Resenha: Helter Skelter, de Kyoko Okazaki

“Toda vez que alguém pressiona o botão da câmera, sinto como se estivesse me tornando ainda mais vazia, e estou sempre tentando desesperadamente não gritar bem alto.”

Olá, pessoal!

Como estão vocês? E as leituras? Indo bem? ❤

Hoje eu vim falar com vocês sobre esse mangá INCRÍVEL que foi minha 15ª leitura do ano: “Helter Skelter“, de Kyoko Okazaki, publicado pela Editora NewPOP (2016, 320 páginas). Eu já tinha esse mangá por anos na estante, e sempre o pegava pra reler, mas essa foi a primeira vez que o li com calma, analisando tudo e marcando as quotes que mais me impactaram. Agora, definitivamente, ele tá bem gravado na minha memória!

helter skelter

Trata-se de um mangá em volume único que conta a história de Lilico. Após várias plásticas extensivas e manutenção vigorosa, ela se tornou a beleza em pessoa, virando uma modelo, atriz e cantora de enorme sucesso. No entanto, logo seu corpo começa a reagir mal a tantas cirurgias e ela se vê em decadência física. Agora, é obrigada a encarar as consequências do que fez e o seu inevitável fim.

O mangá foi tão aclamado que se tornou ganhador do Prêmio Cultural Osamu Tezuka, no ano de 2004!

“Escuto um tiquetaquear. Algo dentro de mim vai chegar ao fim muito em breve. Mas não estou com medo. Eu sabia disso desde o começo.”

O que achei:

Foi uma experiência maravilhosa ter lido novamente esse mangá, dessa vez com mais atenção. O enrendo é bem simples e consiste basicamente no que diz a sinopse. A Lilico era uma menina simples – “pobre, patética e feia”, como é descrita no mangá – que foi completamente transformada por uma agente, a qual ela chama de “mãe” (embora não seja sua mãe biológica). Depois de inúmeras plásticas, ela se tornou uma mulher extremante bela e atraente, figurando sempre em 1º lugar quando o assunto era perfeição.

Apesar disso, Lilico acabou se tornando uma pessoa extremamente vaidosa e tóxica, que menospreza todos ao seu redor. Todas as pessoas são descartáveis, meros objetos que são usados apenas pra se chegar a um objetivo. E o objetivo dela, depois de ter alcançado fama, dinheiro e sucesso, é arrumar alguém rico que possa garantir o estilo de vida que ela adquiriu com tanto esforço, mesmo depois que o tempo fizer seu trabalho e as inúmeras intervenções não adiantarem mais.

“A morte sempre aproxima-se calmamente, sem fazer barulho algum.”

O poder de manipulação de Lilico é tão grande que, mesmo humilhando as pessoas, especialmente sua assistente pessoal Hada (a que mais sofre nas mãos dela), todos fazem todas as suas vontades, por mais absurdas e degradantes que sejam, principalmente pelo fascínio que ela causa. Algumas das situações que ela impõe são embaraçosas e abusivas, envolvendo assédio moral e sexual.

Por conta disso, o mangá é, ao mesmo tempo, fascinante e muito estranho, com uma vibe bem densa. Mas adoro a forma como ele é um verdadeiro retrato do que a vaidade pode causar, bem como aborda os efeitos completamente negativos que a fixação com a aparência pode trazer para a vida das pessoas, causando, inclusive, a depressão, por aquele indivíduo achar que não consegue corresponder às expectativas que se impõem sobre ele.

“Juventude e beleza não são sinônimos. Juventude significa beleza, mas beleza não significa juventude. Beleza é um termo mais amplo.”

Na história também conhecemos a irmã de Lilico e levamos um choque, pois a menina é um verdadeiro contraste com a irmã mais velha (“feia e gorda”, como outros personagens a enxergam, exatamente como Lilico no passado) e, assim como acontece com Lilico, a garota também se inspira na irmã para ser, um dia, igualmente bela como ela.

