Resenha: Como Eu Era Antes de Você, de Jojo Moyes

ATENÇÃO: Esta resenha contém spoilers.

“Não consegui ver sua boca, mas seus olhos se apertaram, um pouco divertidos. Eu queria que continuassem assim. Queria que ele fosse feliz, que seu rosto perdesse aquele ar assustado e alerta. Comecei a tagarelar. Contei piadas. Cantarolei baixinho. Fiz de tudo para estender o momento antes que ele voltasse a ser sombrio.”

Oi, oi, gente!

Não tem como falar sobre esse livro sem dar algum palpite do que você irá encontrar durante a leitura, então aviso, desde já, que posso deixar transparecer alguns acontecimentos. Mas espero que, ainda assim, vocês se sintam estimulados a ler, porque vale a pena!

A primeira obra da Jojo Moyes que li foi “A Última Carta de Amor” e simplesmente adorei a forma como ela me encantou. Não sei, mas senti algo de diferente na forma como ela escreve. Algo mais calmo e condensado; é uma leitura que flui desde a primeira linha e acho os personagens que ela cria super reais. Eu meio que me apego a eles.

Não foi diferente quando comecei a ler “Como Eu Era Antes de Você” (título original: “Me Before You“), publicado pela Editora Intrínseca (2013, 320 páginas).

Como Eu Era Antes de Você

Ele conta a história da Louisa Clark, a personagem mais excêntrica e interessante que já conheci! Ela tem 26 anos, namora com o corredor Patrick há 7 anos (embora o relacionamento deles esteja mega desgastado) e trabalha em um café, emprego que ela adora por vários motivos; dentre eles, a possibilidade de conhecer milhares de pessoas diferentes. Ela tem um jeito bem peculiar e próprio de se vestir e de pentear os cabelos.

A Lou não tem muitas ambições. Não fez faculdade, não tem um currículo extenso e vive na mesma rotina, sem se preocupar muito com o futuro. Ela mora com seus pais, sua irmã mais nova, Katrina (vulga Treena) e o filhinho dela, Thomas, além de seu avô. A família dela é igualmente excêntrica e um pouco maluca (às vezes, eu me incomodava com a bagunça da casa ou com as atitudes deles).

Tudo muda para Lou quando o café fecha e ela tem que procurar outro emprego. Sem qualificações necessárias para muitos outros cargos, ela passa por algumas experiências ruins antes de aceitar trabalhar na casa dos Traynor, como auxiliar no atendimento à Will. Como a família dela estava necessitada e o emprego pagava bem mais do que ela poderia imaginar, aceita o trabalho. Mas Will quase a faz desistir várias vezes de permanecer nele.

Will Traynor é um rapaz de 35 anos, ex-CEO de uma grande corporação, que adorava aventuras, viagens e esportes radicais. Após sofrer um acidente por culpa de um motociclista, ele fica tetraplégico, necessitando de auxílio para fazer todas as atividades normais do dia a dia, pois não conseguia movimentar grande parte de seu corpo (apenas um de seus braços poderia movimentar-se, porém com bastante limitação). Além disso, ainda tem de presenciar o casamento da sua ex-namorada com seu melhor amigo. Amargurado e triste, Will praticamente desiste de viver e trata mal todos aqueles que vivem ao seu redor, deixando o ambiente sempre carregado com seu mau humor e suas grosserias gratuitas.

Mas Lou pouco a pouco vai quebrando o gelo que existe entre eles, até se tornar praticamente indispensável para Will. Ele, por sua vez, a faz enxergar que existe muito mais coisa para ser vista e vivida por ela do que a vida limitada que ela levou ao longo dos seus 26 anos.

O que achei:

Cativada é pouco pra descrever o que senti pelo livro. Eu praticamente respirei Lou e Will por vários dias, mesmo depois de ter terminado a leitura, e chorei como um bebê nas últimas páginas, sem brincadeira. Não sabia que era possível se apaixonar por um livro!

Pra começar, não é um romance nada convencional. O que mais me chamou a atenção foi o universo da tetraplegia que a Jojo abordou. Sinceramente, eu nunca havia parado pra pensar sobre o assunto. Não conheço nem nunca convivi com alguém que tenha necessidades especiais, então passei a prestar mais atenção nesse cenário no meu dia a dia e percebi o quanto é difícil ver locais com acessibilidade e boas condições pra que as pessoas tenham uma vida confortável. Infelizmente, isso é algo muito difícil de repararem, porque quem não possui limitações muitas vezes não se importa ou sequer presta atenção nessas coisas.

Talvez por isso, por não termos noção da extensão do assunto, seja fácil julgarmos Will como errado por ser tão mal humorado. “Pelo menos ele sobreviveu ao acidente”, seria o pensamento de alguém “positivo”. Mas o que você faria se, de uma hora pra outra, tivesse sua independência tirada de você? Se precisasse de ajuda até para comer ou tomar banho? Tivesse sua vida virada de cabeça pra baixo? É isso que acontece com Will.

