenas com seu pai e não tinha um relacionamento saudável com ele, o que contribuía para minar o seu comportamento agressivo. Ele não tinha diálogos construtivos com seu pai desde que era criança, e isso o revoltava.

John, assim que termina o Ensino Médio, decide alistar-se no exército, como uma forma de mostrar que é capaz de cuidar de si mesmo, ser independente. Durante sua primeira licença, ao retornar a casa do pai, ele conhece Savannah, e o encanto imediato que ele sente por ela, totalmente correspondido, os une em uma relação apaixonante.

“De perto, ela era ainda mais bonita do que eu notara de primeira, mas sua beleza tinha menos a ver com as feições do que com seu jeito de ser.”

No entanto, em duas semanas, John deve retornar para sua vida militar. Sua próxima licença aconteceria em um prazo de um ano. Como fazer esse amor, repentino e arrebatador, dar certo, estando os dois a milhares de quilômetros distantes um do outro?
Embora os dois tenham passado apenas duas semanas juntos, a relação que eles têm e o sentimento que desenvolvem é muito intenso. Não consegui achar nada forçado, embora geralmente eu condene amores arrebatadores em livros, rs. Aqui, foi tudo tão sutil, tão gradativo, que não teve como sentir que a relação dos dois “era pra ser”.

Durante esse período, Savannah ajuda John a melhorar a relação com seu pai, a entendê-lo melhor. Eis aqui um dos maiores destaques do livro, pra mim: o relacionamento entre pai e filho falou muito mais alto que o romance do casal em si, e as passagens envolvendo os dois foram as que mais me emocionaram, a ponto de arrancar lágrimas, sabe?

“(…) Paixão é paixão. É o entusiasmo intercalando o espaço do tédio, e não importa a que se dirige.”

Ao mesmo tempo, o livro é carregado do drama da guerra. Os trechos de John no exército são, digamos, fortes. Passam aquela mensagem real de vermos rapazes com um futuro inteiro pela frente terem de parar de viver suas vidas e seus sonhos pra cumprir ordens de outros, que sequer sabem que eles estão ali, sofrendo longe de suas famílias, perdendo a parte mais intensa de sua juventude, por motivos meramente políticos. Por outro lado, mostra também a sensação de dever para com a pátria, o caminho árduo do amadurecimento.

O livro também chama a atenção para um assunto muito delicado: o autismo e uma de suas vertentes, a síndrome de Asperger. Essa é a segunda vez que encontro um personagem em uma trama que é portador dessa síndrome (não sei se essa é a expressão correta de se utilizar, então me avisem se eu estiver errada). Já tinha tido contato com ela ao ler “O Projeto Rosie“. Mais uma vez, adorei compreender um pouco mais desse universo novo, totalmente diferente do qual estou acostumada.

“As pessoas mais tristes que já conheci na vida são as que não se importam profundamente com nada. Paixão e satisfação caminham lado a lado. Sem elas, qualquer felicidade é apenas temporária, porque não há o que a faça durar.”

Achei o livro bastante complexo, não no sentido de ser difícil de entender, mas sim por ter tanto elementos e sentimentos misturados, que te levam a refletir sobre a própria vida. Não vale julgá-lo apenas por ser do Sparks, e por achar que se trata de um romance meloso – que, infelizmente, é a fama do autor. Não, pelo contrário. Há muito aqui para ser digerido!

Como disse, esse foi o quarto livro do Sparks que li e não tive uma relação de ódio com ele, diferente dos anteriores, pois nenhum havia conseguido me deixar com o coração apertado, mesmo sendo o autor o grande mestre dos romances. Então, quando terminei de ler, pude finalmente entender o porquê dele ser tão aclamado! “Querido John” me ganhou pela veracidade, que te arrebata em cheio nas páginas finais…

“É estranho como o conhecimento muda nossa percepção”.

querido john 2

LIVRO x FILME

Prometi pra mim mesma também que, após terminar um livro do Sparks, assistiria ao filme logo em seguida. E foi assim que fiz com “Querido John”. Adoro o trabalho do Channing Tatum, então não foi difícil ver um filme com ele, rs. Também amo a linda da Amanda Seyfried, mas, infelizmente, não curti nada a atuação dela nesse papel…

Pra começar, já tenho um certo preconceito com o filme quando nem a aparência física dos atores escalados corresponde com a dos personagens. Até consigo visualizar o Tatum como John, mas a Savannah é morena, gente…

Existem algumas passagens bem fiéis, ou melhor, digamos que o “plano de fundo” do filme é exatamente o mesmo do livro. No entanto, houveram algumas diferenças sutis aqui e ali, e outras bem gritantes que, em conjunto, não me fizeram sentir que o resultado final da adaptação foi aceitável.

“Os momentos ao lado de Savannah me fizeram cogitar se era possível desafiar a norma. Eu queria mais dela e, não importando o que acontecesse conosco, sabia que nunca a esqueceria. Por mais louco que pareça, ela estava se tornando parte de mim, e eu já temia o fato de não poder passar o dia seguinte com ela.”

querido john 1Não achei, por exemplo, que houve química entre eles. Alguns dos diálogos pareceram forçados e até chatos… E, com relação aos elementos que mencionei acima, fica um pouco difícil de falar sem dar spoilers, então vou me ater a comentários mais vagos.

Houveram, no entanto, duas cenas do filme que me fizeram muito mais feliz do que as do livro: a primeira foi a cena de John com o pai no hospital que, embora não exista na obra, me fez chorar horrores. A segunda foi nas partes finais do filme, no retorno de John, e as “verdades” que ele fala pra Savannah. Nossa, como eu vibrei! No livro, achei que faltou um pouco mais de pulso e até agressividade do personagem, e o trecho ficou manso demais em um momento que, acredito, a maioria das pessoas explodiria…

Em suma, e obviamente, recomendo muito mais o livro do que o filme, embora a experiência de comparar os dois, para leitores chatos como eu, seja bem divertida. O livro me ganhou de verdade e queria ter começado a conhecer o Nicholas Sparks por meio dele antes de qualquer outro!

“Sentados ali, ouvíamos o barulho das ondas quebrando na praia. Fiquei maravilhado como tudo parecia novo. Novo e também confortável, como se nos conhecêssemos desde sempre.”

A Editora Arqueiro agora detêm os direitos dos livros do autor no Brasil e relançou, em 2017, uma nova edição com essa capa maravilhosa que vocês podem ver acima. Quem sabe agora eu não retorne ao autodesafio… E um fato aleatório: minha cadelinha comeu meu livro tão logo terminei de lê-lo, rs!

Pra finalizar, sintam um pouco do gostinho do livro por meio das quotes espalhadas pelo post! Foi muito difícil não encher de frases que destaquei durante minha leitura e, ainda assim, acho que coloquei muitas aqui.

“Embora soubesse que ela me amava e se importava comigo, de repente entendi que, às vezes, nem mesmo amor e carinho são suficientes.”

NOTA: 3

Mas e vocês, já leram este livro? O que acharam? Ele também agradou vocês ou não curtiram? Quero muito saber a opinião de vocês! 🙂

Beijos a todos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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