Resenha: Uma Paixão em Florença, de W. Somerset Maugham

“Não acha que quanto mais as pessoas pensam que somos bons, mais nos sentimos na inclinação de nos tornarmos melhores?”

Oi, oi, pessoal!

UMA PAIXÃO EM FLORENÇA LIVRO CAPARetomando as resenhas dos livros lidos em 2019, hoje vim falar pra vocês sobre esse romance que apareceu bem por acaso na minha vida. Estava procurando alguma leitura rápida em uma madrugada quando me deparei com “Uma paixão em Florença“, de W. Somerset Maugham (Editora Record, 2000, 125 páginas). Essa foi a minha terceira leitura do ano.

O livro conta a história de Mary Opanton, que vive uma vida confortável na tranquilidade de uma vila italiana em Florença. Apesar de ainda nova e muito bela, Mary é viúva e contempla viver um novo casamento com um homem gentil que a conhece há muito tempo, mesmo que ela não corresponda ao amor dele.

Um certo dia, porém, a moça vê a serenidade dos seus dias se transformarem em um pesadelo cercado de violência. Em um ato impensado de compaixão, Mary ajuda um homem conhecido como Rowley Flint e, por meio dele, descobre que negar o amor, com todas as suas paixões e riscos, é o mesmo que negar a própria vida.

“- (…) Ao contrário de outras mulheres, quando alguém lhe diz que é bela, você não finge que não o sabe. Aceita isso tão naturalmente como se lhe dissessem que tinha cinco dedos em cada mão.”

O que achei:

O livro é bem curtinho, por isso evitarei maiores comentários a respeito da trama. O li sem saber absolutamente nada da história, pois não tinha lido a sinopse, e fiquei tão surpresa com os acontecimentos que o devorei em uma madrugada só. Também não conhecia o trabalho do autor e adorei sua escrita fluida e hipnotizante.

A princípio, imaginei tratar-se de um romance, por todos os indícios da capa e do próprio título do livro. À medida que a trama ia se desenrolando, fui ficando cada vez mais perplexa com os acontecimentos – e a leitura passa, então, a criar ares de suspense e mistério. Há um plot twist tão inesperado, tão intenso de todas as formas, que a partir dele a leitura se torna angustiante e incômoda: uma grande sacada que nos deixa desesperados pra chegar ao fim e ver como os personagens irão conseguir lidar com a situação.

“Deem um chapéu a uma mulher simples e um livro à que é bonita. Não é essa a ideia?”

Apesar disso, o livro carece de uma profundidade a mais. Talvez por ser curto, senti que faltou um pouco mais de desenvolvimento tanto com relação aos personagens – que adorei, mas que não consegui me conectar tanto por terem sido apresentados de forma rasa – quanto com os acontecimentos do livro, que pareceram abruptos, embora instigantes.

UMA PAIXÃO EM FLORENÇA POSTER FILMEHá também personagens coadjuvantes muito interessantes (contamos até com uma princesa), que não são muito explorados e seriam de grande acréscimo ao enredo principal.

“- É tão belo – murmurou ele por fim – que é quase insuportável. – Citou aquela célebre frase de Goethe na qual Fausto, por fim satisfeito, suplica ao fugaz momento que permaneça.”

Um ponto positivo, porém, está em Mary e na forma como ela foi trabalhada: embora viúva e pensando em casar-se novamente, ela é uma mulher forte, decidida e segura de si. O livro se passa nos anos 30, época em que a mulher ainda era vista como bastante submissa perante a sociedade. Vê-la tomando decisões por conta própria, mesmo que equivocadas, e saindo sozinha para encontros e festas dirigindo seu próprio carro são momentos que parecem pequenos, mas muito interessantes de acompanhar.

No fim das contas, foi uma ótima experiência de leitura e quase não consegui dormir pensando no livro depois que o terminei, tentando digerir o que tinha consumido. Recomendo bastante pra quem quer uma leitura rápida e bem diferente do que temos no mercado literário hoje. Espero conhecer mais títulos do autor em outro momento.

“(…) ele era uma criatura romântica, a sua linguagem rebuscada e extravagante era a de um rapaz que sabia mais de livros do que da vida devido a todas as suas terríveis experiências (…).”

Em 1999, o livro ganhou uma adaptação com a atriz Kristin Scott Thomas como Mary e Sean Penn como um dos rapazes que aparecem na vida da personagem, o qual deixei de fora da resenha de propósito para não estragar nenhuma experiência, rs. Ainda não assisti pois não o encontro em lugar algum, mas espero assistir pra comparar as duas versões.

NOTA: 3

E vocês, já leram ou conheciam ou a adaptação? Gostaram? Leriam?

Um grande beijo a todos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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