Resenha: O Fim da Eternidade, de Isaac Asimov

“Era uma grande adição à vida de Harlan. Havia alguém com quem conversar, alguém com quem discutir sua vida, suas façanhas e pensamentos. Era como se ela fosse uma porção dele, mas uma porção suficientemente separada para exigir diálogo como comunicação, ao invés de pensamento. Ela era uma porção suficientemente separada para ser capaz de responder imprevisivelmente através de processos de pensamento independentes. Estranho, pensou Harlan, como se podia Observar um fenômeno social tal como o matrimônio e, contudo, desaperceber-se de uma verdade tão vital a respeito. Poderia ele ter previsto, por exemplo, que seriam os interlúdios apaixonados que ele depois associaria menos freqüentemente com o idílio?”

Oi, oi, pessoal!

Como já havia dito pra vocês aqui no blog, esse ano resolvi entrar em vários desafios literários pra dar um gás nas minhas leituras. Dentre eles, está o Lendo Sci-Fi, e minha quarta leitura do ano pertenceu ao desafio de janeiro: “O Fim da Eternidade“, de Isaac Asimov, publicado pela Editora Aleph (2007, 255 páginas).

O FIM DA ETERNIDADE ASIMOV LIVRO

Ele conta a história de Andrew Harlan, um Eterno: trata-se de um membro de uma organização que monitora e controla o Tempo, um Técnico que lida diariamente com o destino de bilhões de pessoas no mundo inteiro. Sua função é iniciar Mudanças de Realidade, ou seja, alterar o curso da História. Condicionado por um treinamento rigoroso e por uma rígida autodisciplina, Harlan aprendeu a deixar as emoções de lado na hora de fazer seu trabalho.

Tudo vai bem até o dia em que ele conhece a atraente Noÿs Lambent, uma mulher que abala suas estruturas e faz com que passe a rever seus conceitos, em nome de algo tão antigo quanto o próprio tempo: o amor. Agora ele terá de arriscar tudo – não apenas seu emprego, mas sua vida, a de Noÿs e até mesmo o curso da História para tentar viver esse romance com a mulher que ama.

“A confiança é recompensada, aparentemente. Havia um provérbio de seu século natal que dizia: ‘Agarre a urtiga firmemente e ela se tornará uma vara com a qual golpeará seu inimigo.'”

O que achei:

O Fim da Eternidade” é considerado um clássico da ficção científica, tendo sido publicado originalmente em 1955. Ele está entre os melhores livros escritos pelo autor e é considerada uma das mais bem-sucedidas histórias de viagem no tempo. Por isso, meu medo de ler o livro era grande e nem um pouco infundado.

A leitura já inicia complicada. O primeiro capítulo é muito difícil de entender, pois o universo da Eternidade é composto de uma estrutura própria, bem como funções, hierarquias, comportamentos, objetos etc. com denominações originais, que fogem da nossa realidade e, portanto, são mais difíceis de assimilar.

“Você não pode saber o que significa segurar nos braços um pequeno átomo de sua própria vida. Posso ter um computaplex no lugar de nervos e mapas espaço-temporais no lugar de corrente sanguínea, mas eu sei.”

A medida que fui lendo, embora com certa dificuldade, fui colocando os acontecimentos em ordem e compreendendo o que afinal era a Eternidade. A trama não é nada previsível e, justamente por isso, fascinante. Harlan e os outros personagens são muito complexos e é muito curioso acompanhar o desenvolvimento deles, passando de frios e distantes a pessoas tomadas por fortes emoções, revelando segredos que mudam nossa percepção da trama inteira.

Sei que o livro foi escrito há muito tempo atrás, porém um ponto negativo foi a questão machista do enredo, que impactou bastante a minha leitura e me deixou levemente incomodada – o que não sou capaz de julgar enfaticamente porque, no período em que o livro foi escrito, era “normal” se ter a visão da mulher como esposa, mãe, companheira. Alguém que não podia opinar, apenas aceitar. Esse fato é bastante ressaltado na trama por meio de Noÿs, pois as mulheres sequer eram permitidas na Eternidade. Além disso, quando os homens as queriam, solicitavam ligações com elas e elas, então, os pertenciam, sem qualquer menção ao desejo de querer estar junto ou não por parte delas.

“- Eliminando os desastres da Realidade – disse Noÿs – a Eternidade exclui também os triunfos. É encarando as grandes provas que a humanidade pode elevar-se a grandes alturas com maior sucesso. Do perigo e da agitada insegurança vem a força que impulsiona a humanidade a conquistas novas e mais grandiosas. Pode compreender isso? Pode entender que, evitando as armadilhas e misérias que cercam o homem, a Eternidade o impede de descobrir suas próprias soluções amargas e melhores, as soluções reais, que se alcança vencendo a dificuldade, não evitando-a.”

Algumas partes do livro também são monótonas, com várias conversas sem fim com termos desconhecidos, o que atrasou bastante minha leitura. Apesar disso, há uma chacoalhada na trama que acendeu meu interesse e acabei por achar o final bem interessante e instigante, imprevisível e cheio de reviravoltas.

Em suma, reconheço que comecei a ler Asimov pelo livro errado. Entendi a ideia geral do livro e saberia explicá-la, porém me foi muito confuso em muitas partes que não consegui assimilar. Pra quem não é habituado com sci-fi, não recomendo. Mas, no fim das contas, fiquei feliz de ter concluído e riscado esse autor da lista, que queria tanto conhecer. Não me desestimulou a ler mais livros dele, muito pelo contrário. Tenho outros na estante aguardando para serem lidos.

“Ofereceram-me uma escolha entre cinco Realidades que pareciam menos complexas. Escolhi esta, esta que envolve você, o único sistema de Realidade que envolve você. A Realidade em que você vinha a mim e me amava, em que você me levava à Eternidade e ao distante futuro de meu próprio século, em que você dava direção errada a Cooper e em que você e eu, juntos, retornávamos ao Primitivo. Nós viveríamos no Primitivo pelo resto de nossos dias. Vi nossas vidas juntas, e elas eram felizes e eu o amava. Portanto isso não é ridículo, de forma alguma. Escolhi esta alternativa, de maneira que nosso amor poderia ser verdadeiro.”

Desculpem pelas quotes enormes, mas não teve como diminuir os trechos que mais gostei, rs. Também servem pra vocês sentirem um pouco da vibe da leitura e se vão se interessar também. No futuro, quero reler esse livro e ver se amadureci com relação ao gênero, para poder entendê-lo e apreciá-lo melhor.

NOTA: 3

E vocês, já leram? O que acharam do livro? Vocês também tiveram dificuldades com a leitura ou encararam Asimov de letra?

Beijos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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