Resenha: Natasha, de Flávia Andrade

“Eu via nela uma menina que queria ser adulta, não para agradar os outros, mas para dar forças a si mesma. Eu via tanta coisa! Mas não porque ela era transparente, mas porque eu queria encontrar e desvendar.”

Oie, pessoal!

Hoje vim apresentar mais um nacional para vocês: “Natasha“, da autora Flávia Andrade (Editora Deuses, 2014, 147 páginas). O havia recebido da editora, na época em que era parceira do blog, e li tão logo chegou na minha caixinha de correio.

natasha capa

Aqui, conhecemos Paulo Jacu (Jacu refere-se a um apelido, o qual desvendamos no início do livro), ou melhor, PJ, que é o nosso protagonista: um rapaz tranquilo, solitário e melancólico, cujos olhos encontram poesia e música por onde passam. Um certo dia, na primavera, PJ conhece sua nova vizinha, Natasha, e se apaixona perdidamente por ela. A partir daí, a vida dele muda completamente.

No entanto, Natasha não é uma menina como outra qualquer. Impulsiva, sem papas na língua, inconsequente, espontânea, de espírito livre, do tipo que se joga no mundo sem medo de nada, a jovem ruiva de olhos foscos é altamente esperta e de pensamentos velozes como uma raposa, o que  lhe renderam o apelido de Fox.

E ela o ensina a valorizar o sentimento que a natureza proporciona, a fazer poesia, a escutar o silêncio, a ter atitude e se desprender de seu lado tímido e antissocial. Entretanto, Natasha é chama e cada estação é uma mudança. PJ está altamente sujeito à dor do amor.

“A saudade tem nome e sobrenome, tem adjetivos, tem pormenores. O prazer tem tantos sentidos juntos que se colocarmos no papel se torna uma maravilhosa obra. Mas a paixão de um beijo, ah… Essa não se descreve facilmente.”

O que achei:

Vou confessar que fui enganada pela capa do livro. Eu geralmente não gosto de ler as sinopses antes da leitura, porque amo a expectativa de saber o que irei encontrar. Li “Natasha” sem qualquer vestígio do que a história se tratava e, ao ver os tons e detalhes da capa, imaginei que fosse algum suspense ou algo mais fantasioso, até mesmo sobrenatural, rs. Bem, não é! O livro, na verdade, é um romance, na forma mais pura da palavra!

Durante a leitura, que é em primeira pessoa, PJ nos conta um pouco de sua trajetória, desde os primeiros olhares trocados com Natasha até o momento atual, em que a memória começa a falhar, mas cujos detalhes mais importantes permanecem em nossa mente. São a esses detalhes que ele se prende para nos apresentar a relação de ambos.

“O amor era assim, gostava de atravessar qualquer barreira. Quanto mais aumentava nossa distância, maior era nosso amor.”

A narrativa é bem diferente, pois é um livro-poesia. As palavras de PJ não formam apenas frases, mas verdadeiros poemas, nos quais vamos adentrando no mundo e no relacionamento conturbado que ele teve com Natasha.

Natasha não é meu tipo preferido de personagem. Ele é uma mulher, ou melhor, menina de fases e, exatamente por isso, o livro é dividido em quatro estações, pois sua personalidade, seus anseios e suas vontades mudam como elas. Por conta dessa impulsividade, Natasha atordoa não só a PJ, mas a nós, leitores.

É impossível dizer o que a atormenta ou o que ela espera. É como se o que tem no presente não fosse suficiente para ela. Como se sempre quisesse mais do mundo e vivesse frustrada por não conseguir. Às vezes, as palavras dela soavam tão ácidas, tão rígidas, que atravessavam PJ e as páginas do livro e acabavam me atingindo. Ela me lembrou bastante a Alasca, personagem do autor John Green, a qual não simpatizei de forma semelhante.

“- (…) Quero você só para mim, pois entre todos os idiotas do mundo, escolhi você.”

Essa personalidade, extremamente contrastante com a de PJ, é o que torna a leitura instigante. Queremos saber mais e mais sobre o que acontece com ambos, por isso é fácil lê-lo em uma só sentada (além do mais, o livro é relativamente curto).

Não há um aprofundamento muito grande na vida de ambos. Senti muita falta de saber mais sobre PJ e sobre Fox, queria ver mais diálogos entre eles, queria entendê-la melhor, queria entrar no livro e sacudi-la para que ela percebesse o quão precioso era o sentimento de PJ por ela, rs. Mas acredito que a intenção da autora foi justamente essa, de que não era preciso todos esses detalhes para sentir a profundidade do sentimento que existia ali, entre eles.

Fiquei encantada pelo jeitinho simples e apaixonado de PJ, pela maneira com que ele sempre tentava relevar as loucuras de Fox, a forma como tentava compreendê-la e fazê-la se sentir bem e protegida.

“(…) adormeci na cama de Natasha, após concluir que definitivamente não precisávamos mais de portas, as janelas sempre seriam mais práticas e úteis. Agora entendo Romeu e Julieta.”

O livro é, acima de tudo, uma história sobre o amor (ou, quem sabe, sobre a dor de amar). Um amor que pode atravessar estações, anos, que luta contra o esquecimento e até com as coisas inexplicáveis da vida, como a própria natureza humana, tão inconstante e incompreensível.

Quanto à edição, gostei bastante da qualidade do material utilizado. A capa e a contracapa são foscas, sem detalhes brilhosos. A única desvantagem que encontrei foi a fonte utilizada na contracapa, pois dificultou um pouco a leitura da sinopse do livro. Acredito que, sem o negrito, ficaria mais legível.

“Éramos tão errados um para o outro, meus copos de sanidade não se aproximavam nem alguns centímetros de suas doses de loucura.”

O interior tem as páginas amareladas que eu AMO! Elas também são de ótima qualidade, embora não muito grossas. Cada início de capítulo se destaca com uma fonte diferente, e o topo de cada uma das páginas contém ou o nome do livro ou da autora: um detalhe que achei bem meiguinho. O tamanho da fonte também é excelente: grande o suficiente para não cansar a vista.

O livro possui vários capítulos, de tamanhos variados (alguns cabem em apenas uma página), o que garante uma leitura nada cansativa e bem dinâmica. Ah, e eles não são seguidos. Cada capítulo inicia em uma nova página. Gosto de mencionar esses detalhes que me chamam a atenção, pois sei que alguns de vocês também são atentos a isso e se preocupam com os detalhes! 😉

“Quando ela me olhava, roubava um pedaço da galáxia e me entregava.”

Por fim, espalhei destacadas pelo post as quotes que mais me chamaram a atenção, para que vocês possam também sentir um gostinho do livro. Não é mais possível adquirir a versão física pelo site da editora, que findou seus trabalhos, porém ele está disponível em e-book no link abaixo.

NOTA: 2

E vocês, já leram o livro? Se não, gostaram da história?

Beijos a todos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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