Apesar de falar-se tanto nos quadrinhos sobre a beleza de Lilico, só é possível ter uma ideia da dimensão dessa beleza pela capa do mangá e pelas imagens coloridas finalizadas que aparecem logo nas primeiras páginas da edição – que são lindas, diga-se de passagem. No restante do volume, alguns traços tornam os quadrinhos confusos de distinguir e entender. Há, aí, uma curiosidade: o mangá é assim porque não foi finalizado. A autora foi atropelada antes de finalizar e ele acabou sendo publicado assim mesmo. O mais interessante é que, mesmo sem todo o seu potencial, gerou muitas controvérsias, agradou diversos leitores e, de quebra, ainda foi premiado.

“Por ora, afunde-se cada vez mais… Cave um buraco para si mesma, direto para as profundezas da terra (…), e rasteje nele, enquanto você derrama essas lágrimas.”

Jean ShrimptonComo o foco do mangá é a beleza, não tem como a gente não querer criar a Lilico na nossa cabeça. Durante a história, algumas celebridades são citadas como referências da aparência de Lilico, mas, dentre elas, a que mais consigo visualizar a personagem, pelos traços dos desenhos (como a capa que vocês podem ver acima), é com a Jean Shrimpton.

Outra curiosidade é que é feita uma comparação da história de Lilico com o filme “Crepúsculo dos Deuses“, onde uma atriz que era linda na juventude degenera-se e entra em decadência com a chegada da velhice. Além disso, “Helter Skelter” também é uma música dos Beatles! Muitas referência em uma só leitura, né?

Pra vocês sentirem um pouco da vibe do mangá, espalhei algumas quotes aqui pelo post, mas também me chamaram atenção as seguintes:

  • “Ela era como uma flor no auge de sua florescência, mas prestes a se despedaçar assim que o vento soprasse…”;
  • “Quando estou sozinha, eu sinto como se estivesse prestes a ser esmagada.
    Quando estou sozinha, eu começo a perder meu controle sobre as coisas.
    Quando estou sozinha, eu simplesmente não sei o que está acontecendo ao meu redor
    Quando estou sozinha, ‘aquilo’ aparece dentro da minha cabeça, e só faz crescer cada vez mais, até que eu consequentemente seja devorada por essa coisa”;
  • “Para mim, ser esquecida é o mesmo que estar morta. Tenho medo de morrer, mas tenho ainda mais de ser esquecida…”.

Recomendo demais, principalmente pra quem ama uma boa leitura cheia de críticas sociais e com um significado mais profundo por baixo das entrelinhas. O nosso sentimento entra em conflito constantemente, ora sentindo muita raiva da Lilico por ela ser tão soberba, ora sentindo dó por vermos o quanto ela é frágil e completamente manipulável. O final é de ficar com o queixo caído e a gente passa horas digerindo as mais de 300 páginas dessa obra! ❤

helter skelter live action

Helter Skelter” também foi adaptado para o cinema japonês em 2012 com o mesmo nome. Conta com a linda e talentosa atriz Erika Sawajiri no papel da nossa modelo protagonista e foi dirigido por Heruta Sukeruta. A classificação indicativa é +18, por conter cenas de nudez, sexo e uso de drogas, o que também acontece no mangá. Vou deixar pra comentar sobre ele no próximo Sessão Pipoca!

NOTA: 4

E vocês, já leram esse mangá ou ficaram interessados? Se não, leriam? Vou adorar saber a opinião de vocês sobre a resenha! Aproveitem e me indiquem outros mangás! 😉

Um grande beijo a todos e até a próxima!

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Autor: Andresa Lee

30. Macapaense. Ama livros, jogos, doces, cães, Star Wars, conversas, nerdices e Netflix. Além de blogger literária no UDML, faz parte do canal Literamigas no Booktube.

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