Resenha: O Teorema Katherine, de John Green

“(…) e quem sabe não acabou, e quem sabe ele iria poder sentir o toque da mão dela de novo, e ouvir aquela voz alta e aguda se transformando num sussurro na hora de dizer eu-te-amo do jeito rapidinho e baixinho como sempre fizera. Ela falava eu te amo como se fosse um segredo; e um dos grandes.”

Oi, oi, pessoal!

Ano passado, nos gravamos um vídeo para o Literamigas com um desafio onde sorteávamos algo que não gostamos na literatura para ler e superar nossos traumas (#drama), e eu tirei o John Green, rs. Não é segredo pra ninguém que não tive uma boa primeira impressão do autor com “Quem é você, Alasca?“, o primeiro livro que li dele e não gostei nem um pouco…

A partir daí, fiquei com medo de encarar qualquer outro trabalho do autor, mas, com o desafio, resolvi escolher ler um dos livros mais controversos dele para minha quinta leitura do ano: “O Teorema Katherine”, publicado pela Editora Intrínseca (2013, 304 páginas).

O TEOREMA KATHERINE LIVRO.jpg

Ele conta a história de Colin Singleton, um jovem super inteligente que quer se tornar um gênio da humanidade, ex-criança prodígio e viciado em anagramas, que acabou de levar um recente e traumático pé na bunda de sua namorada, Katherine. Na verdade, esse é o décimo nono fora de sua vida amorosa e, curiosamente, Colin só teve namoradas de nome Katherine.

Para superar o coração partido, ele cai na estrada com seu melhor amigo, Hassan, dirigindo o Rabecão de Satã (nome carinhoso de seu carro). Com um caderninho de anotações no bolso, o objetivo dessa viagem é elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível prever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que duas pessoas se conheçam.

Assim, Colin poderá saber se o destino do seu relacionamento realmente está traçado e poderá finalmente reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera. Mas essa jornada ainda reserva muitas coisas que Colin desconhece e que podem mudar sua vida para sempre!

“Estranhamente, estava deprimido demais para derramar lágrimas. Magoado demais. A sensação era de que Katherine havia roubado dele a parte que chorava.”

O que achei:

Pelo meu histórico, motivo até de piada entre meus amigos leitores, geralmente acabo gostando dos livros mais mal falados e odiados por todos. E não é que não foi diferente com esse?

Comecei a ler sem pretensão nenhuma porque estava entediada e ainda não tinha me dado bem com o John Green. Mas comecei a leitura gostando muito do livro e curtindo bastante! O medo me acompanhou um pouco porque, como disse, é um dos livros mais odiados dele, com várias opiniões negativas, porém minha experiência não poderia ter sido melhor.

“Ele gostava de todos os livros, porque adorava o simples ato de ler, a magia de transformar os rabiscos de uma página em palavras dentro da cabeça.”

Uma das coisas que o John Green sabe fazer perfeitamente bem são quotes e isso é inegável! Até mesmo no abominável “Quem é você, Alasca?” temos passagens incríveis e tocantes. Mal tinha começado a ler e já tinha anotado vários trechos que deixaram meu coração quentinho.

O livro é cheio de notas de rodapé que não são necessariamente explicativas, mas uma forma do autor conversar com a gente relatando algumas coisas sobre a vida do protagonista, de forma muito interessante e engraçada.

“Mas Colin sabia que o universo não conspirava para colocar uma pessoa em um local em vez de em outro. E pensou em Demócrito: ‘Em todo lugar o homem culpa a natureza e o destino, embora seu destino seja nada mais que o eco de seu caráter e suas paixões, seus erros e suas fraquezas.'”

O modo como a história é contada, com certo sarcasmo e ironia, deixa o texto divertido e fácil de ler, além da escrita do autor ser simples de compreender, mesmo que envolva algumas explicações matemáticas, como o próprio nome propõe (falando sobre o teorema).

Os personagens são jovens e não existem tantas grandes lições, embora as situações vividas por eles nos despertem para a valorização dos laços familiares, o respeito aos mais velhos, a sinceridade, a amizade e sobre se apaixonar.

“Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos tenta fazer algo extraordinário? Que estranho acreditar que um Deus lhe deu a vida e, ao mesmo tempo, achar que a vida não espera de você nada mais que ficar vendo TV.”

Terminei o livro chocada por ele ter sofrido um hate tão grande por parte dos leitores. Pra mim, restituiu toda a má impressão que John Green me causou com o livro anterior. Traz uma narrativa inteligente, cheia de sutilezas, detalhes matemáticos e um humor sagaz, bem no meu estilo. Me apaixonei, ri bastante e me diverti muito como havia tempos não acontecia! Sem dúvida vou ler outros dele, agora que sei que ele pode me cativar!

A capa do livro também me chamou muito atenção, por ser minimalista e por trazer elementos fofinhos que fazem referência ao enredo – a acho linda! Ainda, espalhei algumas quotes incríveis aqui pelo post, mas também se destacam:

  • “(…) uma das regras fundamentais em sua vida era nunca fazer em pé qualquer coisa que pudesse realizar, com a mesma facilidade, deitado.”
  • “Só que as mães mentem. Está na descrição do cargo delas.”
  • O futuro jazia à sua frente, inevitável mas invisível.
  • “- Eu te amo tanto… e só quero que você me ame do mesmo jeito que eu te amo.”

NOTA: 3

E vocês, o que acham do autor? Tem uma boa relação com ele? São do time que amaram ou odiaram o livro? Comentem que vou amar saber!

Um grande beijo a todos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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