Resenha: Aníur, de Esther Moratto

“Não deu para ver muito bem, mas parecia que seus olhos estavam totalmente brancos, como neve… Antes dela falar alguma coisa, ele pegou o braço dela e a encarou, vomitando sangue em cima dela. Caiu no chão, soltando seu braço, e bateu a cabeça fortemente no piso duro.”

Olá, pessoal!

Há algum tempo atrás, o blog tinha parceria com a  Young Editorial e o primeiro livro que li da Editora foi “Aníur“, da autora Esther Moratto (2015, 219 páginas)! Hoje vim falar pra vocês o que achei dessa leitura! 😉

Confesso que o escolhi, primeiramente, pela capa. A achei muito linda e me apaixonei por ela na hora. Por conter um casal, acreditei se tratar também de um romance – apesar da menção a uma ruína próxima -, mas o livro é mais que isso e me surpreendeu, de fato, o rumo que ele tomou.

aniur livro capa.jpg

Aníur” conta a história de Jake e Meg, dois jovens recém-casados e que têm tudo para ter um belo futuro pela frente. Porém, um certo dia, Jake precisa viajar a trabalho e acaba deixando Meg sozinha no apartamento do casal. Ambos não contavam com uma grande catástrofe, que poderia acabar com suas vidas.

Um terremoto abala a cidade em que vivem, deixando Meg ferida. Ela é levada pelos bombeiros para um local onde estão outros feridos e sobreviventes da catástrofe e é aí que o pior acontece: algumas pessoas do abrigo começam a ter sintomas muito estranhos, como convulsões e vomitar sangue, levando-as a óbito rapidamente.

Meg conhece uma outra garota no abrigo chamada Cris e, juntas, ambas percebem que se trata de uma espécie de epidemia e fogem do abrigo para evitar que sejam contaminadas. No caminho, elas encontram um grupo de sobreviventes liderados por Zou, que logo começa a sentir por Meg um intenso carinho e instinto de proteção. O grupo parte, então, para tentar encontrar um novo abrigo e outros sobreviventes.

Enquanto isso, Jake retorna para a cidade, se deparando com a cidade em ruínas. Desesperado para reencontrar sua esposa, ele parte em busca de qualquer pista que possa levá-lo a ela, mas acaba encontrando uma criança chamada Charles, que também está perdido e a procura da mãe. Os dois seguem juntos pelo que sobrou do lugar em que viviam atrás de suas famílias. Nesse cenário catastrófico, será o amor que o casal sente capaz de guiá-los novamente um para o outro?

“Parei de pensar no que estava ao meu redor e lembrei do rosto de Jake no dia do nosso casamento. Tinha que ser forte para encontrá-lo e conseguir rever minha família.”

O que achei:

Trata-se de um livro bem curtinho, que pode ser devorado em poucas horas. Ele começa com Meg falando sobre sua vida com Jake e sobre como o romance dos dois iniciou. Justamente por isso, nada havia me preparado para o que viria a seguir (não li a sinopse, pois, como sempre digo, gosto de surpresas, rs).

A catástrofe que assola os personagens é bem interessante, pois é uma ameaça difícil de ser combatida (uma epidemia por vírus), além de dar aquele toque de realidade ao livro que deixa a gente com uma sensação de impotência e angústia: a morte está no ar e por todo lugar.

A autora cria esse clima de desespero de forma muito boa, e eu realmente fiquei me sentindo meio mal pelos personagens ao vê-los naquela situação. No entanto, achei que alguns pontinhos da trama poderiam ser bem melhor trabalhados, de forma a entreter mais o leitor e fazê-lo de fato mergulhar na história. Os capítulos são narrados em primeira pessoa, ora por Meg, ora por Jake. Assim que Zou entra na história, ele também recebe alguns capítulos para ele. Porém, infelizmente, não consegui me conectar a nenhum deles, embora tenha criado aquela torcida secreta para vê-los “sair dessa”.

“Estou sem forças, meus olhos doem de tanto chorar. Estou sem ar de tanto soluçar, preciso me acalmar, mas não consigo. Queria que só por um segundo ela estivesse aqui, para abraçá-la e dizer que tudo vai passar, que meu amor nunca acabará e que, no meu mundo, estaremos sempre juntos. Vou fazer uma loucura! Preciso de você, Meg. Meu amor!”

Acredito que a grande culpada seja a narrativa rápida. Senti que faltaram mais páginas no livro para desenvolver mais a história. Se ele tivesse mais páginas, permitindo ser lento nos momentos calmos e mais frenético, porém detalhado, nos momentos de tensão, a conexão teria sido muito melhor. Essas pausas estratégicas cairiam muito bem para deixar o leitor respirar entre um acontecimento e outro.

É impossível fazer uma resenha muito extensa, por ser um livro curto, senão estragamos boa parte dele – e, logicamente, não farei isso. Mas o final foi um grande choque e tive que reler mais de uma vez pra entender se era aquilo mesmo! Gostei do fato da autora fugir totalmente do óbvio, mesmo que ele seja chocante demais.

Para agradar a todos, existe um final alternativo que, mesmo dando um destino diferente para os personagens, não me agradou tanto. Depois de ter lido o primeiro, fiquei atordoada demais para substituí-lo, rs.

Ambos, no entanto, não supriram a necessidade de explicar algumas pontas soltas do enredo que queria muito ver amarradas, especialmente sobre a motivação de se espalhar a epidemia (uma vez que a origem, o causador do surto é revelado).

O li em e-book, logo não há muito o que opinar sobre a edição. Creio que ele poderia ter uma revisão um pouco mais detalhada, mas isso não atrapalha a leitura. Recomendo para quem adora catástrofes e uma boa distração literária!

Até onde pesquisei, a Young não está mais no mercado e o livro não está mais disponível para venda, porém acredito que é possível entrar em contato com a autora pelas redes sociais para consegui-lo, caso se interessem pela leitura.

NOTA: 2

Esse tipo de tema agrada vocês? Já conheciam o livro? 🙂

Beijos e até a próxima!

Continue acompanhando o blog nas redes sociais:

Instagram – Skoob – Twitter – Bloglovin’ – Canal Literamigas

Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s