Resenha: A Procura de Vida Inteligente, de Victor Allenspach

“Construir buracos negros é o tipo de coisa que é proibida por simples bom senso. Ninguém cria uma lei de ‘é proibido criar buracos negros’, pela mesma razão que não se cria uma lei de ‘é proibido derrubar nave sobre prédios’, ou ‘é proibido ofender o sogro quando ele se oferece para pagar a festa’, ou ‘é proibido ser racista quando seu patrão é de outro planeta’, ou qualquer outra coisa que apenas alguém muito estúpido poderia fazer. Talvez o problema seja que ninguém espera que pessoas estúpidas existam.”

Oi, oi, gente!

Conheci “A Procura de Vida Inteligente“, uma publicação independente do autor Victor Allenspach (2015, 196 páginas) por acaso. Encontrei o site do autor, li sobre seu livro e fiquei encantada. A vontade de conhecer o universo criado por ele foi imediata e, no campo “book tour” do site, manifestei meu interesse em resenhá-lo.

Foi assim que a história criada pelo Victor veio parar nas minhas mãos, e hoje venho falar pra vocês quais minhas impressões dessa ficção científica nacional incrível que tive prazer de conhecer!

A Procura de Vida Inteligente

O livro traz uma coletânea de 8 contos que se passam em diversos lugares diferentes e com protagonistas distintos, mas sempre com um personagem em comum: Boris, um robô que não nasceu, tampouco foi criado ou educado. Como tantos outros, ele apenas foi produzido e programado, mas existe algo especial nele. Sempre diante do risco da reciclagem, por acharem que ele está avariado ao apresentar comportamentos diferentes dos robôs “normais”, Boris esconde uma capacidade impressionante de calcular probabilidades e praticamente “prever o futuro”, além de interagir quase como um humano, causando espanto e até mesmo medo naqueles que cruzam seu caminho.

Ora figurante, ora protagonista, Boris vivencia diversas situações onde busca incessantemente por  apenas uma coisa: liberdade. Mas ele sequer imagina que já a alcançou a muito tempo, mas optou por uma existência cheia de limites e algum significado.

“No instante em que algo, por mais simples que seja, passa a existir, os limites e as regras também surgem.”

O que achei:

Antes de mais nada, o que mais me chamou atenção foi a criatividade imensamente rica do autor e as sacadas humorísticas inteligentes usadas ao longo de “A Procura de Vida Inteligente“. Victor escreve muito bem e a forma como relata cada aventura, planeta, asteroide ou criatura é feita de uma forma tão segura que por pouco não consideramos tudo aquilo real.

A história se passa em um período em que a civilização humana já possui conhecimento avançado acerca do universo, sendo capaz de percorrer a galáxia em viagens interplanetárias a bordo de grandes cruzadores.

Apesar disso, creio que o ponto central do livro não é necessariamente esse, mas sim uma abordagem mais profunda da inteligência artificial em um mundo onde as máquinas são super presentes no dia a dia das pessoas como meros serviçais. Mas será mesmo que elas vivem subservientes? Será que elas são mesmo artificiais? Quem garante que, quando todos os humanos não estão por perto, os circuitos não ficam ali arquitetando uma revolução das máquinas?

Impossível não relacionar o humor diferente e, em partes, carregados com críticas ao nosso modo atual de vida, ao nosso querido Douglas Adams em “O Guia do Mochileiro das Galáxias“. Ou associar a insubordinação de Boris ao livro “Eu, Robô“, de Isaac Asimov. Mas, aos poucos, acabamos deixando todas as comparações de lado para contemplar a forma própria de escrita do autor.

“No passado não havia o conceito de indivíduo, nós apenas existíamos como engrenagens de uma máquina, e a máquina sim, era o indivíduo.”

Outro ponto que me chamou a atenção foi a presença constante da realidade virtual na vida dos humanos do livro, que muitas vezes reclamam da presença dos robôs, mas permitem que o universo virtual e ilusório tome conta de suas vidas e elimine aos poucos suas relações com outros humanos. A reunião de todas essas situações nos levam a refletir sobre uma realidade que, talvez, não esteja tão distante assim do nosso mundo real, onde a tecnologia já impera e, aos poucos, nos transforma em escravos dependentes.

Os contos não seguem um ordem temporal linear, por isso confesso que, à princípio, fiquei um pouco perdida e demorei para avançar na leitura. Mas, a cada conto, ia ficando cada vez mais instigada a seguir em frente, mais fascinada pelo livro todo e por Boris… Algumas cenas são realmente desconfortáveis e trazem até um leve clima de tensão, mas, ao fim, queria ler tudo de novo só ter o prazer de ver todas as peças encaixadas nos seus devidos lugares! ❤

Sobre a edição, não podia ser mais adorável. Feita exclusivamente para book tours, há instruções a seguir e um espacinho especial para que possamos gravar nossas impressões para futuros leitores. As páginas recicladas são um chame a mais, com fontes de bom tamanho e uma capa simples, mas de muito bom gosto que combina maravilhosamente bem com o conteúdo.

Para finalizar, recomendo imensamente o livro para quem adora um livro nacional de qualidade! Mas se você se refere a ficção científica, melhor ainda: esse livro é pra você (entendedores entenderão!).

NOTA: 4

E vocês, leitores, que acharam do livro? Leriam? Deixem suas opiniões nos comentários!

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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