Resenha: O Segredo de Indie, de Tara Taylor & Lorna Shultz Nicholson

“Acendi um cigarro, mas, na verdade, eu odiava fumar. Sabia que me fazia mal e ainda assim insistia. Tinha a impressão de que aquilo me fazia sentir… normal? Será que era isso? Mais uma adolescente tentando provar alguma coisa? Só que eu era tudo, menos normal.”

Olá, pessoal!

Bem, hoje vim falar pra vocês sobre minha experiência com “O Segredo de Indie“, escrito pelas autoras Tara Taylor e Lorna Shultz Nicholson, publicado pela Editora Butterfly (2015, 296 páginas).

Ele chegou até mim por meio do Book Tour da Editora, no qual fui selecionada para participar! Confesso que estava super ansiosa, pois não só tinha lido boas resenhas sobre ele, como a capa belíssima me encantou. Mas, confesso, me decepcionei bastante com essa leitura…

o segredo de indie livro.png

Antes de mais nada, o livro conta a história da Indigo Russell, ou melhor, Indie, que antes do que qualquer outra coisa, anseia para se encaixar. Ela sempre se sentiu diferente das outras pessoas e só queria ser uma “menina normal”, escondendo-se de tudo e todos, o que ela conseguiu fazer muito bem ao longo dos últimos anos.

Para a maioria de seu colégio, o Ridgemont High, ela é apenas mais uma adolescente andando pelos corredores, rabiscando em seu caderno durante a aula, sem nunca levantar a mão. Uma aluna mediana. Mas Indie é diferente.

Ela tem habilidades especiais desde criança, é capaz de ver e falar com espíritos, ouve vozes na sua cabeça que a alertam sobre perigos ou tentam ajudá-la em situações difíceis e, além disso, prevê o futuro através de visões.

Somente sua família e sua melhor amiga, Lacey, sabem sobre isso. Mas quando ela vê o namorado de Lacey com outra garota, Indie tem de decidir se passa a confiar em seus instintos ou em suas amigas. Como ela se aproxima de John, um solitário e enigmático garoto recém-transferido para sua escola, as visões se intensificam, ameaçando não só para alterar a vida dos outros, mas também expor seu segredo tão bem guardado até agora.

O que achei:

A proposta do livro é muito interessante. Já tinha assistido há algum tempo uma reportagem sobre as ditas “crianças índigo” ou “crianças cristais”, que denominam pessoas que nascem com uma sensibilidade mais aguçada que as demais. Logo, já pude presumir sobre o que o livro trataria, mas não achei que as autoras foram capazes de desenrolar o enredo de forma agradável.

Indie é uma personagem muito confusa, com uma autoestima extremamente baixa, que sente deslocada do resto da sociedade porque acha que não vão aceitá-la do jeito que ela é. A única que a “compreende” é Lacey, sua melhor amiga. Mas bastou um pequeno mal entendido entre as duas para que a sólida amizade fosse para o espaço. Lacey se transforma, então, em uma personagem detestável.

Indie tem um queda por uma garoto da escola chamado John, que ela considera super “misterioso e maduro”. No entanto, não vi nada de interessante nesse personagem que justificasse a fixação. Não consegui em momento algum torcer pelo casal. Eles não só não tem química nenhuma como me pareceu uma relação de via de mão única. Indie é a única que parece se entregar a tudo e a todos sem ser correspondida e, ainda assim, não consegue ser uma personagem simpática. O “mistério” em John está em sua família, aparentemente problemática, a qual Indie tenta entender ao longo do livro.

O problema é que há tantas historinhas paralelas que a história principal simplesmente não tem foco. Fiquei o tempo todo esperando por grandes revelações e grandes acontecimentos que nunca chegaram. O enredo tem inúmeras pontas soltas, diálogos sem sentido e desprovidos de emoção e cortes bruscos de um cenário para outro. Tudo isso torna a leitura um martírio.

Não consegui me conectar a nenhum personagem ao longo do livro. A maioria é adolescente e vive de um jeito louco do qual eu não compactuo e que me incomodou bastante. Eles fumam demais e bebem demais, além de fazerem uso de drogas. Pra completar, ainda temos de aturar um relacionamento completamente abusivo, onde a mocinha “sofre” por coisas banais e solta pérolas como dizer que o namoro de um mês é a principal razão da vida dela e que, sem ele, ela é capaz de morrer.

O livro é dividido em três partes: setembro de  1997, outubro de 1997 e março de 1998. Honestamente, não consegui entender o motivo dessas divisões, que aparentemente não fazem diferença alguma na leitura. Ao final, temos uma sessão de “perguntas e respostas”, onde descobrimos que o livro foi baseado, em partes, na vida e experiências da autora Tara Taylor, que se diz sensitiva. A escrita não é de todo ruim. Porém, embora seja fluida, é desprovida de emoções e não prende o leitor de uma forma intensa.

becoming indigo livro capaO único ponto positivo é a edição. Como disse, a capa é maravilhosa, fosca e com verniz aplicado. As páginas são amareladas, com fontes grandes e que não cansam a vista. A cada página, temos um detalhezinho no número do rodapé e nas divisões entre alguns parágrafos. Não encontrei erros e julgo o trabalho da Editora como excelente!

Foi o primeiro livro da Butterfly que tive em mãos e, apesar da leitura ter sido infeliz, gostei bastante do trabalho feito na edição. Espero ter experiências melhores no futuro com outros livros da Editora!

Por motivos óbvios, não tive quotes preferidas. Na sessão de “perguntas e respostas”, dá a entender que temos um segundo volume. Fui pesquisar e ele realmente existe. Se chama “Becoming Indigo” e acredito que ainda não foi traduzido para o português, pois não achei referências. No entanto, confesso mais uma vez, não me senti atraída para lê-lo futuramente.

Em resumo, não gostei nada desse livro e foi muito difícil terminá-lo, pois o enredo é maçante e os dramas da personagem são super cansativos. Lembrando que, embora eu não tenha gostado, trata-se da minha opinião. A nota do livro no Skoob é relativamente alta (3,7), o que significa que sou uma exceção, rs.

NOTA: 1

Mas e vocês, já leram esse livro ou ficaram com vontade de ler? Agradeço pela Editora Butterfly pela seleção e pela oportunidade de ter participado do Book Tour! ❤

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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