Desde que sofreu o acidente, ele não saia de casa e havia desistido de viver, pois aquilo era demais pra ele aguentar. Assim, ele deu a família um prazo de 6 meses para ver se mudava de ideia, se desistiria de tudo ou criaria forças pra continuar vivendo. Passado esse tempo, se ele permanecesse decidido, iria para uma clínica de suicídio assistido. Sim, isso mesmo! É então que os pais dele apostam todas as fichas em Lou, para que ela consiga fazê-lo pensar diferente.

Quando a Lou entra em cena, existe, logo de cara, uma barreira muito grande entre eles. O Will é mega sarcástico e retruca tudo de maneira a constranger a outra pessoa e fazê-la se sentir idiota (honestamente, eu ri de algumas das coisas estupidamente grossas que ele dizia… Me julguem!). Mas, como a Lou precisa do emprego, acaba aprendendo a conviver com ele e vice-versa, até que os dois se transformam.

Como Eu Era Antes de Você capa filmeAté aí, tudo bem. Estava louca pra chegar ao final do livro e me surpreendi. Pelos comentários na contracapa do livro (“Uma história sobre amor, aprendizado e perda […]”), eu já sabia o que poderia encontrar: provavelmente alguém morreria. Eu só não sabia como, mas, tendo em vista a sinopse, esperava o clássico. Esperava que ela o tivesse feito mudar de ideia. Esperava o final “e foram felizes para sempre”.

Mas não foi bem assim. E foi aí que fiquei com raiva da Jojo! Will tem a vida encerrada por vontade própria e, embora contrariados, tanto Lou quanto a própria família dele permitem essa situação, apesar de todos os esforços de fazê-lo ver que existia uma forma de viver e ser feliz, mesmo com todas as limitações que ele tinha.

Fica difícil até de comentar, porque o livro me tocou de uma forma surpreendente. Fui criada pra ser uma pessoa positiva, daquele tipo que chora horrores, se machuca, mas nunca desiste. O tipo de pessoa que sempre tem esperanças de que tudo sempre vai ficar bem e que acredita naquela história de que o amor é transformador e suficiente pra vencer todas as barreiras. Me senti meio traída pela Jojo; ela quebrou todos os meus conceitos de esperança e finais felizes…

Me colocando no lugar da Lou, ficaria super arrasada de saber que todos os meus esforços haviam sido em vão. Que um sentimento maravilhoso não era suficiente pra fazer tudo ficar bem. Que alguém preferia morrer, viver sem mim, negar meu amor, do que ver a vida de um jeito positivo. De certa forma, é isso que acontece com ela e é um sentimento bem pesado. Sei que soa egoísta, mas enfim. Não acho a morte uma opção aceitável. É tocante a forma como a Lou se entrega à vida de Will por inteiro, sem pestanejar. Como ela busca maneiras de fazê-lo ter experiências incríveis. Infelizmente, em vão.

Mas, como disse acima, é fácil julgar Will como errado, pois só quem passou um trauma desse na vida sabe como é perder a autonomia sobre a própria rotina da noite pro dia. Só que existem tantas histórias de superação (inclusive presentes no próprio livro) que são tão inspiradoras que imaginei que o final do livro tombaria para esse lado, o que não aconteceu. Enfim. Foi como se eu tivesse conhecido o Will e Lou, e chorado com eles. E não o perdoo por ter decidido morrer. Fim do meu desabafo, rs.

Uma das coisas mais legais do livro são capítulos onde o narrador muda. A narração é feita em 1ª pessoa, e começa pelos olhos da Lou. Depois, temos a visão de outros personagens a respeito do assunto, o que garante que a gente se aprofunde mais neles e saiba como se sentem, mesmo que eles não apareçam tanto na história principal.

Quanto a estrutura do livro, só tenho elogios, pois ela é muito boa. Fonte e tamanho excelentes, qualidade das páginas também. Não encontrei nenhum erro de digitação (não sei se algum passou batido). E a capa é muito linda! ❤

Pretendia dar uma opinião bem mais aprofundada, que mostrasse realmente tudo o que senti com a leitura, mas acho que não consegui. Este é mais um daqueles livros que entrou pro meu rol de favoritos e tenho certeza que ainda vou lê-lo e relê-lo! Havia separado algumas quotes que destaquei do livro porque achei bonitas, mas não lembro onde as salvei. Fico devendo.

Nunca um livro havia me despertado um sentimento tão intenso desse jeito. Recomendadíssimo! ❤

Em 2016, a Intrínseca lançou uma nova edição do livro com a capa do filme (acima, do lado direito), com uma imagem linda dos atores Emilia Clark e Sam Claflin vivendo Lou e Will nas telonas como nosso casal principal. Quando li, nem sonhava que Jojo fosse continuar essa história. Porém, com o tempo, “Como Eu Era Antes de Você” tornou-se uma trilogia, seguida pelos livros “Depois de Você” (muito criticado pelos leitores) e “Ainda Sou Eu“. Não tive coragem de lê-los ainda, mas quem sabe em breve?

NOTA: 5 ❤

E vocês, já leram? O que acharam do livro? Me contem nos comentários! 😉

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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